terça-feira, 19 de agosto de 2008

Oi!!!

Oi minha gente querida. Tô viva. Meio moribunda, confesso, mas tô viva. Só para não deixar meus quase intermináveis fãs na agonia pensando que tipo de atrocidade poderia ter acontecido com quem aqui escreve.
Terça-feira a tarde, tomando chá de camomila (é, porque com o café meu estômago inflamado reclama) e blogando (apesar de odiar esse termo internetês). Claro que eu teria muitas e muitas outras coisas a fazer, tipo estudar insuficiência renal, mas quando o dia está escuro e chuvoso, como hoje, a nostalgia das minhas tardes de sábado na casa a nona comendo bolinho de chuva toma conta de mim. Ainda bem que não tem trovões, sabe como é, a chuva vem e o ânimo sai.
Não que a vida que eu leve agora seja de todo ruim, mas quando se tem a obrigação diária de ir ao hospital (e diária eu me refiro a sábados, domingos e feriados, se tivesse algum feriado até o fim do ano) todos os dias têm cara de segunda-feira sem a perspectiva da sexta. E aí fica mesmo muito difícil de encontrar ânimo em meio a água que bate na janela.
Eu tenho me esforçado, juro que tenho. Levanto cedinho, chego na hora, dedico a maior boa vontade a meus pacientes, tenho dado o meu melhor. E não tem sido o suficiente. Claro que quando o fulaninho diz para o beltraninho "essa moça aí está me dando a maior força", e aí aponta para mim, parece que o esforço é recompensado e tudo vale a pena. Mas a boa sensação só perdura até o momento em que os superiores fazem parecer tudo em vão, desde o esforço até o estudo. É uma baita merda buscar referências na literatura e o "dono do carimbo" fazer tudo diferente sem uma explicação razoável e ainda me taxar de idiota por questionar a decisão da autoridade. E o pior de tudo é que essa autoridade é que vai dar a minha nota no fim do semestre, avaliando diversos pontos, dentre eles "controle emocional". Que porcaria é essa? Desde quando alguém pode avaliar o quão boa profissional posso ser durante um mês de parca coexistência e ainda ter autoridade para dizer o quão bem controlo minhas emoções?? Eu tenho me esforçado, principalmente para manter o bom humor, juro que tenho. Mas tá difícil. Oh se tá.
Não precisa ser gênio para saber que eu vou me ferrar. Ainda mais porque parece que as pessoas em geral (lê-se professores), além de precisarem estudar menos que eu, ainda conseguem aproveitar melhor o tempo. Afinal, o que será que fico fazendo da meia-noite as 3 da manhã? Perdendo tempo, só pode.
Então é isso, estou viva. Desagregando, talvez, mas viva. Dizem que é isso que importa. E eu acredito. Só o que eu queria é a oportunidade de trabalhar no que gosto (embora eu não saiba muito bem do que eu gosto) e ainda ter algum tempinho de sobra pra futilidades, tipo dormir satisfatoriamente (não demais, apenas o mínimo necessário). Viu? Não sou diferente de ninguém.
E tudo segue quase como sempre no mundo paralelo da Cristine.

quinta-feira, 14 de agosto de 2008

Diálogo no ambulatório da faculdade de medicina:

- Qual seu nome?

- Hans. O sobrenome escreve aí que eu vou ditar.

- Ok.

- S - I - L - V - A.

- Silva?

- Isso, pronunciou direitinho!



Tem coisas que só a medicina é capaz de oferecer.

terça-feira, 5 de agosto de 2008

Recomeços.

Mais um recomeço.
Ultimamente os tempos têm sido de muitos recomeços. Fatos estranhos da vida de alguém que nunca começou muita coisa, principalmente porque pra recomeçar depende, além de um começar, de um terminar. E eu não tenho habilidade pra terminar coisas, incrivelmente ainda menos que para começar. Se eu não começo e não termino, realmente é de se estranhar como as coisas podem recomeçar. Mas recomeçam. E ainda assim eu sobrevivo. 'Facin facin'.

O recomeço mais recente foi o oitavo semestre na faculdade de medicina. O pior, dizem os mais experientes. Relembrando-me do quarto, penso se eu chegarei em dezembro com o mínimo de sanidade necessária para a sobrevivência em sociedade, não consigo imaginar coisa pior. Se bem que, analisando bem a situação, aula teórica das 8 as 9h, pacientes hospitalizados a serem vistos das 10 as 12, aula prática de dermato/pato das 13:30 as 16h, culminando com aula teórico-prática das 17 as 18h de segunda a sexta, mais visitas obrigatórias a meus pacientes hospitalizados em sábados, domingos e feriados, pode vir a tornar-se um inferno ainda maior que quantas ranhuras têm as asas de uma mosca. Ainda mais se eu juntar o curso de italiano, no mínimo um plantão de 12 semanal e a monitoria de pediatria. É, vamos pensar pelo ângulo positivo, não tem mais feriado até o fim do ano, logo, não terei que trabalhar nos feriados.

Minha querida Iarima, quando eu conseguir encaixar-te no meu horário, espero que consigamos dissertar melhor a respeito do nosso recomeço. Estranho, conturbado, inevitável. Talvez tu não tenhas mudado quanto eu penso, mas eu, com certeza, mudei mais do que podes imaginar. Se isso é bom? Não sei, gostaria mesmo que fosse, mas tenho ainda minhas dúvidas. Sempre ouvi dizer que a vida endurece, mas não pensei que fosse tanto. O que mais sinto falta é da minha inocência de menina, aquela que tu bem conheces. De resto, ainda prefiro 14 andares pela escada a um elevador, ainda choro vendo Titanic e continuo gostando daquele bolo de laranja. Não mais choro sozinha pelos cantos, não mais sofro por opção, e por fim parei de preocupar-me demais com aquilo que não posso mudar. De resto, com o tempo verás. Minha amizade sempre será a mais sincera de todas.

Augusto, meu anjo. Recomeço conturbado e diferente. Espero que um dia eu possa ser capaz de me redimir de todos os erros que cometi, enquanto isso contento-me com teu sincero perdão e dedico-me a tentar dar de mim o melhor. Até porque, onde mais eu encontraria alguém que me acomapanhasse no croassonho de chocolate com cobertuda extra de chocolate? Ou nas interpretações psicológicas de vilões perturbados? Ou ainda nos fins de semana dedicados à fantasia? Mas, principalmente, a planos que prometem realizar-me como quase nenhum outro? Foste escolhido a dedo, e preso a correntes ficarás. Sem piadinhas.

Falando em recomeços, como esquecer do recomeço de projetos paralelos? Ah, se eu pudesse ganhar a vida apenas escrevendo, deixando as palavras fluirem por meus dedos, dedicando-me a um mundo que não existe a uma existência que não me pertence. Claro que eu fico imansamente feliz em pode cumprir aquela tal papel de médica, mas a medicina me oprime. Escrever liberta-me. Ajudar concome-me. Escrever renasce-me. Praticar a medicina me prende. Praticar a escrita ajuda-me a voar. Recomecei meus planos. A continuidade só depende do quão possessiva minha futura profissão será. Sonhos é o que não faltam.

E de começos e recomeços sigo trilhando meu caminho. Como um coração, que a cada segundo começa, termina e recomeça seu ciclo vital e interminável, eterno enquanto durar.
PS: claro que eu poderia dar um exemplo do tipo "dia-noite-dia", mas não seria tão a minha cara.

segunda-feira, 4 de agosto de 2008

Aos Poucos e Bons

Desejo primeiro que você ame,
E que amando, também seja amado.
E que se não for, seja breve em esquecer.
E que esquecendo, não guarde mágoa.
Desejo, pois, que não seja assim,
Mas se for, saiba ser sem desesperar.
Desejo também que tenha amigos,
Que mesmo maus e inconseqüentes,
Sejam corajosos e fiéis,
E que pelo menos num deles
Você possa confiar sem duvidar.
E porque a vida é assim,
Desejo ainda que você tenha inimigos.
Nem muitos, nem poucos,
Mas na medida exata para que, algumas vezes,
Você se interpele a respeito
De suas próprias certezas.
E que entre eles, haja pelo menos um que seja justo,
Para que você não se sinta demasiado seguro.
Desejo depois que você seja útil,
Mas não insubstituível.
E que nos maus momentos,
Quando não restar mais nada,
Essa utilidade seja suficiente para manter você de pé.
Desejo ainda que você seja tolerante,
Não com os que erram pouco, porque isso é fácil,
Mas com os que erram muito e irremediavelmente,
E que fazendo bom uso dessa tolerância,
Você sirva de exemplo aos outros.
Desejo que você, sendo jovem,
Não amadureça depressa demais,
E que sendo maduro, não insista em rejuvenescer
E que sendo velho, não se dedique ao desespero.
Porque cada idade tem o seu prazer e a sua dor e
É preciso deixar que eles escorram por entre nós.
Desejo por sinal que você seja triste,
Não o ano todo, mas apenas um dia.
Mas que nesse dia descubra
Que o riso diário é bom,
O riso habitual é insosso e o riso constante é insano.
Desejo que você descubra ,
Com o máximo de urgência,
Acima e a respeito de tudo, que existem oprimidos,
Injustiçados e infelizes, e que estão à sua volta.
Desejo ainda que você afague um gato,
Alimente um cuco e ouça o joão-de-barro
Erguer triunfante o seu canto matinal
Porque, assim, você se sentirá bem por nada.
Desejo também que você plante uma semente,
Por mais minúscula que seja,
E acompanhe o seu crescimento,
Para que você saiba de quantas
Muitas vidas é feita uma árvore.
Desejo, outrossim, que você tenha dinheiro,
Porque é preciso ser prático.
E que pelo menos uma vez por ano
Coloque um pouco dele
Na sua frente e diga `Isso é meu`,
Só para que fique bem claro quem é o dono de quem.
Desejo também que nenhum de seus afetos morra,
Por ele e por você,
Mas que se morrer, você possa chorar
Sem se lamentar e sofrer sem se culpar.
Desejo por fim que você sendo homem,
Tenha uma boa mulher,
E que sendo mulher,
Tenha um bom homem
E que se amem hoje, amanhã e nos dias seguintes,
E quando estiverem exaustos e sorridentes,
Ainda haja amor para recomeçar.
E se tudo isso acontecer,
Não tenho mais nada a te desejar.