domingo, 3 de fevereiro de 2013

Lar Doce Lar

Voltar pra casa. Deve ser uma sensação e um sentimento maravilhosos, de fato. Pelo menos quando a gente tem algo que pode chamar e amar como casa.


Eu tenho uma casa. Mais de uma, até. Pessoa de sorte que sou, tenho até um lar. Quem, hoje em dia, pode encher o peito pra dizer que tem algo para realmente chamar de lar? O problema é que eu não moro no meu lar.


Meu lar é, e talvez sempre vá ser, o lar da minha família, o lar da minha mãe. Demorei para aprender essa lição, entretanto família é a coisa mais chata e ao mesmo tempo mais maravilhosa que a gente tem na vida. São eles que tornam inesquecíveis momentos como formatura e churrasco de domingo. São o alicerce de tudo. 

E foi junto à minha família, no meu lar, que passei meus últimos 34 dias, os mais felizes de que tenho memória. Hoje voltei pra casa. Uma casa vazia do que realmente importa, encardida, com plantas sofridas pela minha ausência e com um parasita metido a "hipster" e ingrato grudado nos meus móveis. Voltei pra uma vida de correria, falta de sono, intriga, ingratidão, mentira e "back stabs". Voltei pra casa.

Sentada no banco do carona do carro, vendo ficar para trás por tempo indeterminado meu lar e minha cidade natal, chorei. Chorei ao lado do cachorro que também estava voltando para casa, e que também preferia ter ficado no nosso lar. Chorei, solucei, praguejei e então me recompus. Recompus a paciência, a cara de pau e o cinismo para voltar e terminar o que havia ficado pendente pelo tempo obrigatório que ainda resta cumprir.


Força, falta pouco. Falta pouco para voltar para o lar e viver pelo tempo que der com amor, felicidade e churrascos de dias quaisquer. E aí, quem sabe, eu consiga finalmente voltar a ter uma casa que, coincidentemente ou não, é também o meu lar.