Fazendo um retrospecto mental dos meus últimos anos (e com isso lê-se 5), percebi que eu estava enganada em muitos aspectos. E digo 'muitos' com uma sensação um tanto quanto eufêmica, porque 'todos' (pelo menos os importantes) seria mais de acordo com a realidade.
Eu era muito bitolada. Ainda sou, é bem verdade. Entretanto creio estar paulatinamente conseguindo livrar-me dessas correntes de descrença que me prendem. Sendo mais específica, eu tinha um seleto grupo de amigos:

E esses amigos foram intensamente meus pelos aproximados 3 anos que durou meu ensino médio. Desentendimentos à parte, meus poucos e bons supriam totalmente minha necessidade de amizade e eu, adolescente, sentia que aquela confortável e estável situação jamais mudaria. Eis que veio a formatura, seguida do vestibular, e então o início da faculdade.
Iniciei a faculdade sentindo-me plena de amigos. E eu ainda namorava na época, estável, perdidamente apaixonada. O que significa que eu não me permiti encontrar novos amigos no novo ambiente que estava inserindo-me. O que me faz pensar em uma pesquisa recentemente publicada, a respeito do número máximo de amigos que uma pessoa pode ter, em que fica comprovado que o cérebro humano só consegre relacionar-se com um número X de pessoas. Faz sentido. Pois bem, apesar de toda a minha plenitude, comecei a relacionar-me, ainda que superficialmente, com algumas pessoas com quem encontrei mais afinidade:

Qual não é a minha surpresa quando a tal da amizade não dá la muito certo e a decepção tras a mim lembranças de decepções antigas regadas a intermináveis rios de lágrimas. Aceitado o tombo, retomei a posição ereta (sem malícia) e dei continuidade a meus passos, certa de que havia aprendido a lição: as pessoas não são confiáveis, logo, não confie em ninguém.
A vida seguiu seu rumo. Para mim e para todo mundo. O que significa que meu estável grupo de amigos dissolveu-se (fisicamente, não a amizade em si, entretanto um amigo longe não cumpre o papel de amigo com maestria, por mais amigo que seja). E aí eu deparei-me com a seguinte situação: amigos verdadeiros longes, ferida com falsas amizades (talvez chamar assim seja forte, mas na época foi o que senti) e desacreditada da possibilidade de novos amigos. Foi um período deveras complicado.
Eis, então, que devagarinho, como quem não quer nada, duas pessoinhas conquistaram o meu coração:
Se eu dissesse que por muito tempo não acreditei na fidelidade delas, estaria mentindo. Duvidei. E duvidei muito. Nesse ínterim devo ter até destratado muitas vezes. E ainda assim elas confiaram em mim, permitiram minha entrada em suas vidas, dedicaram a mim a mais sincera amizade. Decidi permitir-me confiar nelas, de carater extraordinário, de exceção. Continuei paranóide. Delirante, até, se bobear. Manti-me desacreditada. Plenamente descrente quanto a possibilidade de encontrar sinceridade em meu habitat.
E então, num piscar de olhos, deparei-me com a seguinte situação: morando sozinha, solteira, carente e com uma enorme sensação de solidão, poucos amigos, desconfiada, descrente. Que período bem difícil. Justamente nesse momento de dificuldade que a vida novamente estapeou-me o rosto e provou que eu estava errada. De novo. Nesses momentos difíceis e de choro fácil, duas pessoas, em especial, conquistaram seu lugar no meu coração e mostraram que é possível conhecer novas e boas pessoas, e que, embora o lugarzinho dos velhos esteja sempre reservado, novos e bons podem vir. E eles vêm mesmo. No caso, elas:


E depois de tanto tempo bloqueando-me e prendendo-me, algumas pessoas conseguiram libertar-me das minhas próprias correntes e provar que fidelidade é rara sim, mas ela existe. E que por mais sozinha que eu me sinta, eu tenho a quem ligar as 2h da madrugada simplesmente para chorar no ouvido de alguém, sem receber cobranças de volta, apenas o desejo de que a recíproca seja verdadeira. E sabe, depois de muito tempo, eu posso dizer que ela é. De verdade.
Nesse pequeno espaço de tempo também aprendi que amigos de verdade, no mais amplo sentido que a expressão pode ter, são raros, muito raros, exatamente por isso devemos lutar com unhas e dentes pelos que temos. O valor disso é imensurável. Entretanto, parceiros para festa existem aos montes, e já que não podemos ter crises matutinas de choro no ombro destes, então aproveitemos o que de bom eles tem a nos oferecer. A começar pelas aulas de como chupar:

Ou como fazer uma pose engraçadíssima, fazendo parecer que todo mundo quer morfar quando a idéia era só fazer "X":
Ou ainda ser plenamente retardado e sem culpa sobre a mureta do prédio da faculdade:
Ou toda a maestria de propor uma foto com pose de popozudas e não entrar na brincadeira (e obviamente não avisar esse pequeno detalhe):
Ou simplesmente cantar sem motivo, ser feliz sem motivo. Cantar na chuva, mesmo sem chuva:

Em fim, nesses últimos 5 anos tives muitas certezas na vida. E essas certezas mostraram-se falsas, todas elas. Confiei quando não deveria confiar, não acreditei quando podia acreditar, entreguei-me quando não deveria entregar, não me dediquei quando precisava dedicar-me. Errei e muito aprendi. Aprendi a me divertir, seja com quem for, até porque se alguém que perde a tua agenda vira a amiga mais querida do teu coração, por que um parceiro de festa não pode revelar-me uma pessoa de incrível valor a amizade?
Hoje não mais me iludo achando que tenho certezas. Quem garante que daqui 5 não anos não estarei relendo o que hoje escrevo e pensando como pude enganar-me tanto? Novamente? Até porque de todas as vezes que pensei ter encontrado todas as respostas, mudaram todas as perguntas.
Eu era muito bitolada. Ainda sou, é bem verdade. Entretanto creio estar paulatinamente conseguindo livrar-me dessas correntes de descrença que me prendem. Sendo mais específica, eu tinha um seleto grupo de amigos:

E esses amigos foram intensamente meus pelos aproximados 3 anos que durou meu ensino médio. Desentendimentos à parte, meus poucos e bons supriam totalmente minha necessidade de amizade e eu, adolescente, sentia que aquela confortável e estável situação jamais mudaria. Eis que veio a formatura, seguida do vestibular, e então o início da faculdade.
Iniciei a faculdade sentindo-me plena de amigos. E eu ainda namorava na época, estável, perdidamente apaixonada. O que significa que eu não me permiti encontrar novos amigos no novo ambiente que estava inserindo-me. O que me faz pensar em uma pesquisa recentemente publicada, a respeito do número máximo de amigos que uma pessoa pode ter, em que fica comprovado que o cérebro humano só consegre relacionar-se com um número X de pessoas. Faz sentido. Pois bem, apesar de toda a minha plenitude, comecei a relacionar-me, ainda que superficialmente, com algumas pessoas com quem encontrei mais afinidade:

Qual não é a minha surpresa quando a tal da amizade não dá la muito certo e a decepção tras a mim lembranças de decepções antigas regadas a intermináveis rios de lágrimas. Aceitado o tombo, retomei a posição ereta (sem malícia) e dei continuidade a meus passos, certa de que havia aprendido a lição: as pessoas não são confiáveis, logo, não confie em ninguém.
A vida seguiu seu rumo. Para mim e para todo mundo. O que significa que meu estável grupo de amigos dissolveu-se (fisicamente, não a amizade em si, entretanto um amigo longe não cumpre o papel de amigo com maestria, por mais amigo que seja). E aí eu deparei-me com a seguinte situação: amigos verdadeiros longes, ferida com falsas amizades (talvez chamar assim seja forte, mas na época foi o que senti) e desacreditada da possibilidade de novos amigos. Foi um período deveras complicado.
Eis, então, que devagarinho, como quem não quer nada, duas pessoinhas conquistaram o meu coração:
Se eu dissesse que por muito tempo não acreditei na fidelidade delas, estaria mentindo. Duvidei. E duvidei muito. Nesse ínterim devo ter até destratado muitas vezes. E ainda assim elas confiaram em mim, permitiram minha entrada em suas vidas, dedicaram a mim a mais sincera amizade. Decidi permitir-me confiar nelas, de carater extraordinário, de exceção. Continuei paranóide. Delirante, até, se bobear. Manti-me desacreditada. Plenamente descrente quanto a possibilidade de encontrar sinceridade em meu habitat.E então, num piscar de olhos, deparei-me com a seguinte situação: morando sozinha, solteira, carente e com uma enorme sensação de solidão, poucos amigos, desconfiada, descrente. Que período bem difícil. Justamente nesse momento de dificuldade que a vida novamente estapeou-me o rosto e provou que eu estava errada. De novo. Nesses momentos difíceis e de choro fácil, duas pessoas, em especial, conquistaram seu lugar no meu coração e mostraram que é possível conhecer novas e boas pessoas, e que, embora o lugarzinho dos velhos esteja sempre reservado, novos e bons podem vir. E eles vêm mesmo. No caso, elas:
E depois de tanto tempo bloqueando-me e prendendo-me, algumas pessoas conseguiram libertar-me das minhas próprias correntes e provar que fidelidade é rara sim, mas ela existe. E que por mais sozinha que eu me sinta, eu tenho a quem ligar as 2h da madrugada simplesmente para chorar no ouvido de alguém, sem receber cobranças de volta, apenas o desejo de que a recíproca seja verdadeira. E sabe, depois de muito tempo, eu posso dizer que ela é. De verdade.
Nesse pequeno espaço de tempo também aprendi que amigos de verdade, no mais amplo sentido que a expressão pode ter, são raros, muito raros, exatamente por isso devemos lutar com unhas e dentes pelos que temos. O valor disso é imensurável. Entretanto, parceiros para festa existem aos montes, e já que não podemos ter crises matutinas de choro no ombro destes, então aproveitemos o que de bom eles tem a nos oferecer. A começar pelas aulas de como chupar:

Ou como fazer uma pose engraçadíssima, fazendo parecer que todo mundo quer morfar quando a idéia era só fazer "X":
Em fim, nesses últimos 5 anos tives muitas certezas na vida. E essas certezas mostraram-se falsas, todas elas. Confiei quando não deveria confiar, não acreditei quando podia acreditar, entreguei-me quando não deveria entregar, não me dediquei quando precisava dedicar-me. Errei e muito aprendi. Aprendi a me divertir, seja com quem for, até porque se alguém que perde a tua agenda vira a amiga mais querida do teu coração, por que um parceiro de festa não pode revelar-me uma pessoa de incrível valor a amizade?
Hoje não mais me iludo achando que tenho certezas. Quem garante que daqui 5 não anos não estarei relendo o que hoje escrevo e pensando como pude enganar-me tanto? Novamente? Até porque de todas as vezes que pensei ter encontrado todas as respostas, mudaram todas as perguntas.