quinta-feira, 31 de julho de 2008

Finalização do Prólogo de algo que ainda não sei o título.

Já no final da tarde, faltando algumas poucas horas para a biblioteca encerrar suas atividades, uma leve fumaça, mais parecendo uma suave neblina, envolveu parte do recinto. De repente a fumaça ficou mais densa e então apareceu um grupo de pessoas, bem em frente ao humano que ali estudava, quebrando sua concentração. A jovem maga só apercebeu-se da situação quando o humano deu um leve grito de terror, enquanto o monge já punha-se de pé para averiguar a situação. Nesse momento o grupo invasor, composto de quatro pessoas, dispos-se ameaçadoramente ao redor do humano, o qual, ainda sentado, tremia envolto em terror. Aquele que parecia ser o chefe dos recém chegados, um goblinóide de pele amarronzada, vestindo um robe azul marinho e segurando uma adaga próximo ao pescoço do homem, falou:

- Então nos encontramos novamente, não é?

- oh.. aah.. o..o.. o que vocês querem de mim? - Disse o amedrontado humano, embora seu tom de voz revelasse consciência sobre o que ocorria.

- Você sabe muito bem o que queremos!! Kayla, o que está esperando? - Rugiu o goblinóide.

Nesse momento a jovem de longos cabelos avermelhados trajando um robe semelhante ao do seu mestre, que cobria todo seu corpo, começou a proferir as palavras de um encanto, revelando em seu rosto uma mancha cor de sangue que cobria a parte inferior de sua hemiface esquerda, dando um toque de terror a algo que poderia vir a ser muito belo. O funcionário da biblioteca começou a correr em direção à porta no mesmo instante em que a segunda jovem que compunha o grupo, loira, pele clara sem manchas visíveis, e vestida do mesmo modo que os demais, conjurou uma magia, tornando os músculos do infeliz funcionário rígidos e incapazes exercer sua função, fazendo com que o homem caísse ao chão, como uma estátua humana em cuja face foi gravada a expressão de terror. O quarto membro do grupo invasor em nenhum momento moveu-se, evidenciando apenas suas vestes longas e largas demais para revelar qualquer detalhe do corpo, associadas ao capuz que impedia a visualização do rosto. Quase simultaneamente ao baque surdo da queda do homem paralisado ao chão, a jovem ruiva terminou seu encantamento, exibindo uma expressão satisfeita, embora nada aparente tenha acontecido.

A maga, ainda sentada em seu lugar, percebeu, ao analisar os gestos e palavas proferidos pela ruiva, que o efeito mágico intencionado seria cancelar o encantamento permanente que havia na porta da sala em que se encontravam. Se a porta realmente era um portal mágico, como imaginava, eles provavelmente estariam presos, em algum local longe de Zullah, talvez até em outro plano de existência. Ao passo que a jovem maga continuou sentada acariciando seu morcego, não desejando enfrentar inimigos que não são seus, o monge, que já encontrava-se de pé, dirigiu-se ao grupo, mostrou o símbolo de Baiano bordado em seu peito e disse:

- O que vocês querem com o pobre homem? Deixem-no em paz!!

- Mas quem ousa se opor a nós? - sibilou a jovem loira - Fique longe do nosso caminho e nós não o mataremos, pelo menos não agora!

Nesse instante o goblin investiu sua adaga contra o pescoço do humano acuado, fazendo com que sangue jorrasse pelo local, parecendo deliciar-se com as manchas vermelhas em seu robe. O corpo inerte caiu ao chão formando uma poça de sangue no chão ao seu redor. O goblin mecheu no bolso do homem que acabara de matar, pegou algo do tamanho de uma peça de ouro e olhou para seus companheiros. O monge pareceu controlar um ímpeto de investir contra o grupo, temendo por sua vida. O funcionário ainda estava ao chão, paralisado em sua face de terror. A maga permanecia sentada, apenas olhando a situação. Foi quando a jovem de cabelos vermelhos começou a proferir um novo encantamento, desaparecendo do local instantes após, junto com seus companheiros. De relance a jovem maga apercebeu-se que todos os quatro invasores carregavam como adorno, bordado no peito do robe, um símbolo, bastante peculiar. Quase não recordou-se do que se tratava, porém um instante de sabedoria revelou-lhe que aquele grupo só poderia ser compostos de servos de Reisen, o deus da maldade. Pela face de terror, o monge servo de baiano, certamente, havia feito a mesma constatação.

Insatantes que pareceram horas se passaram, até que alguem ousasse se mecher. O monge dirigiu-se ao funcionário paralisado e constatou que este ainda encontrava-se vivo, apesar do encantamento que sobre ele foi lançado.

- Em breve a magia cessa e ele volta ao normal - Disse a jovem maga, ainda sentada em seu lugar.

Sem proferir uma palavra, o monge foi até o humano cuja garganta havia sido cortada, pesarosamente constatando o invetável, não havia mais fluxo de vida naquele corpo. Percebeu que na fivela do cinto do homem havia entalhado o símbolo de uma facção secreta de servos de Baiano, a Ordem de Olinda. Mentalizou se isso poderia ter algo relacionado com os acontecimento recentes, dando início, então, ao rito de passagem do pobre homem. Enquanto o meio elfo proferia um mantra pedindo que Baiano acolhesse a alma de seu servo, o corpo do funcionário da biblioteca amoleceu, sem, no entanto, recuperar a consciência. Pela primeira vez a jovem maga levantou-se e foi ver o que havia acontecido com o funcionário, juntamente com o monge. Este, que possuía alguns conhecimentos de curandeirismo, contatou que o homem estava engolindo algo que o impedia de respirar, mais precisamente, havia algo descendo voluntariamente por sua garganta, contudo não obteve sucesso em ajudá-lo. Após alguns instantes o homem cessou o esforço respiratório, estava aparentemente morto. Em seu abdome foram percebidos alguns movimentos estranhos, principalmente para alguém que havia acabado de morer. O monge decidiu averiguar o que poderia estar acontecendo, decidindo abrir aquele abdome, utilizando a espada pertencente ao homem atras do qual o grupo maligno viera, já que não carregava armas. Qual não foi a surpresa quando foi revelado, dentro do abdome do funcionário da biblioteca, uma espécie de larva, medindo cerca de 25 centímetros de comprimento, grossa como o punho de uma criança, alimentando-se das entranhas de seu hospedeiro. Nauseada, a maga virou-se enquanto o monge desferia um soco fatal naquela bizarra forma de vida parasita, fazendo saltar sangue, entranhas e partes de larva pelo local. Após encaminhar a alma do homem ao plano de Baiano, o monge falou, enquanto dirigia-se à porta:

- Meu nome é Gallin, servo de Baiano, creio que temos muito o que relatar às autoridades de segurança desse local.

- Me chamo Selena, porém não creio que essa tarefa será fácil.

Ao abrir a porta, invés de deparar-se com o esperado corredor, Gallin encontrou uma parede de pedra, ocupando todo o espaço de onde deveria haver uma passagem que levaria ao corredor no fim do qual estaria o balcão da elfa. Olhou ao redor e a única abertura na sala esculpida na pedra que pôde encontrar foi um buraco arredondado, de cerca de 30 centímetros de diâmetro, esculpido no teto, por onde sentiu entrar uma leve corrente de ar.

E assim, Gallin, o monge servo de Baiano, Selena, a maga, encontravam-se presos em uma das salas da biblioteca de Zullah, acompanhados apenas de milhares de livros, dois cadáveres e a necessidade de uma ótima idéia que pudesse tirá-los dali.

terça-feira, 29 de julho de 2008

A novela das Oito (que na verdade é as 9)

Tá, eu nem sou muito chegada nessas correntes onde devo expor a meu respeito, mas como eu sou "maria vai com as outras" e gosto de estar "na onda da gurizada", não posso ficar de fora. Mas já aviso, não constará aqui nada que quem me conhece já não saiba, bem como nada muito interessante a ponto de fazer com que aqueles que não me conhecem desejem vir a conhecer.

Outra coisa, como eu acrescentei o 10º item na lista de coisas a seres respondidas, cada um dos meus itens deveria conter também 10 respostas... Mas isso tornaria meu post o "jogo dos 10", e não dos "8" ou dos "9", de modo que perde totalmente a piada e contextualização do meu título. Logo... façamos de conta que ninguém percebeu a falha e fiquemos apenas com 9 coisas, vale a pena só pelo título bacana, né?!


Nove coisas a fazer antes de morrer:

$ entender o que há de tão cabalístico no número 8 (eu podia tirar esse item, pois já entendi da onde saiu "o jogo do 8", mas eu não tenho vergonha de ser meio retardadinha)
$ salvar pelo menos uma vida (profissionalmente)
$ publicar um livro
$ casar (típica resposta feminina)
$ aprimorar satisfatoriamente minhas habilidades empáticas
$ ser fluente em inglês, espanhol, italiano, francês e algum outro idioma que eu possa vir a me interessar em um futuro próximo
$ fazer uma mudança drástica na minha aparência, tipo pintar o cabelo de loiro loiríssimo
$ entender coisas mirabolantes que hoje em dia não tenho capacidade de entender
$ poder dizer "ah, eu vou comprar isso apenas por consumismo, tenho dinheiro suficiente e não vai faltar em outro lugar", e isso ser verdade

Nove coisas que eu mais digo:
$ pombas, tchê!!
$ A-ham!!
$ pssssss...
$ mas bah, tchê!
$ má pukê?!?
$ bããã!
$ Xiiiiiii!
$ ta loco, é?? bebeu?
$ Ah... eu quero! (acompanhado de um beiço)

Nove coisas que eu faço bem:
$ falar merda
$ escrever
$ otimizar meu tempo
$ confortar corações aflitos
$ sentir o que os outros sentem (vulgo colocar-me em seus lugares, a famosa "empatia")
$ chantagem emocional
$ aprender sem necessariamente decorar
$ conversar (quando eu quero, obviamente)
$ retardadices, de todo o tipo, sem medo de ser feliz

Nove coisas que eu não faço:
$ lavar roupa
$ cocô fora de casa e xixi sem papel higiênico
$ ser sociável em situações de "cinismo social"
$ sair de casa sem creme no cabelo ou lápis e rímel nos olhos
$ estudar conteúdos que julgo inúteis
$ escutar música ruim
$ ser estúpida desnecessariamente com as pessoas
$ assistir a filmes dublados
$ sexo casual

Nove
coisas que me encantam:
$ comportamento das pessoas
$ comportamento dos animais
$ livre associação de idéias
$ atos falhos
$ o dom que algumas pessoas têm para o uso de palavras nas mais diversas situações
$ criatividade, principalmente a inútil
$ sentimentos
$ beleza exótica
$ fisiologia animal


Nove
coisas que você deve saber sobre mim:
$ ADORO gastar meu tempo assistindo a seriados americanos imbecis
$ quando estou com sono fico de mau humor
$ sou a verdadeira "abombada da câmera digital"
$ tenho um coração mole, muito mole, e por mais que a princípio eu pense em algo bem malígno eu sempre vou ficar com pena e fazer o meu máximo para ajudar
$ eu penso DEMAIS a respeito das coisas da vida
$ as pessoas que eu amo são as coisas mais preciosas que tenho na vida
$ perco o amigo mas não perco a piada
$ faço coisas retardadas em prol da diversão sem me importar com taxações que eu possa vir a receber
$ entrar em uma discussão me deixa extremamente irritada

Nove
coisas que eu odeio:
$ ponto e vírgula (;)
$ erros de português grosseiros
$ criança manhenta, principalmente se acompanhada de uma mãe omissa ou histérica
$ "inguinorância" (se dúvidas, clique
aqui)
$ traição (de todo tipo)
$ gente que se acha (essa é a campeã de citação)
$ quando falta luz, ou água, ou a internet sai fora do ar, ou a televisão... bem, quando as coisas que deveriam funcionar naão funcionam
$ filmes estúpidos
$ pessoas perfeitinhas

Nove Nostalgias gastronômicas:
$ a carne de panela desfiada da minha nona (as avós também são campeãs de citação por aqui)
$ a massa da Luciara (senhora que cuida da minha nona)
$ a cuca da Luciara
$ a pizza da única pizzaria de Araranguá
$ o bolo de leite condensado da Ieda (indireta, heim Moisés)
$ a nega maluca abatumada que eu mesma faço
$ o "risóleo" de queijo da antiga cantina do cefet
$ o arroz + feijão + bife + batata frita da minha mãe
$ sopa de letrinhas

Nove
hobbies estranhos:
$ a necessidade de ler a última frase de um livro antes de lê-lo
$ inventar palavras e gestos arcanos
$ andar pelada e saltitando pela casa quando estou sozinha
$ conversar comigo mesma (difere um pouco de falar sozinha)
$ fazer poses estranhas para fotos, principalmente quando tiro fotos sozinha (viva a invenção do timer)
$ fazer eu mesma minhas unhas, refazê-las porque não gostei do toque final, encher o saco e acabar não fazendo nada no final
$ todo meu ritual pré-banho
$ tentar soltar peidos barulhentos quando estou sozinha (adoro o barulhinho!!)
$ eu gosto de tentar fazer trancinhas nos meus pentelhos, mas eles geralmente não são grandes o suficiente, então eu deixo uma partezinha mais comprida (as vezes) só para poder trançar.


E, seguindo a tradiação (porque eu sou mesmo uma imitona e não consego quebrar conceitos e inovar tendências):
Nove
pensamentos maldosos que já tive:
$ não sou eu quem tenho que me preocupar com as criancinhas da áfrica que passam fome (embora isso não signifique que eu não deseje que as coisas melhorem para elas)
$ deu sem camisinha? pegou AIDS? BEM FEITO!
$ traficante de drogas tem mais é que morrer... e a grande parte dos usuários também
$ não tenho pena de pais ausentes cujos filhos cairam no crack (o coisa do tipo), quem mandou não cumprir o papel de pai?
$ estupradores são as mulherzinhas do presídio? Bem feito, podia ser pior. Aliás, DEVERIA ser pior
$ diabético e continua comendo açúcar? Tomara que perca o pé para aprender que só tu mesmo pode zelar pela tua saúde (esse é só em dias de extremo mau humor)
$ quanto a ataques terroristas ao redor do mundo, bem que um aviãozinho podia cair no palácio do planalto
$ quanto mais a pessoa se acha mais ela merece se ferrar
$ BEM FEITO que não passou pra Medicina, sua vaca! Pode ser que assim tu aprenda a ser humilde! (esse pensamento o pessoal até sabe pra quem se dirige)


E por hoje é só, pessoal!

quarta-feira, 16 de julho de 2008

Prólogo de algo que eu ainda não sei o título.

Que calor infernal, pensou ela, que havia acabado de chegar magicamente na entrada de Zullah, a cidade fronteiriça com o deserto. Às suas costas estava a escadaria que conduz à entrada da cidade a partir do mar de areia, à sua frente, algumas barracas de comerciantes em uma espécie de corredor que leva à cidade em si. Em meio aos chamados dos comerciantes tentando vender suas mercadorias, percebeu que o item mais valioso nas barracas eram garrafas de água. Após uma viagem pelo deserto, nada mais natural que os viajantes estejam dipostos a pagar caro pelo refresco, infelizes daqueles que não podem desfrutar de meios mágicos de deslocamento, pensou a jovem de castanhos e compridos cabelos desgrenhados, enquanto caminhava em direção ao centro da cidade. Já havia estado em Zullah algumas vezes antes, de modo que não impressionou-se com as características daquele povo, cuja pele era escurecida e envelhecida pelo sol constante, apesar do uso de volumosas capas protetoras. Seguiu seu rumo observando as construções e acariciando seu melhor e mais fiel companheiro, um tipo de morcego que agora estava pendurado em seu pingente, o qual simula um poleiro. O pequeno animal, nomeado de Rusty pela estranha jovem, de fato, parecia-se muito com um morcego, mas aqueles que olhavam com atenção percebiam que os olhos eram saltados, a membrana das asas tinha um aspecto estranho, com algumas protuberâncias e os sons produzidos eram levemente diferentes de um morcego comum. Ninguém deu muita importância ao fato, entretanto.

Perdida em pensamentos, quando deu por si, a jovem estava em frente a uma grande construção esculpida em pedra, sem janelas. Uma escadaria de pedra conduzia à porta de duas folhas, em cuja madeira haviam alguns símbolos entalhados. Subiu as escadas, abriu a grande porta, notando que esta era bem mais leve do que parecia, e deparou-se com um corredor todo de pedra, com cerca de 3 metros de comprimento, finalizado por uma porta de folha única, em cuja porção superior haviam vitrais. Ao lado direito da porta havia uma espécie de lápide esculpida na pedra da parede onde estava escrito nas mais diversas línguas a palavra "Silêncio", ao lado esquerdo havia uma espécie de recipiente, pequeno e levemente aquadradado, também esculpido na pedra, com uma pequena fenda na face superior, que parecia revelar um interior oco. Tentou abrir a porta e a encontou trancada. Pensou um pouco, olhou ao redor e depositou uma moeda de cobre na pequena fenda, esperou, e nada aconteceu. Tentou abrir a porta e esta continuava trancada. Dez moedas de cobre equivalem a uma de prata, dez de prata a uma de ouro e dez de ouro a uma de platina, pensando nas equivalências, depositou uma moeda de ouro, sentindo-se saqueada mediante tamanho custo para consulta a livros. Nada aconteceu. Tentou abrir a porta e percebeu que esta estava destrancada, entrou, então, na biblioteca de Zullah, uma das maiores de que se tem conhecimento. Deparou-se com outro corredor também esculpido na pedra, de cerca de 3 metros de comprimento e finalizado por uma porta. Logo no início do corredor havia um balcão atras do qual estava uma elfa, aparentando cerca de 30 anos humanos, trajando um vestido simples e com os cabelos presos em uma trança totalmente desgrenhada para o padrão élfico. Que lugar estranho, pensou a jovem, elfos, seres quase eternos comparados à uma vida humana, em seus 700 anos de existência costumam ser mais belos e cuidadosos com sua aparência, orelhas tão pontudas e rostos de traços tão finos praticamente denunciam certo grau de futilidade, porém isso não se verifica com esta, deve ser a convivência com humanos, concluiu a moça. A elfa olhou para a jovem e seu morcego, reparou com certo desdém que a vestimenta da humana era composta de apenas um vestido longo, mangas curtas, levemente rodado e acinturado, relativamente surrado e não completamente limpo, o qual outrora havia sido em algum tom de azul, associado a uma leve sandália nos pés empoeirados. Perguntou, então:

- Em que posso ajudá-la?

- Vim em busca de conhecimento a respeito de deuses e seus planos de criação e existência.

A elfa virou-se e passou a analisar um enorme bloco de pedra onde estavam penduradas diversas chaves, certamente haviam mais de cem, meticulosamente organizadas. Escolheu uma, entregou à jovem e disse apenas para seguir o corredor e entrar na porta do final. A jovem percorreu o corredor pensando em quão diferente era a organização da biblioteca de Zullah. Destrancou a porta com a chave que lhe foi dada e adentrou em uma grande sala. Teve certeza que aquela porta na verdade era um portal mágico, o qual conduzia a algum outro plano, ou pelo menos algum outro local ainda dentro do plano material(*) que não uma sala imediatamente após a porta. Olhou ao redor e analizou o local. Era uma sala esculpida na pedra, retangular, medindo cerca de 15 metros comprimento por 10 metros de largura, com cerca de 10 metros de altura. Nos primeiros 5 metros de sala haviam 4 grandes mesas para estudo, duas a cada lado da porta de entrada. O restante da sala era ocupado por estantes contendo livros, sendo que as paredes também possuím livros, como uma estante embutida esculpida na pedra. Havia duas colunas de prateleiras, sendo que cada coluna era composta de doze estantes, cada uma com cerca de dez metros de altura, havia uma escada em cada um dos lados de cada estante. Cada uma das estantes era uma continuidade do chão ao teto, meticulosamente esculpidas. Ao lado da porta havia um homem parado, humano, gordinho, que deveria ser funcionário da biblioteca. Além dela, havia apenas mais um homem estudando no local, humano, aparentando seus 35 anos, cabelo escuro e curto, pele clara. Estava sentado em uma mesa distante cercado de livros e anotações, completamente absorto em pensamentos. Trajava um belo casaco azul, não condizente com o calor de Zullah, o restante da roupa estava escondido pela mesa, parecia carregar apenas uma leve sacola de couro e uma espada curta embainhada sobre a mesa. Após a análise a jovem concluiu que o restante do acervo da biblioteca deveria estar guardado em algum outro local, acessível apenas com a chave correta para abrir o portal.

Escolheu os livros desejados, sentou-se e começou a formular um encantamento. Notou que a magia não havia funcionado, sem enteder o porquê, concentrou-se e tentou buscar respostas, quando, então, percebeu que o funcionário da biblioteca estava ao seu lado terminando de completar uma frase:

- ... não é pemitido aqui.

- Aahn?!?

- Não é permitido o uso de magias dentro da biblioteca.

- Hm, mas essa magia não é danosa, apenas fará com que eu entenda a idéia geral do livro com um toque, economizando tempo para que, então, se for do interesse, eu o estude com mais afinco posteriormente. Er... hum... hã... com quem eu posso falar para pedir permissão para usar apenas essa magia?

- Acompanhe-me, senhora.

A jovem maga foi levada ao encontro do que ela acreditou ser o encarregado pela ordem da biblioteca. Após alguns minutos de conversa foi-lhe permitido o uso daquela, e apenas daquela magia, todas as demais continuariam sendo bloqueadas. Se não houvesse tamanha proteção, também não haveria tamanho acervo, pensou a maga. Voltou, então, à sala de estudos e recomeçou suas pesquisas com mais afinco do que nunca, afinal, nunca havia estado tão perto de, finalmente, encontrar o caminho de volta para o lugar onde, há tanto tempo, havia sido enviada contra sua vontade, apriosionada e usada por tempo suficiente para gerar uma prole, após perder a utilidade mandada de volta, forçando-a a abandonar um pedaço seu que lá estava. Sim, em breve atingiria o objetivo que tanto almeja.


***


Neste momento adentra o recinto de estudos um meio-elfo, raça mestiça fruto da cruza direta entre humanos e elfos, suas feições são finas como as de um elfo, porém com um toque rústico característico dos humanos. Face de traços delicados e orelhas afiladas, herdadas dos elfos, contrastam com um rosto levemente barbado e músculos mais proeminentes, resquício da herança humana. O meio-elfo de pele clara e lisos cabelos castanho-claro, prende-os em um "rabo-de-cavalo" apenas para que que não lhe caiam no rosto, veste-se com um robe característico dos monastérios em cujo peito há bordado o Berimbau de Baiano, símbolo do deus criador, calça sandálias e carrega uma leve mochila nas costas, não porta armas. Fecha, então, a porta que havia aberto, cumprimenta o funcionário da biblioteca e dirige-se às estantes. Escolhe os livros de seu interesse e senta-se em uma mesa a meio caminho entre a jovem maga e o homem absorto em pensamentos. Em silêncio, o monge começa sua pesquisa sobre o panteão local de Zullah, em busca de melhores argumentos que facilitem sua missão de levar a palavra e o poder de Baiano para os habitantes locais. Buscava meios para que sua missão, como servo de Baiano, pudesse ser cumprida, almejando sempre a comunhão entre corpo, mente e fé.

Em silêncio, cada qual com seus objetivos e medos, todos, individualmente, consumavam sua busca sem jamais imaginar o que estava prestes a acontecer.

quarta-feira, 9 de julho de 2008

Lições Durante a Vida

Vocês já pararam para pensar em todas as coisas que aprendemos durante a nossa vida? Pois é, eu já. Nota-se que eu estou de férias e não tenho nada mais interessante para fazer da minha vida, então penso sobre coisas inúteis e, o que é ainda pior, escrevo sobre as mesmas. As bolas do Pablo cairiam se ele tivesse que escrever tanto. Finalmente sanei a dúvida que assola-me desde meus 3 anos de idade, o momento em que vi um homem desnudo pela pimeira vez o qual marcou-me para sempre. Sim, alguém foi capaz de explicar-me por que não tenho bolas. De fato prefiro escrever do que carregar acessórios entre as pernas, além de um ponto fraco a mais, elas nem sequer permitiriam-me fazer xixi em pé. Totalmente sem graça esse negócio de bolas aí.

Mas tá, não era sobre bolas que eu queria falar, e sim sobre as aprendizagens que temos ao longo de nossas humildes vidas. Primeiro aprendemos que viver apertado é bacana, em um mar me mecônio (cocô), mais bacana ainda. Tudo o que precisamos vem pelo umbigo e aquelas batidas constantes de frequencia variável são música a nossos ouvidos. Até que somos espremidos e expelidos a um mundo frio, claro e sem batidas, onde precisamos chupar uma teta para não sentir fome (nesse meio tempo aprendemos o que é fome e que chorar, quanto mais alto melhor, tras alguém para sanar a fome). E por aí vai, aprendemos a ver, ouvir, cheirar, conhecer e reconhecer. Tem o tal "caminhar com minhas próprias pernas", usar o peniquinho (e aí vem a lição de que comer e passar cocô pelas paredes não é legal). Até que um dia aprendemos as coisas que as professoras têm para ensinar-nos. Supimpa.

Em fim, faculdade. Nada na vida ensina mais para alguém do que a faculdade (é, nem sequer a questão do cocô). Bem, "nada nos REensina mais do que a faculdade" fica uma construção frasal melhor. Poxa vida, (re)aprendi que as cordas vocais na verdade não são cordas porcaria nenhuma, são fendas, e bem toscas, aliás. Também (re)aprendi que aquelas coisas brancas que as vezes vêm na carne, e que todo mundo sempre chamou de nervo, e ainda fez a piadinha "mas bah, que carne nervosa", na verdade são tendões, para nervos faltando muito e muito. Ou pior ainda, aquela historinha de sal em baixo da língua para pressão baixa é piada e funciona menos que placebo.

Mas, sem dúvida, a maior lição que a faculdade me ensinou até hoje é a de que estudar é variável menos impotante no que tange a notas finais. Discussões filosóficas de "aprender para a vida" deixadas um pouco de lado, nada é mais broxante que estudar de verdade para uma prova e o resultado final ser 9,0 para TODA a turma, independente do estudo e conhecimento (ainda que empírico) individual. Ou ainda, tirar 8,0 em uma prova com 20 ridículas questões, a serem respondidas 10 de minha escolha. E o que é ainda pior, tirar 9,0 em um teste valendo 10 com 5 questões objetivas (vulgo de marcar).

Sorteio de notas, tem coisas que só a faculdade faz por você.

terça-feira, 8 de julho de 2008

Eu não entendo. E desisti de tentar entender.

Acabei de atender a um telefonema. Era a mãe do meu padrasto. Em meio a alguns comentário familiares totalmente desinteressantes, ela comentou que iria visitar a irmã, a qual mora no mesmo pátio que a sogra e os dois irmãos do marido com suas respectivas famílias. Um desses irmãos têm 3 filhos, sendo que 2 moram também no mesmo pátio acompanhados de suas famílias. Um desses dois filhos, que no caso é uma filha, acaba de ganhar um bebê. Mais um bebê. Isso aí, a filha do irmão do marido da irmã da mãe do meu padrasto acaba de pôr mais uma criança no mundo.

O que vocês, caros leitores, têm a ver com isso? Pois é, nada. Pior ainda, o que eu, queridos, tenho a ver com isso? Também nada. O fato é que esse episódio todo me fez pensar, principalmente o fato de que essa é a quarta criança gerada por aquela mulher. E a dita cuja ainda não tem trinta. E o irmão, que tem seus 23 anos (dois a mais que eu), também já transmitiu seus genes a uma prole, composta de, até onde sei, uma criança. Nenhum dos dois têm profissão, deixando claro que trabalhar no comércio não é profissão, é emprego, e mesmo falando apenas de empregos, a nova (?) mãe finge que trabalha em uma loja de bijuterias pertencente ao marido (que só é pai dos 3 últimos filhos).

O assunto continua desinteressante, eu sei, mas aí eu pergunto-me, o que leva uma pessoa a querer pôr filhos em mundo como o atual, com poucas condições de prover-lhe um futuro promissor, dada a situação da família como um todo? E olha que não são pessoas faveladas e ignorantes. Lembro-me que uma das últimas vezes que conversei pessoalmente com as pessoas supracitadas foi mais ou menos na época que entrei para o CEFET (lá pelos meados de 2001), quando as mesmas zombaram de meus desejos profissionais, pensando ser idiota a idéia de dedicar-se aos estudos quando se pode trabalhar e ganhar dinheiro. É difícil imaginar um futuro mais promissor que entrar no mercado de trabalho com 15, construir carreira como vendedor de artigos femininos, não precisar preocupar-se com promoções no emprego e satisfazer-se plenamente com um salário de 500 reais até a idade para aposentar-se e então usufruir de uma velhice sustentada na base de aposentadoria de salário mínimo e com a mesa cheia de familiares para o churrasco de domingo. Mas eu sou uma pessoa criativa, embora difícil, consigo imaginar o que possa ser um futuro promissor diferente dessa utópica e perfeita vida.

É estranho, embora eu possa ser considerada uma pessoa extremamente empática, há coisas que eu realmente não consigo imaginar o que leva as pessoas a fazerem, seja perpetuar a espécie compulsivamente, mandar cartas de amor para presidiários, ou ler e o que é pior, acreditar e seguir piamente os conselhos do Terra Mulher. Se bem que eu consigo entender como alguém que lê o Terra mulher manda cartas para presidiários ou encara-se como salvadora da humanidade pondo filhos no mundo. Okay, já dizia algum personagem da Matrix: "a ignorância é uma virtude", mas tudo tem limite nesse mundo. Ou deveria ter.

Realmente não entendo, e desisti de tentar entender. Cada um faz o que bem entende. Só sei que eu não nasci para uma vidinha medíocre. Só espero que da próxima vez as pessoas guardem suas opiniões de cabeça pequena para si, poupando-me de ficar por meses preocupada e pensando se não seria melhor procurar um emprego e abandonar os estudos em busca de futuro imediato.

segunda-feira, 7 de julho de 2008

Início de Férias

Estou de férias. Oficialmente. Passada. Sem vontade de fazer xixi. O que significa que estou apta a fazer quase qualquer coisa que me dê vontade (e o que não me dê vontade também, considerando que nem sempre as coisas são como gostaríamos que fossem).

Mais um semestre se passou, e esse foi o sétimo a passar. Quem diria, quarto ano. Faltam apenas dois. E, findados esses dois, ganharei meu número de CRM e possuirei, então, o tão desejado carimbo. Até lá atenderei pacientes que não são meus, arcarei com decisões que não são minhas, e não ganharei méritos que são meus por direito. Faz diferença? Claro que não, no fim todos são iguais mesmo. O que pretendo fazer depois? Depende. Residência? Claro que sim, resta decidir em quê e onde. A única coisa que tenho como certa é fazer o meu melhor na medicina (o que, infelizmente, nem sempre é suficiente) e dedicar-me ao italiano. Voltar às origens. Uma das poucas coisas que tenho como certas entre meus desejos e planos futuros. Já aviso que sei que não será fácil. Em nenhum dos pontos citados.

E nesses dois anos que me restam? Qualquer um que conheça um pingo a respeito de mim sabe que eu jamais conseguiria dedicar-me inteira e exclusivamente a atividades acadêmicas (talvez seja por isso que eu não seja boa o suficiente). Pois é, queridos, eu jamais serei a número um, exceto em situações cuja concorrência seja repleta de acéfalos, o que, em geral, não é verdadeiro. Aí eu fico pensando, valeria a pena recusar meu RPGzinho sagrado dos fins de semana em troca de um 9 aos invés de um 7,5? Não, do mesmo modo que eu não trocaria 25% da minha inteligência por 25% a mais de beleza, até porque não existe mulher feia, existe mulher pobre. A menos que minha beleza extra me desse um marido bem rico, a inteligência fará de mim melhor sucedida, e sem depender de ninguém, o que é melhor. O que tudo isso quer dizer? Não troco meus momentos de diversão por nada (bem, nada que me tenha sido oferecido até hoje). Muito menos meus momentos de diversão entre amigos.

Oh sim, amigos. Eu os tenho. E esses sim eu não os trocaria por nada. Ora, nem sequer um 10 na malfadada prova de bases da técnica cirúrgica e anestesiologia (nome bonito né? podem chamar de BTCA se quiserem) seria capaz de suplantar momentos maravilhosos que tenho ao lado daqueles a quem chamo de poucos e bons. Nem tão poucos, felizmente, mas muito bons. o que eu quero dizer é, neste mundo não há nada melhor que bons momentos junto àqueles que amamos. E vai dizer, quem aqui trocaria um montinho pra foto por uma nota maior em uma medíocre prova?



Ou ainda, sejamos francos, comemorar aniversários entre amigos é muito mais que comer e dar presentes, é um momento de confraternizar e reafirmar os laços de amizade, quase como uma daquelas cerimônias de bodas de prata, ouro ou o que for, só que sem lembrancinhas com o nome de todos e duas alianças entrelaçadas. Eu sempre achei as pombinhas mais legais, mas não combinam com um grupo grande de amigos, exceto quando se fala em surubas, mas no fim das contas suruba nunca esteve lá muito presente no meu grupo de amigos, mesmo. É, deixa só as fotos mesmo, cria menos problemas. Ou não.

Falando em aniversários, legal quando as pessoas comemoram os anos abertos pertinho umas das outras, desde que não comecemos a imaginar nossos pais nove meses antes. Que desagradável. Desagradável mesmo é pizza ruim, e pior que pizza ruim é atendente mal educado. No fim isso nem faz lá tanta diferença, exceto para dar mais assunto para um post, afinal a intenção é a reunião e diversão, e não o ato de comer em si (não?). Mas o que importa é que, apesar de todos os pesares, só quem é mesmo muito retardado tira foto em uma pizzaria fazendo pose de time de futebol. E eu ainda acho que só aquele que sabe controlar e rir de sua loucura é capaz de divertir-se de verdade.



E o mais legal de tudo é cortar o aniversariante da foto. Nós te amamos do mesmo jeito viu? E a Ingrid, querida, mais presente do que nunca, contando com inúmeras vantagens, do tipo não pagar e não engordar. As pizzas estavam ruim mesmo.

Melhor que reunião para aniversário, é dupla reunião para aniversário, e isso só o Moisés é capaz de fazer por você. Falando nisso, ainda tem algum mísero pedacinho daquele bolo magnífico e maravilhoso? Quem não foi perdeu. E perdeu MESMO. O bolo foi a recompensa pela amizade verdadeira, afinal só quem comparece nos dois dias pode ser classificado como amigo de verdade. Han han han?!?!!?

Ah, sei lá meus queridos pulhas. Amo vocês e não trocaria meus momentos felizes por nada. Que cada um consiga o sucesso e que todos sejam muito felizes, mesmo que longe de mim. Enquanto isso eu sigo lutando pelo que desejo do modo como creio ser justo. Ser feliz é o que importa, seja com 10 ou 7,5.

terça-feira, 1 de julho de 2008

Estímulo

Em um restaurante de hospital:

- Oi Fulaninha, posso sentar pra almoçar contigo?

- Claro, professor.

- E então, já leu as artigos para a prova de amanhã? O que achou?

- Li sim, são bem interessantes.


(chomp chomp chomp)


- Ta difícil a prova. Bem difícil.


(chomp chomp chomp)


- Até mais, Fulaninha, te vejo no exame.





(tão estimulante!!!)