domingo, 22 de novembro de 2009

Manda um "y", aí.

Não, eu não sou lésbica, mas também não faço a mínima questão de esconder (bem pelo contrário, aliás) que se eu tivesse tido a chance de escolher qual o bendito cromossomo que iria fazer par ao "x" da mamãe, eu teria escolhido um másculo e poderoso "y".

Claro que vagina e peitos tem lá suas vantagens, não nego, mas eu, francamente, daria o cu pra poder voltar atras e nascer com um tico, e nem precisava ser um tico grande. Aí vai vir um cretino metido a espertinho e mandar eu fazer uma operação de mudança de sexo. Tirando o fato de que eu seria gay (de tanto que eu detesto buceta), talvez se essa idéia tivesse sido dada pra minha mãe, algo tipo 22 anos antes, eu não me oporia. O problema é que agora eu já fui criada pra ser mulherzinha, e a grande verdade é que o que me incomoda MESMO em ter ovários, não é exatamente o ovário, mas essa cacetada toda de hormônios que ele produz somado aos inconcebíveis pensamentos intrinsicamente femininos.

Pensem comigo, só o fato de não mesntruar, poder ser pai sem sofrer, não ter relevância a ação da gravidade sobre os peitos e poder fazer xixi não importa o quão imundo esteja o banheiro já são vantagens que superam (quase) todas as ditas vantagens femininas. Quando começo a pensar nas vantagens sociais, então, tenho vontade de espancar o filho da puta que inventou a tal diferença entre os sexos, e só tenho mais certeza de que 'justiça' é a maior piada da nossa existência patética.

Acham que eu to exagerando? Pois aposto que alguém aí ja pensou "que feio, menina falando tanto palavrão". Piça pra vocês. Falo palavrão mesmo, nem tô. Mas se eu fosse homem isso seria normal e, mais que isso, esperado, viado seria eu se NÃO falasse. Tomar no cu mesmo. Sem contar que sempre tem mulher pra gostar de um feinho simpático pra ser só dela, homem só come se for gostosa, e só pensa em algo mais se o sexo for bom, quando pensa.

Outra coisa, homem solteiro aos 35 é opção, mulher solteira ao 35 é encalhada. Homem que pega geral é garanhão, mulher é puta. Bunda de homem não interfere na vida profissional. Cabelos grisalhos pro homem é charme. A velhice torna os homens experientes e as mulheres fofoqueiras. Homem engorda e fica simpático, mulher engorda e fica gorda. Homem pode pensar em sexo o tempo todo, além de que querer comer todo mundo é normal. Homem quando leva um fora pra partir pra outra só precisa de uma bunda (ou peitos) dando sopa no local. E, é claro, comprar camisinhas é honrado, jamais constrangedor.

Falando da sociedade feminina em particular, homens não precisam se preocupar em estar mais bonitos e arrumados que outros homens, ninguém vai reparar neles. Homem não precisa ficar maquinando sobre quem pode estar falando mal dele nesse exato momento. Amigo sempre respeita namorada de amigo. Cinismo é opcional, mas um soco sempre resolve de um modo muito mais adequado a situação. Ah, o que eu não daria pra poder distribuir uns socos por aí.

Eu ficaria até amanhã listando vantagens, mas infelizmente não posso, tenho que ir lá trocar o absorvente, retocar a maquiagem e discretamente fugir de uma cara chato que não larga do meu pé, enquanto o carinha que eu queria pegar ta lá, bem faceiro, tentado pegar aquela insossa. Aí eu volto pra casa sozinha, com aquela sensação de vazio, querendo dar o cu em troca de um mísero abraço.

Não apenas o cu, mas o que eu não daria para poder vestir as calças e ser feliz sem preocupação com detalhes. Se é que me fiz entender.

sexta-feira, 6 de novembro de 2009

Eu me Basto

Ninguém precisa queimar meu filme, afinal é como eu sempre digo, eu me basto. E me basto plenamente, para quase qualquer coisa. Só não sei cozinhar. Todavia antes que minha prolixidade inata leve à fuga do tema, vou fazer o que vim aqui pra fazer, e que ninguém pode fazer por mim (e não é xixi).

Em fim, no meio de todo aquele tédio repleto de coisas para se fazer que no fim não se faz nada, recebi (e li, o que é mais surpreendente) um e-mail, desses de bobagem, com uma lista de coisas imbecis que as pessoas comumente fazem. Baseada nas respostas da pessoa que mandou o e-mail (cuja identidade será mantida em sigilo para a proteção da mesma), percebi que eu sou muito, mas muito imbecil. E como parte da minha imbecilidade é saber dar risada da minha própria cara, decidi fazer uma lista pessoal e, sabem como é, compartilhar com outrém a alegria de rir de mim mesma.

Não que rir de alguém que faz idiotices que todo mundo faz seja engraçado, a questão é quando muitas idiotices vem juntas. Até porque, sejam sinceros comigo, quem nunca tentou encostar a língua no cotovelo? Eu já, e não consegui. Não se sinta idiota por estar tentando agora, ok?

E o fato de eu ja ter perdido o chiclete da boca em meio a um discurso provavelmente infundado não é tão anormal, é? E nem vem que eu não falo demais. Não mesmo. Juro. E só porque eu já me engasguei com a minha própria saliva porque não deu tempo de engolir não significa que to errada, né? Engasgar com chiclete acho que nem se fala. E anormal é quem nunca engasgou com as balas soft, fala sério (desenterrei a bala soft... to ficando velha).

Deixando as engasgadas de lado, atire a primeira pedra quem nunca acenou para alguém na rua sem que esse alguém fosse o alguém que tu pensaste que fosse. Maior vergonha o abano no vácuo. E por falar em vácuo, beijar erroneamente a boca de alguém ao cumprimentar é bem desagradável, quase tanto quanto fazer menção do terceiro beijo (pelotenses...) e ficar com o biquinho não correspondido. Dou a dica "3 pra casar, to encalhada, preciso de ajuda" quase sempre melhora o clima e a vergonha vira piada, quando a piada mesmo é somente tu.

As besteiras que fazemos no sono deveriam ser perdoadas, poxa, eu já dei de cara em algo invisível quando tentava ir fazer aquele xixi madrugadal, assim como já caí da cama (e no meu caso foi muito mais idiota, caí do andar de cima do beliche). Seguidamente acordo babada e não raras são as vezes que acordo achando que estou caindo. Todo mundo já passou por isso. Né?!?

Eu também já mandei mensagem de texto para a pessoa errada, assim como já liguei para o número errado também. Não satisfeita, liguei duas vezes consecutivamente para o (mesmo) número errado. Já pensei em algo muito mais muito engraçado que só eu sabia o que era, dei muita risada sozinha e no fim não consegui explicar a graça pra ninguém. Eles não entenderia, afinal. Freud deve explicar. Espero que também explique por que eu já chamei a professora de "mãe" e, principalmente, por que é tão comum eu dar risada com a boca cheia do que quer que seja e acabar cuspindo tudo. Não maliciem, ta gente?

E pra finalizar, na sessão "não tão idiota, mas o Alzheimer gostosão ta me pegando", já calcei o sapato esquedo no pé direito, e ainda não entendi o desconforto. Já vesti a roupa do avesso e sequer me prestei pra achar a costura estranha. Já saí na rua com a etiqueta do preço anexada à roupa, óbvio que era promoção. Já coloquei sal no café, mas a culpa eram dos potes mal identificados, juro. Já tentei servir bebida com a tampa da garrafa fechada, assim como também já derramei alguma coisa na mesa achando que estava acertando o copo. Já procurei loucamente alguma coisa que estava muito bem escondida na minha mão. Já empurrei quando dizia "puxe", e olha que eu já sabia ler. Já apertei os botões do controle remoto com mais força quando a pilha estava fraca, e ainda mais força usei quando não funcionou. Tu não tens teto de vidro, tens?

Sejamos francos. Eu sou imbecil, ok, aceito. Mas todo mundo carrega consigo um pouquinho de imbecilidade também. Garanto, a vida é muito mais divertida pra quem consegue rir de si mesmo, bastando unicamente a si ou não.