quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

Falta de Sorte

O mundo seria um lugar muito melhor se as coisas fossem feitas do meu jeito. Mas aí a negada resolve "fazer com que fique melhor pra todo mundo", e aí eu me fodo. Não to dizendo que só eu me fodo, mas eu me fodo também, com a diferença que repetidamente.

Abrindo a sessão "chorada de mágoas" (não ta afim fecha a página), fui sorteada pra fazer um plantão 24h na clínica do hospital escola. Claro que podia ser pior, porém os R$ 67,50 que vou receber não pagariam meu tempo nem que o hospital estivesse vazio e eu fosse lá APENAS dormir no ar condicionado. Sabe como é, feriado a gurizada gosta de mandar os doentes pra casa, o que se reflete em leitos vagos, o que gera internações. PS ta nem aí, quer é desovar. E desova. E eu recebo. E me fodo. E o ar condicionado? Ta la ligado... e eu no calor da enfermaria trabalhando. No carnaval. Por R$ 67,50 em 24h intermináveis horas.

Ta, até aí só azar. Azar que somado às 48h de plantão no hospício tornam-se extrema burrice. Pois é, atrasei uns plantões pra não matar aula, marquei no carnaval em prol da responsabilidade e... me fodi. Ná, 62h não é tão difícil assim, é?

Aí, quando eu penso que além de ter sido sorteada pro carnaval, eu já tinha sido sorteada pro último plantão da pediatria (extra, um a mais do que os colegas), já fiz o sábado da formatura da medicina e já fiz o Natal... só penso que se existe um deus ele me abandona nessas horas. Tá lá babando os ovos daqueles que não foram sorteados NENHUM dia.

E como se lidar com toda essa falta de sorte (dizer azar da azar), ainda tenho que ser simpática com colegas dizendo "que foda né, mas sorteio é sorteio, acontece" só me dá ainda mais vontade de comprar uma metralhadora, esconder no jaleco bem de canto e afogar as mágoas no gatilho. Mas eu não sei atirar nem to nos EUA, então só me resta engolir em seco e ser o mais simpática que eu conseguir. E olha que eu não sou nada simpática, nem faço questão.

Tenho mais sorte que juízo. Até porque quando alguém se mete na profissão que eu me meti conhecendo a sorte que tem, no caso a minha, não há prova maior de que o juízo morreu é de fome.

quarta-feira, 20 de janeiro de 2010

Efemeridades

Existem coisas nessa vida em que um dia a gente está, e, sem período adaptativo, logo no dia seguinte, a gente já não está mais. Vivo é um bom exemplo dessas coisas. Talvez nem tão bom assim, afinal tem muita gente por aí que passa em processo de morte por um longo período, mais tempo até que propriamente vivo, diga-se de passagem. E olha que não estou nem levando em consideração o lado filosófico que essa coisa toda de vivo e morto pode ter.

Outro bom exemplo é grávida. O ponto positivo é que para período de adaptação as pessoas comumente tem nove meses, excetuando-se, é claro, aquelas que "descobrem" a gestação com uns meses de atraso. Isso é para ninguém duvidar dos poderes da negação. Ou da oligofrenia. Entretanto, ao contrário do primeiro exemplo, prenhez é reversível, de modos naturais ou talvez não tão naturais assim. De novo não se leva em conta a filosofia da questão.


E da morte ao nascimento (ou vice-versa), o mais fiel exemplo da lista de efemeridades da vida (mas não da falta dela), é a por vezes inominada paixão. Tão doce, intempestiva, cruel e efêmera paixão, quão mais retilíneos porém menos floridos seriam nossos caminhos sem a presença daquela que pode ser a maior dádiva ou o pior castigo da vida de alguém. E como vendaval de verão, é coisa que vem sem avisar, devasta por onde passa e quando se vê já foi, deixando um rastro de destruição.


Poesia à parte, estar apaixonado é bem coisa de momento, hoje a gente está, amanhã já não está mais. E, para os corações aflitos, uma boa notícia, o inverso também é verdadeiro. Uma imensidão abandonada em um coração carente pode ser preenchida num piscar, e toda aquela solidão e encalhamento podem metamorfosear-se em uma belíssima e encantadora história de amor. Parágrafo bem emo esse, porém a idéia todo mundo entendeu, né?


A gente só não pode esquecer que tudo, absolutamente tudo tem seu respectivo fim. A começar pela gravidez, também o encalhamento (ufa!), e, é claro, paixão. No fim das contas tudo é coisa de momento, a grande diferença é que uns momentos duram mais, outros apenas parecem durar eternamente. Claro que não pra viver esperando sempre o fim, todavia também é inconcebível que se viva como se a eternidade fosse logo ali. O final é, de fato, sempre presente e sempre igual, tudo vira pó. Ou petróleo.

quinta-feira, 14 de janeiro de 2010

'Cadmia'

Ei que, passados exatos nove dias do dia que entrei para a academia... eu continuo na academia. Ate então nao malhei três dias. Dois deles eu estava de plantão e o terceiro era domingo. Pra quem não me conhece, faça cara de "ohhhh" pois esse é um fato surpreendente. Explico: a preguiça reina meu corpo e domina minha rotina, e, inusitadamente, pela primeira vez na vida minha bunda de gelatina me encomoda mais que o suor escorrendo nas costas. Então to na academia e não pretendo sair tão cedo.

É bem verdade que ainda não comecei a liberar endorfinas com esse tipo de estímulo, mas tudo é uma questão de tempo, né? Também não notei nenhum resultado, dizem que com dois meses já dá pra notar, de modo que até eu consigo assimilar que querer mudanças com 6 dias é desejar alto demais. No que tange à dieta, é melhor deixar pra lá... uma mudança de cada vez, sorvete com cobertura e balinhas é tão bom né? Mas eu até comprei gelatina...

Nesse período de marombação já percebi algumas peculiaridades da vida de academia, uma delas é que basicamente dois tipos de pessoas malham: os marombeiros e as gordinhas. Falando em marombeiros, mais bizarro que ir pra academia de bermuda jeans e havaianas é malhar só membro superior. Canela fina definitivamente não combina com costas largas. Morro de vontade de dizer pra esses caras que ser todo magrelo é muito melhor, porém não quero arriscar conhecer a força daqueles braços de perto. Vai saber. Hormônios né.

Falando em gordinhas, só tem uma coisa que me deprime mais que ver uma gordinha suando a camiseta, que é ver uma gostosa puxando ferro. É um misto de inveja com desestímulo, afinal eu tenho a clara certeza de que nunca vou ficar sarada e definida e durinha que nem algumas delas... e pra essa intempérie nem a futura lipo me salva. Aí eu penso que foram só seis dias e sonho ainda ter esperança. Mas sabe como é, resoluções de fim de ano nunca duram muito tempo, 9 dias é um recorde.

E aí diariamente eu to lá, suada, vermelha, cabelo arrepiado, ofegante e com as gurdurinhas em evidência. Toda vez que caminho na esteira penso no quão semelhante é a situação com um rato de laboratório, com a diferença que eu não colaborando para um bem maior e ainda to pagando. Aliás, acho que só pretendo continuar porque to pagando e é do meu bolso que ta saindo o dinheiro. Chegados, então, os ferros a serem puxados e empurrados, não consigo não pensar no quão ingrata é a situação de pagar pra passar trabalho. Entretanto disseram que vou ficar gostosa, aí eu paro de pensar e me limito a contar.

Um, dois, três... interminavelmente até o quinze. Aí descanso esbaforidamente. Aí eu começo tudo de novo. E aí mais uma vez. E aí eu troco o aparelho e tudo se repete. Sem preconceito, mas é uma atividade um tanto quanto oligofrênica, e ainda assim eu sou fã de me perder nas contas. Mas o pior mesmo é a humilhação, e não venham me dizer "ah, no começo é assim mesmo" porque não conseguir completar a série no peso mínimo do aparelho não é normal. Nem pra principiantes.

Humilhações à parte, volto pra casa toda molhadinha, aguentando todo o dolorimento só para no dia seguinte fazer tudo de novo. Feliz e realizada, parte por endorfinas, parte por esperança de melhorar algo que encomoda e finalizando com a sensação de força de vontade aprimorada, por mais um dia sem fraquejar. Quanto ainda vai durar eu não sei, mas academia é como quase tudo na vida, um dia de cada vez. E de dia em dia a gordura vai e a gostosura vem.

Né?

sábado, 2 de janeiro de 2010

2010 motivos para continuar

Desde o primeiro dia eu sabia que 2009 seria um ano de mudanças. Quanto a 2010, desde agora digo que será um ano de manutenção. Mais que manutenção, pelo menos para mim será um ano para dar continuidade e seguir a trilha das curvas feitas em 2009. Não vai ser um ano de guinadas, é chegado o momento de engatar a quinta e seguir em frente.

Dois mil e nove foi um ano dolorido, portanto, pela primeira vez em pelo menos 10 anos, este janeiro não relerei meus escritos pessoais e decididamente não farei um retrospecto das grandes (e das não tão grandes) emoções vividas no ano que findou. Muito pelo contrário, hoje o que eu quero é focar-me nos objetivos futuros e, muito mais que fazer promessas de fim de ano, quero estabelecer metas e grandiosamente cumpri-las dentro do prazo estabelecido. Pra isso 2009 me serviu, aprendi que sonhar é muito bom, todavia sem os pés no chão não se chega a lugar nenhum.

Pra começo de conversa, decidi entrar pra academia, emagrecer, endurecer e quem sabe até melhorar a alimentação. Nada grandioso como perder 10 Kg em um mês (hihihi), mas quem sabe melhorar um pouco a qualidade de vida e voltar a caber nas minhas calças do ano passado. Também decidi usar protetor solar diariamente, não dormir sem tirar a maquiagem e, a mais grandiosa das metas, usar os benditos cremes para a pele TODOS OS DIAS. Não é exatamente futilidade, mas uma questão de se cuidar, afinal minha mãe não se preocupa mais se eu escovo os dentes depois de cada refeição ou não.

Também decidi não falar tanto palavrão. Claro que eu tenho plena noção de que não tenho capacidade de reprimir o "PUTA QUE PARIU" quando bato o dedinho no canto da mesa, entretanto sei que sou capaz de parecer uma menina fina e educada pelo menos em público. Final do ano vou ser doutora né, e doutoras são chiques, vestem-se bem e não falam palavrão. Convenci?

Falando em ser doutora, também decidi que é chegada a hora de estudar. Bem que eu gostaria de passar na prova de residência e já iniciar a formação específica sem perda de tempo, todavia não confio muito no meu potencial de decorar conceitos para uma prova sem ajuda de um curso preparatório e ainda conseguir desempenhar com maestria meu papel de doutorando, se é que doutorando tem papel. Desde que eu me forme com razoáveis conhecimentos de medicina já dou-me por satisfeita. E, infelizmente, pra chegar no nível de razoável, preciso estudar muito.

Finalizando, não tenho muitos projetos ou planos nos campos familiar e amoroso. Quem sabe consiga visitar minha família com mais frequencia, almejo até algumas saídas com meus irmãos e mais momentos de paz e chimarrão com meus pais. Quanto ao futuro namorado que estará comigo na minha recepção de formatura, não tenho lá tanta certeza de que o Moisés tenha acertado essa previsão, afinal, ninguém vai se dedicar a alguém que não quer se dedicar reciprocamente. Mas sabe-se lá que tipo de surpresas o ano não reserva.

Sem mais, espero que o novo ano seja, de fato, novo, com muito mais que 2010 motivos para continuar o caminho, brilhante e feliz. Tudo novo de novo, como cada dia que nasce novo em cada amanhecer.