domingo, 23 de agosto de 2009

Dia de Encontrar o Amor da Vida

Todo mundo melhora após um término de namoro. Depois da tradicional fossa inicial, é claro. A gente chora, assiste filmes de romance acompanhada de uma panela de brigadeiro, vai à cafés tomar capuccino sozinha, dorme mal, descuida do melhor dia para ir ao cabeleireiro, fica tempos sem fazer as unhas ou depilação, não usa maquiagem. No fim das contas nos encontramos gordas, peludas, cheias de olheiras, o cabelo repleto de raízes e os dedos com mais cutícula que unha. A visão do inferno, sendo otimista.

Aí, quando a gente menos espera, vem aquela vontadezinha de subir depois de um fundo de poço bem aproveitado. A gente entra pra academia, decide fazer caminhadas diárias com o cachorro, volta a frequentar o salão de beleza, passa a fazer as unhas, adere à depilação radical só para experimentar e até muda a cor do cabelo, sem falar na maquiagem, que volta com força total. Os filmes são deixados de lado, capuccinos também, a programação agora é junto ao clube das solteiras. Até que a gente enche o saco de tudo isso e volta à programação normal.

Já de volta ao usual, a gente deixa de se preocupar tanto com o cabelo e a maquiagem, até ganha uns quilinhos de novo, se bobear. Volta a se preocupar com questões profissionais e o sábado chuvoso sozinha em casa vendo um filme (com ou sem brigadeiro) não é uma opção tão desencorajante como outrora (exceto, talvez, pra quem está demasiadamente preocupada com o peso). Com os fantasmas já exorcisados, começam a vir os dias em que os 15 minutos a serem dedicados à aparência passam a ser preciosos demais para o sono que jamais será suficiente, fazendo com que, inevitavelmente, cheguem os dias em que saímos de casa mal arrumadas, sem maquiagem, cabelo desgrenhado, com a cara inchada e repleta de olheiras.

Não sei vocês , mas eu costumo chamar esses dias de "dia de encontrar o amor da vida". Não que eu encontre um amor da vida toda vez que, por um motivo ou outro, saio de casa nesse estado (no mínimo, deplorável). Porém todas as vezes que encontrei um amor da vida em potencial (e que talvez tenha até sido o amor daquele período na minha vida), eu estava do modo supracitado pra pior. Claro que Murphy e eu temos uma relação demasiadamente íntima para que se tome esse exemplo como regra geral, mas vai dizer, as coisas sempre acontecem no pior momento possível, mesmo que seja algo muito e muito desejado. Obviamente não seria diferente com amores da vida... ou ofertas de emprego.

E e aí que, parando pra pensar, a gente percebe que não importa quantos quilos a gente ganhou nem quantas lágrimas rolaram nesse meio tempo, a gente simplesmente supera, as vezes até esquece, e segue vivendo. Conhece muitas outras pessoas, experimenta diversas outras comidas, vive incontáveis outras situações e enfrenta infinitas outras dificuldades, de peito aberto e rosto erguido, maquiada ou não. Até porque, sejamos francos, a vida fica muito mais fácil quando a gente se permite, permite engordar, permite chorar, permite curtir a fossa e, porque não, permite um dia de encontrar o amorda vida!

sexta-feira, 7 de agosto de 2009

Deprimo e como. Como e deprimo.

Nesse mundo globalizado não há quem não tenha ouvido falar no tal do "efeito sanfona". Pelo menos na televisão ou revista de fofoca, daquelas que indicam dietas milagrosas para perder 6kg em uma semana. Aos desavisados (o texto tem que ser completo, né?), sanfona é aquele instrumento musical (da pra chamar assim?) que se parece muito com uma mola, o qual aumenta e dimunui expulsando o ar e gerando som, estando ora grande e ora pequeno (a google não vai interpretar isso como pornográfico e deletar meu blog, vai?).

Pornografias à parte, eu sou exemplo vivo do efeito sanfona no peso. Lembro bem que com 13 anos pesava 62 Kg, e me achava uma baleia (e era, pelo menos comparada às pequenas meninas de 13 anos que circundavam meu habitat). Aí entrei pro CEFET e perdi um pouco do controle do peso, porém nunca esquecerei da apresentação de teatro em que fui um passarinho (bizarro, né?), antes da qual me pesei e figuravam 75Kg na balança. Aí os anos passaram, até que no final de 2008 a balança dizia que eu acrescentava à Terra 68Kg, o que particularmente bom para uma mulher grande e alta como eu. E aí, mês passado, no ambulatório, por curiosidade, subi na balança. Independente do frio e das muitas roupas que eu usava (calça jeans, bota, sobrepele, blusa gola alta, básica de lã e jaleco), o número que me encarava era 77,5.

Decidi que era MESMO a hora de comçar uma dieta, cortar os chocolates-quentes (maldito hífen) diários, diminuir o chocolate e ponderei até começar a comer salada. Comprei frutas, granola, iogurte light e tentei convencer a mim mesma que comer pouco de 3 em 3 horas iria satisfazer minha gula. Também decidi que caminharia 1 hora por dia (até porque academia foge do meu orçamento de universitária pobre). Caminhar diariamente nunca consegui, afinal é inverno, eu moro em Pelotas e curso Medicina. É frio, chove e eu costumo chegar em casa depois das 7 da noite. Mas a dieta até que durou uma semana, quando o estresse de uma vida fadada à encomodação sobrepôs meu repúdio pelo espelho.

Não sei vocês, mas entrar em cirurgia às 13:30h e sair da mesma às 21:30h ininterruptamente (leia-se: sem comer, sem fazer xixi, sem sentar e sem coçar o nariz) é o tipo de coisa que faz com que eu chegue em casa, além de 30 minutos depois (afinal eu não tenho carro e ando a pé), querendo comer o que aparecer pela frente, compulsivamente, em meio às lagrimas de irritação. Resumindo, é humanamente impossível para alguém emocionalmente instável como eu conseguir comer regularmente (e pouco) quando buracos cronicamente vazios na minha existência só são completados com comida.

Filosofias de banheiro à parte, eu deprimo e como, como e deprimo. É um ciclo vicioso que me deixa cada vez mais deprimida e cada vez mais gorda. Não é pedir demais conseguir despachar uns 10 quilinhos... é? Só preciso achar onde quebrar essa corrente... Até porque, gravem o que estou dizendo, na primeira oportunidade que a pobreza sair da minha vida (que eu espero que aconteça em no máximo 2 anos), eu vou fazer uma lipoaspiração. Bem que a minha sanfona podia permanecer fechada e quietinha, né?

domingo, 2 de agosto de 2009

Queria...

Eu queria um microondas...
queria uma estufa...
queria um casaco de cada modelo e cada cor...
queria muitos pares de sapato...
queria morar na europa...
queria ser rica...
queria ter nascido com o cabelo liso...
queria não ter a sobrancelha crespa...
queria nao ter compulsão por comida...
queria não ter celulite...
queria não ter gordura localizada...
queria fazer uma lipo...
queria não precisar fazer uma lipo...
queria ser simpática...
queria não falar palavrão...
queria saber aproveitar melhor o meu tempo...
queria poder ler tudo o quero ler...
queria conseguir escrever tudo o que quero escrever...
queria lembrar de todas as coisas...
queria esquecer de algumas outras...
queria esquecer até algumas pessoas...
queria ter minha mãe por perto sempre...
queria ter algumas pessoas longe para sempre...
queria apaixonar-me perdidamente...
queria nunca tornar-me vulnerável pelo amor novamente...
queria um marido perfeito...
queria ser solteira bem resolvida...
queria devolver toda a humilhação...
queria virar a página com a ferida cicatrizada...
queria nunca ter o coração pisoteado outra vez...
queria mandar em mim mesma...
queria mandar no mundo...
queria poder comandar os pensamentos das pessoas...
queria poder comandar os meus pensamentos...
queria que as coisas fossem como eu queria que fossem...
queria saber o que eu realmente quero.