sexta-feira, 23 de maio de 2008

Seio Bom X Seio Mau

Seio Bom X Seio Mau. Bebês têm fome. Ter fome é uma coisa ruim. Se me deixam ter fome, querem o meu mal. Seio muito mau este que abandona-me e permite que eu sofra dessa maneira cruel: fome. Tenho raiva. Choro odiando aquele seio mau que quer apenas meu mal. Eis, então, que surge um segundo seio, mas este, por sua vez, é incrivelmente bom. Sana meus desejos e de mim tira os sentimentos ruins: a fome. Deleito-me de prazer, deliciado com tamanha bondade. Amo esse seio incrivelmente bom que para mim só deseja o bem. Qual não é, então, minha surpresa, quando enfim descubro que a melhor a pior coisa que poderiam existir, aquela que mais amo e aquela que mais odeio, na verdade, não passam de duas faces de apenas um só. Como é possível que algo tão horrendo e que a mim tanto odeia reciprocamente, possa ser também aquela coisa maravilhosa, a que tanto amo também reciprocamente, e que de mim tira todos os males? Sinto fome e odeio com todas as minhas forças, tenho minhas angústias sanadas e amo, do modo maior e mais puro que pode existir. E então culpo-me por ter tido a audácia de odiar aquilo que tanto bem me tras. Como é possível que bem e mal estejam assim reunidos em um só? Como é possível que amor e ódio possam ser assim direcionados para um só? Sofro, odeio, recebo, amo, culpo-me.

Novamente eu, exemplar ortodoxo dos Homo Sapiens sapiens, experimento sentimentos de dualidade carregados de amor, ódio e, consequentemente, culpa. A diferença é que o foco ansiogênico dessa vez não é o 'seio bom X seio mau', nem 'aquela mãe maravilhosa que me cuida X aquela bruxa medonha que quer roubar aquele maravilhoso homem (vulgo pai) de mim', nem qualquer outro conflito puramente inconsciente que povoa de ansiedade o desenvolvimento infantil e adulto jovem. Meu conflito, paradoxalmente, é puramente consciente e tange aquilo sem o qual eu não teria conhecimento sobre o que falo. Bendita X Maldita Psicologia (Médica IV).

É estranho. Sim, eu simplesmente AMO entender o funcionamento de coisas que, até então, pareciam totalmente sem sentido, ou pior, sem significado, sem alguma explicação mais convincente do que um apenas "é porque é". Por exemplo, algumas características do universo masculino contrastadas com o universo feminino, as quais finalmente adquiriram algum significado. Sendo mais específica: machos, por não perderem muito tempo de sua vida reprodutiva gestando, em geral não têm preocupações quanto ao bem estar da prole, de modo que seu intuito principal é espraiar seus genes, ao passo que as fêmeas tem por obrigação natural, além de cuidar da prole, escolher um macho com a melhor genética, para que, assim, os decendentes sejam o mais geneticamente perfeitos possível. Isso explica porque a poligamia é naturalmente masculina, bem como porque as mulheres são (e devem ser) muito mais seletivas quanto a seus parceiros em potencial. Tudo isso sem mencionar que os parceiros preferenciais são aqueles geneticamente mais perfeitos, e como o genótipo se manifesta através do fenótipo, não é de se estranhar que a aparência física conte tantos pontos para a fatídica escolha. Mulheres com medida da cintura de 80% do quadril e seios fartos, juntamente com os homens altos, fortes e de ombros largos, tendem a ser melhores reprodutores que seus companheiros de gênero sem tais características de simetria.

Falando em escolher pares pelo melhor fenótipo, outra manifestação genotípica são os feromônios, que nada mais são do que fragrâncias naturais geradas pela degradação bacteriana do suor em locais de junção pele-cabelo (cabeça, axila e região pubiana). Através desse cheiro característico de cada indivíduo temos a capacidade de perceber, ainda que inconscientemente, aqueles cheiros que são mais próximos ou mais distantes da nossa genética, de modo que os aromas mais agradáveis a nosso olfato serão, certamente, aqueles cuja genética é mais distante da nossa. A natureza é mesmo muito sábia, afinal qual lucro ela teria em heranças recessivas combinadas gerando indivíduos portadores de anomalias? Claro que heranças recessivas de qualidades também poderiam ser herdadas... mas, vale a pena a tentativa? Em comunidades isoladas (cruzamentos consanguíneos obrigatórios) com certeza, mas esse não parece ser nosso caso. Não mais.

Ainda falando em feromônios, chega a ser engraçado analisar os ditos rituais de sedução, tipo conversa ao pé de ouvido, dança com os braços levantados, abraços apertados e situações afins. Maneira totalmente inconsciente porém imensamente clara de fazer nossos íntimos e pessoais cheiros chegarem nos narizes daqueles que gostaríamos que os sentissem, e agradassem-se, é claro. Mais uma vez espanto-me com a sapiência da natureza.

Voltando para as escolhas, nada mais natural que cada um escolha parceiro que melhor lhe convém. Fêmeas precisam de um companheiro que lhes auxilie com a prole, alguém discorda que o fulgor da juventude masculina só iria atrapalhar esse auxílio? Nada mais natural que as mulherem tenham a tendência a procurar homens mais velhos, por consequinte mais estáveis. Já os homens precisam de uma fêmea boa reproduta, capacidade que, comprovadamente, diminui com o avançar da idade. Logicamente é natural que os homens tenham melhores olhos para as fêmeas mais jovens. Não é a toa que a preferência geral sejam as loiras (símbolo de juventude, afinal o cabelo escurece com a maturidade sexual), com pernas e axilas depiladas (lembrando pernas e axilas infantis).

E ainda tem toda a questão de o par perfeito ser a imagem do genitor de sexo oposto. A coisa não funciona bem assim como estamos acostumados a ouvir. Simplesmente nós montamos nossoo conceito de certo e errado, bom ou ruim com base naquilo que temos contato durante nosso desenvolvimento, de modo que nossos perfis de parceio ideal serão contruídos com base naquelas experiências que tivemos, não necessariamente com o pai, mas com qualquer pessoas do sexo oposto com quem tivemos contato, pais, irmãos, tios, vizinhos, primos, e etc. O tipo de relacionamento vai definir se encaramos aquilo como bom ou ruim. E não é que faz sentido?

É, eu simplesmente AMO entender o funcionamento de coisas que, até então, pareciam totalmente sem sentido, mas ao mesmo tempo uma coisa bem ruim me invade. Uma sensação de que eu não sou eu, que sou totalmente governada por coisas que não conheço, não entendo e o que é pior, não controlo. No fundo eu não passo de sinapses elétricas, interações bioquímicas, entra sódio e sai potássio. E aí vem a pergunta que não quer calar, conhecer o razão e o funcionamento de algumas coisas compensa a sensação de ser ínfima e impotente até mesmo sobre mim mesma?

quarta-feira, 21 de maio de 2008

Renascimento

Pôr pingos nos is. Cortar os tês.
Todo mundo deveria ter conversas esclarecedoras com mais frequência na vida. Facilita o entendimento e permite o aprendizado. E entender e aprender é tudo na vida, não é?

Falando em entender e aprender, quando a nossa mãe nos manda estudar para ser alguém na vida, quando temos lá nossos 7 anos de idade, parece que a coisa vai ser agradável. Amiguinhos, professora e algumas novas lições a cada dia.

Quando chegamos no ensino médio tomamos conhecimento do tal vestibular, mas amigos, colegas, jardins, cantinas, saguões, bibliotecas e RPG fazem com que estudar para ser realmente alguém na vida não seja algo muito enfadonho.

Só depois de muito tempo de dedicação é que apercebemo-nos do que "lutar para crescer" realmente significa. Aprendemos que nosso esforço nunca é suficiente, o tempo que dispomos sempre é escasso, sempre tem alguma coisa importante que não sabemos, parece que todas as coisas que não sabemos são as importantes, sempre tem alguém que é melhor que nós em tudo, e, cada vez mais, as coisas simples tornam-se raras e o foco é cada vez menor. Velha história de que o ser humano, para ser realmente bom, tem que saber cada vez mais sobre cada vez menos. Poxa, é pedir demais para ser uma boa médica mas não necessariamente ser uma alienada quanto a coisas como física, química e história? A sensação que tenho é de que são coisas excludentes.

Tangenciando coisas que excluem uma a outra, estranho como as vezes excluímos pessoas das nossas vidas. Pessoas importantes outrora que depois um tempo parece que nem existiram. Engraçado como cometemos erros, como acreditamos em coisas erradas, como vemos as coisas de modo diferente daquilo que realmente se passa. Estranho como pomos o orgulho acima da amizade, o ressentimento acima da confiança, o medo acima da esperança. Triste como pequenos mal entendidos viram uma bola de neve e estragam coisas que tinham todos ventos a seu favor... e quando vê... naufragam.

Simbolizando por naufrágios, não é porque a carcaça caiu no fundo do oceano que deve ser esquecida, aliás, por mais que seja uma carcaça velha, quebrada e cheia de limo, ainda é uma carcaça, ainda conta sua história, ainda mostra o que já existiu e, sem dúvida alguma, pode ter seus artefatos reaproveitados. E, convenhamos, decoração moderna é muito prática, mas ninguém discorda que peças antigas, muito mais que exalam história, elas revivem o passado.

De fato eu gostaria de reviver alguns pontos do meu passado, porém a impossibilidade do fato não muda a questão de que o passado, muito embora não possa ser revivido, pode ser ressucitado, ou renascido, mais precisamente. Quantas Josefinas existem perambulando por aí em homenagem a suas avós? Isso aí, renascimento.

Portanto, depois de todos os pontos esclarecidos, estou pronta para renascer e permitir de coração aberto o ressurgimento. Que reapareçam a confiança, o carinho, o amor, o bem querer e todo e qualquer sentimento (que por ventura posso não lembrar algora) que esteja englobado em uma verdadeira amizade.

É possível? Claro que é, basta querer. E eu quero.

terça-feira, 20 de maio de 2008

Acabando com a minha vida para salvar a tua

Definitivamente, vida de estudante não é fácil. Ou pelo menos a minha não o é. Poxa vida, levanto as 6:30h da manhã, com sorte consigo dormir as 11h da noite, tenho mal e porcamente 2h para almoço (já contabilizado o tempo de deslocamento). Trabalho em turno integral DE GRAÇA. E aquele período do dia em que a maioria das pessoas descansam, vêem televisão e tomam seu chimarrão, eu, aspirante a médica, tenho que estudar, afinal é o único período do dia em que não estou enfiada em uma sala de consulta ou ambiente de aula. Rotina. Cansativa rotina.

"Acabando com a minha vida para salvar a tua". Não deixa de ser um ponto de vista deveras pessimista, mas deixando um pouco de lado a visão romântica e eufêmica da vida, a coisa toda funciona mais ou menos assim, um modus operandi simplesmente humano. Aqueles que entendem a origem e significado de Homo Sapiens sapiens dão risada da perspicácia dos estudiosos que assim nos nomearam. Digo isso baseado no fato de que eu não acho que, exatamente, aquele que sabe que sabe e tem capacidade de canalizar o saber usaria toda essa sapiência num estilo de vida "perco saúde para juntar dinheiro, depois perco dinheiro para recuperar saúde, penso ansiosamente no futuro que no fim não vivo nem presente nem futuro, vivo como se nunca fosse morrer e morro como se nunca tivesse vivido".

À medida que conheço aquilo que é intrinsicamente humano, menos estranho aquilo que vejo me parece. E ter uma profissão em que tenho a oportunidade de ver as pessoas do seu modo mais puro, íntimo, fiel e verdadeiro, dá-me a oportunidade de conhecer coisas que, sinceramente, não sei se estou preparada para ver e assumir como realidade. Poucas não são as vezes em que repenso minha decisão profissional, almejando por algo mais leve, com menos responsabilidade e menos coisas assustadoras em meio a minha rotina. Tenho sérias dúvidas quanto a meu preparo para tamanha responsabilidade, não apenas preparo psicológico, mas preparo intelectual. Vejo que cada vez tenho menos paciência para conversar com meus pacientes. Logo eu.

A verdade é que, por mais que eu pense e teça teorias quanto as possibilidades que cercam-me, não tenho muitas certezas quanto aquilo que sinto, quanto a coisas que desejo. Estou preparada? Com certeza não. Posso vir a preparar-me? Talvez, nada mais tem soado-me estranho. Quero despreender tanta energia para algo que não sei se trará recompensas? Não sei.

E em meio a todos esses "não sei" sigo minha cansativa rotina pensando e repensando cada vez mais quanto a minhas possibilidades, mas, principalmente, quanto a minhas impossibilidades.

segunda-feira, 12 de maio de 2008

Ser Mulher.

Estranhos todos esses pensamentos que passam na cabeça de uma mulher, aparentemente tão distintos das predominâncias nas cabeças recheadas de testosterona. O fato é que não tive o vil hormônio masculino comandando meu desenvolvimento embrionário, de modo que tudo o que eu disser a respeito do que homens vem a pensar será por que que eu acho ou alguém contou. Nada perto da sinceridade do que posso expressar aquilo que pensei, senti, vivi. E, de fato, como toda boa mulher, como penso e fantasio!!!

A começar pelo chato e frequentemente presente período menstrual. Qual mulher nunca apercebeu-se daquele sanguezinho fujão no momento mais inoportuno possível? E claro que a bendita sempre virá naquele dia que saímos tão atrasadas de casa que sequer lembramos de pegar um absorvente. E se vamos passar o dia todo fora, ou ainda não levamos dinheiro, melhor ainda, aí mesmo que a dita cuja resolve descer, mesmo que não seja seu momento. Tudo isso sem mencionar quando a fisiológica menstruação resolve mutar-se em uma hemorragia, manchando de vermelho o que quer esteja no caminho. Malditos absorventes. Obviamente que quem não perde quase 9mm de útero mensalmente não vai entender toda a tensão psicológica que precede esse fato. E por falar em TPM...

A capacidade de chorar copiosamente assistindo a propagandas comerciais de margarina, sem dúvida, é algo difícil de se lidar, principalmente quando o telefone não toca, as palavras sempre parecem algo agressivas e o mundo inteiro cisma em conspirar contras as coisas que precisávamos que dessem certo. Claro que assim não fica nada difícil de identificar-nos com situações vivenciadas nos tais comerciais de margarina e, assim, expressar a emoção com a situação. Novelas, então, deveriam ser proibidas de passar na televisão em períodos tão críticos quanto estes. Verdade seja dita, não é a mulher que fica insuportável no período pré-menstrual, mas sim todo o resto do mundo que muda seu jeito de olhá-la, entendê-la e, principalmente, tratá-la. Realmente não é fácil.

Menstruação e tudo que a envolve (sem esquecer nunca do cheiro) realmente é uma droga, mas pior que mais uma semana menstruada, sem dúvida, é mais de um mês sem menstruação. E parece que quanto mais a gente se preocupa que a dita cuja não veio, mais ainda a infeliz demorar pra vir. Quando desce, ô que alegria, pelo menos até o primeiro acidente vermelho acontecer. Quando a desgraçada realmente não vem, emfim chegou a hora de preocupar-se com engordar, ficar barriguda, inchada, debilitada e, inevitavelmente, gorda. Antes uma grávida gorda que uma gorda gorda, mas mesmo assim, gravidez é um caos.

Deixando-se de lado a parte de ser mãe, assunto demasiado extenso e complexo para quem quer abordar apenas o quesito mulher, expelir coisas de dentro da gente sempre vai ser um problema para as queridinhas do estrogênio. Maldição, por que diabos o intestino não pode, simplesmente, funcionar? Tão fácil, simples e fisiológico!!! Oras, não é só porque eu não como fibras e entupo-me de chocolate, pão e massa que o sagrado momento da ida ao banheiro tem que ser encarado como castigo. E, convenhamos, parece que até isso piora na tal da TPM.

Definitivamente, nascer um exemplar do sexo passivo é sinônimo de uma árdua vida pela frente, a começar pelas expectativas de castidade que todo pai põe em sua filha, seguido do enorme trauma e sentimento de culpa por não possuir entre as pernas o tal pinto que todos os meninos têm, até que então chega-se nas expectativas e pressões sociais para que a mulher seja reservada, saiba cozinhar e torne-se uma boa mãe. Queimar sutiãs? Não sei se é bem assim que a coisa se resolve. Eu, particularmente, apesar de todos os pesares, gosto de ser mulher. Convenhamos, não precisar pagar a conta do restaurante, direito a licensa maternidade e a infalível desculpa da cólica compensam todos os pesares, principalmente depois da invenção do anticoncepcional de uso contínuo. Além do mais, TPM sempre funciona como desculpa para carinhos, cheiros e presentes extras... e, convenhamos, que mulher dispensa um carinho da pessoa amada?

terça-feira, 6 de maio de 2008

O dinheiro é Tóxico.

Eu, confessa e assumida, embora não orgulhosamente, sou integrante de um seleto grupo de pessoas relativamente alienadas quanto aos meios de comunicação. Todavia, ultimamente, assistir aos noticiários tem sido uma atividade relativamente prazerosa e, sem dúvida, inspiradora de muitas reflexões, principalmente quando o tempo ocioso que não se tem vem a ser utilizado na tentativa de compreender as motivações, ainda que inconcientes, que levam as pessoar a tomar determinadas atitudes. Não que seja fácil, mas funciona como um exercício mental.

A bola da vez tem sido, sem sombra de dúvida, a confusão criada entre nosso ex-melhor jogador do mundo e três profissionais do sexo de gênero duvidoso (pelo menos aparentemente). Eufemismos à parte, é de conhecimento nacional (para não dizer mundial) de que o Ronaldo Fenômeno, em uma noite triste (segundo declarações do próprio) decidiu buscar companhia especializada para dispersar a tristeza da solidão noturna. Já no motel descobriu que as três moças possuiam alguns acessórios extras, os quais Ronaldo declarou não ser de seu agrado, decidindo, então, dispensar as profissionais sem a realização do serviço a que se propunham, porém essas receberiam o valor justo pelo tempo disperdiçado. Bem, foi mais ou menos aí que começou a confusão, pois enquanto a jovem relata que Ronaldo a pediu para que fosse comprar drogas entregando-lhe os documentos de seu carro como garantia e no retorno não quis pagar-lhe o valor justo, o Fenômeno conta que em nenhum momento houve o envolvimento de drogas, mas que lhe foi exigido R$50000 ou o caso todo iria ser levado a público. O que realmente aconteceu para que houvesse a explosão pública do caso não é de suma importância, afinal, tendo havido tentativa de extorção ou não, não muda o fato de que um homem rico, famoso e que tem a oportunidade de sair com as mulheres mais belas do mundo tenha procurado companhia em travestis (ou prostitutas, caso realmente a contratação tenha sido um engano), as quais, sem dúvidas, não chegam aos pés, pelo menos fisicamente, das belíssimas mulheres com quem Ronaldo já teve a oportunidade de relacionar-se. Sem dúvida o caso de Ronaldo não foi o primeiro e, com certeza, não será o último escândalo envolvendo pessoas ricas e famosas, de modo que não é de difícil constatação que não são raras as explosões de situações semelhantes, ou pelo menos tão vergonhosas quanto.

Não pude deixar de lembrar das sábias palavras de um de meus professores de Psicologia Médica IV ao ver a manchete a respeito de Ronaldo: "dinheiro é tóxico". E, parando pra pensar mais seriamente no mundo que me cerca, sou obrigada a concordar com ele. Claro que é bom ter dinheiro, poder exercer sem peso na conciência o consumismo capitalista e ter a oportunidade de dar aos filhos todo aquele bem estar que nossos pais não tiveram a oportunidade de nos dar. Entretanto, até que ponto a abundância monetária tras apenas benefícios? Peguemos como exemplo outro homem em voga na mídia atualmente, Alexandre Nardoni. Pai de família, 26 anos, advogado e... recebe mesada mensal do pai ainda hoje. Já não seria tempo do homem caminhar com seus próprios pés e aprender que dinheiro tem valor suado e que temos que batalhar por ele, assim como qualquer outra coisa na vida? Ou ainda toda essa horda de "filhinhos de papai" que, em seu fulgor juvenil, acredita-se imune a fatalidades da vida a ponto de fazer roleta russa em uma movimentada avenida ou, muito pior, atear fogo em um mendigo sem o menor remorso ou medo das penalidades legais?

A impressão que tenho é que algumas pessoas não dão valor a coisas como dinheiro, status social, profissão e, nos casos mais graves, não dão importância à família e subvalorizam até mesmo a vida, e o que é pior, dos próprios filhos, contrariando a todos os instintos. A coisa funciona mais ou menos como uma compra, "meu filho, sou seco demais para te dar amor, então eu compro essa falta com uma gorda mesada, ok?", e aí fica tudo bem, educação e dinheiro são coisas substituíveis, mesmo. Ou ainda "sou podre de rico a ponto de poder fumar notas de 100, por que não sair fazendo coisas idiotas se poderei pagar pelo silêncio ou a fiança depois?". Não que eu ache que dinheiro seja ruim, bem pelo contrário, afinal em nenhum momento tive treinamento em monastério e fiz voto de pobreza, apenas penso que há coisas um pouco mais relevantes para a vida de um indivíduo que sua capacidade financeira, como por exemplo uma educação sólida, consistente, com manifestação de valores e, principalmente, senso de responsabilidade. A verdade é que não é exatamente o dinheiro que é tóxico, mas sim o modo como algumas pessoas o utiliza na tentativas de subtituir aquelas coisas nas quais se acham falhas, como por exemplo amor paterno. Claro que dinheiro é importante, mas não é com ele que se contrói responsabilidade e bom carater. E, feliz ou infelizmente, é primaria, mas não unicamente, com responsabilidade e bom carater que são evitados escândalos com travestis ou assassinatos familiares.