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sábado, 2 de maio de 2009

Tapas da Vida

Fazendo um retrospecto mental dos meus últimos anos (e com isso lê-se 5), percebi que eu estava enganada em muitos aspectos. E digo 'muitos' com uma sensação um tanto quanto eufêmica, porque 'todos' (pelo menos os importantes) seria mais de acordo com a realidade.

Eu era muito bitolada. Ainda sou, é bem verdade. Entretanto creio estar paulatinamente conseguindo livrar-me dessas correntes de descrença que me prendem. Sendo mais específica, eu tinha um seleto grupo de amigos:



E esses amigos foram intensamente meus pelos aproximados 3 anos que durou meu ensino médio. Desentendimentos à parte, meus poucos e bons supriam totalmente minha necessidade de amizade e eu, adolescente, sentia que aquela confortável e estável situação jamais mudaria. Eis que veio a formatura, seguida do vestibular, e então o início da faculdade.

Iniciei a faculdade sentindo-me plena de amigos. E eu ainda namorava na época, estável, perdidamente apaixonada. O que significa que eu não me permiti encontrar novos amigos no novo ambiente que estava inserindo-me. O que me faz pensar em uma pesquisa recentemente publicada, a respeito do número máximo de amigos que uma pessoa pode ter, em que fica comprovado que o cérebro humano só consegre relacionar-se com um número X de pessoas. Faz sentido. Pois bem, apesar de toda a minha plenitude, comecei a relacionar-me, ainda que superficialmente, com algumas pessoas com quem encontrei mais afinidade:




Qual não é a minha surpresa quando a tal da amizade não dá la muito certo e a decepção tras a mim lembranças de decepções antigas regadas a intermináveis rios de lágrimas. Aceitado o tombo, retomei a posição ereta (sem malícia) e dei continuidade a meus passos, certa de que havia aprendido a lição: as pessoas não são confiáveis, logo, não confie em ninguém.

A vida seguiu seu rumo. Para mim e para todo mundo. O que significa que meu estável grupo de amigos dissolveu-se (fisicamente, não a amizade em si, entretanto um amigo longe não cumpre o papel de amigo com maestria, por mais amigo que seja). E aí eu deparei-me com a seguinte situação: amigos verdadeiros longes, ferida com falsas amizades (talvez chamar assim seja forte, mas na época foi o que senti) e desacreditada da possibilidade de novos amigos. Foi um período deveras complicado.

Eis, então, que devagarinho, como quem não quer nada, duas pessoinhas conquistaram o meu coração:

Se eu dissesse que por muito tempo não acreditei na fidelidade delas, estaria mentindo. Duvidei. E duvidei muito. Nesse ínterim devo ter até destratado muitas vezes. E ainda assim elas confiaram em mim, permitiram minha entrada em suas vidas, dedicaram a mim a mais sincera amizade. Decidi permitir-me confiar nelas, de carater extraordinário, de exceção. Continuei paranóide. Delirante, até, se bobear. Manti-me desacreditada. Plenamente descrente quanto a possibilidade de encontrar sinceridade em meu habitat.

E então, num piscar de olhos, deparei-me com a seguinte situação: morando sozinha, solteira, carente e com uma enorme sensação de solidão, poucos amigos, desconfiada, descrente. Que período bem difícil. Justamente nesse momento de dificuldade que a vida novamente estapeou-me o rosto e provou que eu estava errada. De novo. Nesses momentos difíceis e de choro fácil, duas pessoas, em especial, conquistaram seu lugar no meu coração e mostraram que é possível conhecer novas e boas pessoas, e que, embora o lugarzinho dos velhos esteja sempre reservado, novos e bons podem vir. E eles vêm mesmo. No caso, elas:




E depois de tanto tempo bloqueando-me e prendendo-me, algumas pessoas conseguiram libertar-me das minhas próprias correntes e provar que fidelidade é rara sim, mas ela existe. E que por mais sozinha que eu me sinta, eu tenho a quem ligar as 2h da madrugada simplesmente para chorar no ouvido de alguém, sem receber cobranças de volta, apenas o desejo de que a recíproca seja verdadeira. E sabe, depois de muito tempo, eu posso dizer que ela é. De verdade.

Nesse pequeno espaço de tempo também aprendi que amigos de verdade, no mais amplo sentido que a expressão pode ter, são raros, muito raros, exatamente por isso devemos lutar com unhas e dentes pelos que temos. O valor disso é imensurável. Entretanto, parceiros para festa existem aos montes, e já que não podemos ter crises matutinas de choro no ombro destes, então aproveitemos o que de bom eles tem a nos oferecer. A começar pelas aulas de como chupar:


Ou como fazer uma pose engraçadíssima, fazendo parecer que todo mundo quer morfar quando a idéia era só fazer "X":

Ou ainda ser plenamente retardado e sem culpa sobre a mureta do prédio da faculdade:

Ou toda a maestria de propor uma foto com pose de popozudas e não entrar na brincadeira (e obviamente não avisar esse pequeno detalhe):

Ou simplesmente cantar sem motivo, ser feliz sem motivo. Cantar na chuva, mesmo sem chuva:


Em fim, nesses últimos 5 anos tives muitas certezas na vida. E essas certezas mostraram-se falsas, todas elas. Confiei quando não deveria confiar, não acreditei quando podia acreditar, entreguei-me quando não deveria entregar, não me dediquei quando precisava dedicar-me. Errei e muito aprendi. Aprendi a me divertir, seja com quem for, até porque se alguém que perde a tua agenda vira a amiga mais querida do teu coração, por que um parceiro de festa não pode revelar-me uma pessoa de incrível valor a amizade?

Hoje não mais me iludo achando que tenho certezas. Quem garante que daqui 5 não anos não estarei relendo o que hoje escrevo e pensando como pude enganar-me tanto? Novamente? Até porque de todas as vezes que pensei ter encontrado todas as respostas, mudaram todas as perguntas.

terça-feira, 28 de outubro de 2008

O hospício e Eu!

A meus queridos leitores, já aviso que o seguinte texto trata-se de medicina, mais especificamente hospício, mais especificamente ainda eu e o hospício e as pessoas do hospício. Para ajudar a evitar leituras entediantes sobre assuntos desinteressantes, sabem como é. Essa coisa de assuntos mais abordados 'ta em alta ultimamente, e a última coisa que quero são comentários vazios sobre um tema pouco interessante aos olhos de alguém. Por que eu não fecho o livro de comentários, então? Porque eu sempre gosto de receber comentários. Quem não gosta, não é? Ah, a audiência...

Mas onde eu estava mesmo? Ah, é... redação de volta às aulas, hospício e eu. Pois bem, pensando retrospectivamente desde aquele 02 de novembro de 2007 às 20:00, vejo como as coisas mudaram. E como as coisas não mudaram. A ala dos dependentes químicos continua abarrotada, é verdade. Assim como o crack continua a proliferar, marginais continuam a nos procurar e rebeliões continuam a se formar. Alguns ainda batem com a cabeça na parede, ainda masturbam-se em público, ainda choram aparentemente sem razão. Outros ainda tentam sacrificar seus filhos, ainda marcam encontros com amigos imaginários, ainda tentam tirar sua própria vida. Muita coisa nos arredores do hospício não mudou. E, sinceramente, não creio que venha a mudar.

Mas muita coisa mudou também. Mudou principalmente em mim. Eu sou mais dura e mais madura. Não compadeço de qualquer choro, não encaro qualquer pedido e não acredito em qualquer desculpa. Não mais sinto-me dimiuída, não mais tenho medo, não engulo desaforos. Muito aprendi e tudo devo às lições que pude tirar lá daqueles corredores escuros e quartos fedorentos cujas paredes conheces histórias que até esculápio duvida. Quem diria, feios também amam, loucos também... bem... deixa isso para uma próxima edição.

É, era só isso que eu tinha a dizer sobre 'o hospício e eu'. Bem que eu gostaria de poder fazer uma cartinha de agradecimento a todas as pessoas legais que eu conheci por lá, mas não é bem algo em tom de despedida que eu procuro, então deixa para a próxima. Quem sabe?

E de resto tudo segue numa boa, marcando o ritmo com os ponteiros do relógio. E a cada segundo que passa, e todos eles passam, mais idéias tenho a respeito de que coisas interessantes posso postar no meu blog. Fantasia entremeadas de indisposição a unir palavras harmonicamente. O cansaço destrói vidas... e blogs.