quinta-feira, 16 de julho de 2009

Amores e Desamores

Amor é um tema que, embora esgotado, nunca esgotará. Pode-se falar de amores novos, amores perdidos, amores passados, amores reconquistados, amores platônicos, amores doentios, amores correspondidos. Amores que são amores e até amores que não são, de fato, amores. Tudo depende do coração de quem ama. Ou de quem não ama.

Não acho que amor, aquele dito como verdadeiro, pra existir precise despertar taquicardia ou sudorese, nem sequer as tais borboletas no estômago. Não vejo relação de obrigatoriedade entre amar e deixar tudo de lado pelo amor, nem fazer planos intangíveis para o futuro, ou não consequir imaginar a vida bem vivida sem outrém. Amar não tem que, necessariamente, ser intenso e ensurdecedor. Amar pode ser reflexo da calmaria de um céu azul sem nuvens. Sem ventania, sem vendaval.

O amor em brisa proporciona que aqueles que amam e são amados possam sentir-se perdidos em um campo repleto de flores perfumadas, sob a luz do sol, sentindo o leve ar da primavera no rosto enrubecido. O amor nunca deve se parecer com uma sala trancada, escura e fria. Amar deve sempre ser na dose certa, se demais tritura, se de menos tortura. Não deve secar nem transbordar. Que apenas flua.

Já experimentei amores barulhentos, intensos e fugazes, bem com já caí nas graças do sentimento leve e silencioso, carregado pelo vento. Já amei e não fui amada, já fui amada e não amei. E, ao contrário do que muitas pessoas alegam de suas vidas, posso dizer com segurança que já fui verdadeiramente amada enquanto amei. Passados os amores porém não as dores, digo que sou uma pessoa de sorte. Sorte por ter tido a oportunidade de sentir. Porque sofrer também é sentir. E é preciso sentir para viver.

Amei verdadeiramente. Agora acabou, e o espaço em meu coração agora está reaberto para um, quem sabe, novo amor, recém nascido ou renascido. Assim como funciona para mim, o coração daqueles que um dia me amaram também encontrará um novo alguém por quem sofrer. Não acho que um amor que tenha tido começo e fim seja menos verdadeiro do que aqueles que duram para sempre. Até porque o "para sempre" é aquela coisa que sempre acaba, cedo ou tarde.

segunda-feira, 13 de julho de 2009

Malditos Seres Bem Resolvidos

Eu invejo tanto as pessoas que são solteiras bem resolvidas, ou casadas bem resolvidas, ou gordas bem resolvidas e ainda as amgras bem resolvidas. Em fim, tenho uma inveja colossal das pessoas que são simplesmente bem resolvidas. Isso porque eu não faço parte do grupo dos bem resolvidos. Quando emagreço fico magra demais, quando engordo fico gorda demais, quando estou solteira quero namorar, quando namoro quero ficar solteira. Ser a pessoa menos resolvida que eu conheço dói muito, não apenas em mim, mas também nas pessoas que me cercam. E isso faz com que eu sofra duplamente.

Quando eu vejo aquelas pessoas que são convictamente solteiras, daquelas que pegam e não se apegam, adeptas do "lavou ta novo", eu chego a chorar de raiva, delas e de mim mesma. Desde que eu me lembre eu sofro por alguém. Vale ressaltar que "desde que me lembre" compreende meados de 2004. De lá pra cá eu NUNCA estive sequer um dia sem pensar em alguém, sem desejar alguém, sem sofrer por alguém. Esses 'alguéns' até mudam, uns mais rápido, outros mais devagar, porém todos em algum momento são esquecidos e enterrados, alguns são revividos e então reapagados novamente. O foco, na verdade, não importa muito, a questão é que eu não me lembro de um período na minha vida no qual eu estivesse plenamente satisfeita com o que me cerca, bem resolvida gorda ou magra, feliz sem nenhum foco de sofrimento por alguém.

E falando em ser feliz como sou, ainda ontem, com a cara enfiada em um balde, estive pensando no que eu pensaria de mim mesma caso a Cristine de 6 meses atras encontrasse, assim bem casualmente, a Cristine de hoje. Cara em baldes à parte, eu jamais me imaginei ouvindo sertanejo, cantando junto e curtindo as letras de corno. Isso sem falar no cabelo (momentaneamente) liso e na blusa de oncinha. Desconsiderando o fato de que eu estava parecendo uma onça prenha, muita coisa mudou em mim. E quando digo que mudou não me refiro apenas ao acréscimo bizarro ao gosto musical, mas sim à identificação com a letra de muitas dessas músicas, às festas e a quase inacreditável independência. E apesar de todas essas mudanças, tem coisas que provavelmente não mudarão jamais, e aí sim eu me refiro à eterna falta de resolução que sempre me acompanha.

Sofrer é ruim, todavia pior ainda é saber que todos esses anos eu não sofri por alguém, eu sempre sofri por mim mesma, porque eu sempre precisei sofrer. Se alguém for perguntar se eu sofro por alguém agora, é mais que óbvio que a resposta será "sim". Tenho chorado, esperado por um calento que não vem, praguejado minha falta de amor próprio. E é exatamente essa a questão, a mim falta amor próprio, para estar bem com o peso que que tenho, ou para sentir-me feliz e conseguir aproveitar o que cada situação tem de melhor, seja namorando ou solteira. Será que pedir apenas para ser bem resolvida é querer demais? Pelo menos inveja ainda não mata...


sábado, 4 de julho de 2009

Abandono

Meu blog andava meio abandonado. Um mero reflexo de como andam quase todos os aspectos da minha vida. Abandonei alguns sonhos. Deixei de lado vários desejos. Escanteei até algumas pessoas. Menosprezei a mim mesma. E o que talvez doa mais, escondi de mim e em mim o que eu estava e ainda estou sentindo. E parando pra analisar mais a fundo, o que dói é exatamente isso, o quão abandonada por mim mesma eu estou.

Continuo tomando banho todo dia, passando creme no cabelo, e até passo lápis no olho, mesmo que vá ficar em casa. Ainda escolho a roupa que me deixe menos gorda e não abro mão da combinação de cores, mesmo que digam que combinar cinto com sapato é coisa fora de moda. O que significa que, quem passa por mim na rua pode até pensar "bah, que guria feia...", mas acoplado a esse pensamento virá "coitada, só nascendo de novo, porque nem a produção ajuda". O abandono não é visível, não é palpável, não é mensaurável. Todavia é real e doloroso.

E aí eu pergunto a mim mesma, por que eu me permito isso? Sim, porque ninguém além de mim controla as pessoas com as quais eu me relaciono, os beijos que dou, as carícias que recebo e o amor que permito-me sentir. Assim sendo, se sofro por alguém, a culpa é inteiramente minha. A responsabilidade é minha, pois eu que me permiti sofrer.

E assim, abandonada segue a minha vida, minha índole, meu carater, meu amor próprio e meu blog. Até quando? Quem sabe até alguém vir salvar-me de mim mesma. Talvez esteja aí meu erro primordial, esperar por alguém, quando na verdade eu, e somente eu, deveria bastar.