Ainda ontem eu estava lembrando da carta que escrevi para ser entregue a mim mesmo um anó após. Sete meses desse um ano já se passaram. E nesse clima nostálgico de quem está vendo a vida passar meio sem saber de onde ela vem nem pra onde ela vai, comecei a relembrar das coisas que tornaram meu ano, minha história, minha vida, o que hoje eles são.
Seis meses se passaram desde o dia que cumpri a prova prática da autoescola e, orgulhosamente (ou talvez nem tanto) tornei-me legalmente uma motorista. O que me lembra todo o estresse pré prova baseado na intensa necessidade de passar na dita cuja. Não que eu não fosse ter outras chances, porém naquele instante pouco menos de duas semanas haviam passado desde que minha família encontrou-me em frente ao meu prédio e meu padrasto, orgulhoso, entregou-me os documentos do carro que se tornaria meu em alguns dias, mediante carteira de habilitação, é claro. Dirigi de volta para casa naquele revellion, para desespero dos meus pais.
Pensando em desespero, lembro das (nem tão) poucas vezes que, ainda morando em casa, retornei pós balada passadas 5h da manhã. Pé por pé, sobriamente me dirigia ao quarto, enquanto nem tão pé por pé assim meu padrasto fingia ter ido ao banheiro e retornava ao aconchego do leito. Aquela que me gerou invarialvelmente roncava nessa hora. Fingindo ter sido acordada, dia seguinte indagva o porquê de um retorno tão tarde. "Cedo da manhã", sempre respondi, nada criativa.
Lembrando de outros fingimentos, também me vem à mente o quanto não conseguiu disfarçar o orgulho por eu ter passado no vestibular aquele que não participou da minha produção, todavia invariavelmente estava ali, ao alcance dos olhos, durante o aperfeiçoamento. Muito mais que minha mãe, é bem verdade, ainda que nenhum dos dois admita. Algum dia, quem sabe.
E de lembrança em lembrança, minha vida quase inteira poderia passar diante dos meus olhos deixando apenas uma constatação óbvia: estou em leito de morte. Mentira. Nem sempre o óbvio é verdade, pelo menos assim espero. A segunda constatação óbvia é que pai é quem cria. Sem piadas nesse momento, por favor, apesar de todas aquelas que a frase traz à mente de qualquer vivente.
Portanto, neste dia dos pais, há apenas uma pessoa a quem eu devo agradecimento, respeito, carinho e dedicação: o marido da minha mãe, pai dos meus irmãos, meu padrasto. Dele não herdei nome nem olhos, porém foi dele que vieram todas as preocupações e ações que fizeram com que eu o escolhesse para, junto a minha mãe, subir ao palco e entregar-me meu diploma em meados de dezembro. Porque é graças a ele que, hoje, sou o que sou e estou onde estou. Não que isso seja uma coisa necessáriamente boa, mas todo mundo entendeu.
Feliz dia dos pais, verdadeiros e substitutos.
Seis meses se passaram desde o dia que cumpri a prova prática da autoescola e, orgulhosamente (ou talvez nem tanto) tornei-me legalmente uma motorista. O que me lembra todo o estresse pré prova baseado na intensa necessidade de passar na dita cuja. Não que eu não fosse ter outras chances, porém naquele instante pouco menos de duas semanas haviam passado desde que minha família encontrou-me em frente ao meu prédio e meu padrasto, orgulhoso, entregou-me os documentos do carro que se tornaria meu em alguns dias, mediante carteira de habilitação, é claro. Dirigi de volta para casa naquele revellion, para desespero dos meus pais.
Pensando em desespero, lembro das (nem tão) poucas vezes que, ainda morando em casa, retornei pós balada passadas 5h da manhã. Pé por pé, sobriamente me dirigia ao quarto, enquanto nem tão pé por pé assim meu padrasto fingia ter ido ao banheiro e retornava ao aconchego do leito. Aquela que me gerou invarialvelmente roncava nessa hora. Fingindo ter sido acordada, dia seguinte indagva o porquê de um retorno tão tarde. "Cedo da manhã", sempre respondi, nada criativa.
Lembrando de outros fingimentos, também me vem à mente o quanto não conseguiu disfarçar o orgulho por eu ter passado no vestibular aquele que não participou da minha produção, todavia invariavelmente estava ali, ao alcance dos olhos, durante o aperfeiçoamento. Muito mais que minha mãe, é bem verdade, ainda que nenhum dos dois admita. Algum dia, quem sabe.
E de lembrança em lembrança, minha vida quase inteira poderia passar diante dos meus olhos deixando apenas uma constatação óbvia: estou em leito de morte. Mentira. Nem sempre o óbvio é verdade, pelo menos assim espero. A segunda constatação óbvia é que pai é quem cria. Sem piadas nesse momento, por favor, apesar de todas aquelas que a frase traz à mente de qualquer vivente.
Portanto, neste dia dos pais, há apenas uma pessoa a quem eu devo agradecimento, respeito, carinho e dedicação: o marido da minha mãe, pai dos meus irmãos, meu padrasto. Dele não herdei nome nem olhos, porém foi dele que vieram todas as preocupações e ações que fizeram com que eu o escolhesse para, junto a minha mãe, subir ao palco e entregar-me meu diploma em meados de dezembro. Porque é graças a ele que, hoje, sou o que sou e estou onde estou. Não que isso seja uma coisa necessáriamente boa, mas todo mundo entendeu.
Feliz dia dos pais, verdadeiros e substitutos.