terça-feira, 20 de maio de 2008

Acabando com a minha vida para salvar a tua

Definitivamente, vida de estudante não é fácil. Ou pelo menos a minha não o é. Poxa vida, levanto as 6:30h da manhã, com sorte consigo dormir as 11h da noite, tenho mal e porcamente 2h para almoço (já contabilizado o tempo de deslocamento). Trabalho em turno integral DE GRAÇA. E aquele período do dia em que a maioria das pessoas descansam, vêem televisão e tomam seu chimarrão, eu, aspirante a médica, tenho que estudar, afinal é o único período do dia em que não estou enfiada em uma sala de consulta ou ambiente de aula. Rotina. Cansativa rotina.

"Acabando com a minha vida para salvar a tua". Não deixa de ser um ponto de vista deveras pessimista, mas deixando um pouco de lado a visão romântica e eufêmica da vida, a coisa toda funciona mais ou menos assim, um modus operandi simplesmente humano. Aqueles que entendem a origem e significado de Homo Sapiens sapiens dão risada da perspicácia dos estudiosos que assim nos nomearam. Digo isso baseado no fato de que eu não acho que, exatamente, aquele que sabe que sabe e tem capacidade de canalizar o saber usaria toda essa sapiência num estilo de vida "perco saúde para juntar dinheiro, depois perco dinheiro para recuperar saúde, penso ansiosamente no futuro que no fim não vivo nem presente nem futuro, vivo como se nunca fosse morrer e morro como se nunca tivesse vivido".

À medida que conheço aquilo que é intrinsicamente humano, menos estranho aquilo que vejo me parece. E ter uma profissão em que tenho a oportunidade de ver as pessoas do seu modo mais puro, íntimo, fiel e verdadeiro, dá-me a oportunidade de conhecer coisas que, sinceramente, não sei se estou preparada para ver e assumir como realidade. Poucas não são as vezes em que repenso minha decisão profissional, almejando por algo mais leve, com menos responsabilidade e menos coisas assustadoras em meio a minha rotina. Tenho sérias dúvidas quanto a meu preparo para tamanha responsabilidade, não apenas preparo psicológico, mas preparo intelectual. Vejo que cada vez tenho menos paciência para conversar com meus pacientes. Logo eu.

A verdade é que, por mais que eu pense e teça teorias quanto as possibilidades que cercam-me, não tenho muitas certezas quanto aquilo que sinto, quanto a coisas que desejo. Estou preparada? Com certeza não. Posso vir a preparar-me? Talvez, nada mais tem soado-me estranho. Quero despreender tanta energia para algo que não sei se trará recompensas? Não sei.

E em meio a todos esses "não sei" sigo minha cansativa rotina pensando e repensando cada vez mais quanto a minhas possibilidades, mas, principalmente, quanto a minhas impossibilidades.

3 comentários:

  1. Uau.. Isso realmente eh impressionante! Voce basicamente falou um monte sem dizer muita coisa ^^ Brincadeira...

    Entao... Nao seria melhor tu entrares no modo "Medico Semi-Deus" para ir avante com este objetivo? Claro, ias ficar mais tosca ainda (como todos os "Médico Semi-Deus) acabam se tornando, mas pelo menos irias acabar com esses pensamentos decorrentes.

    Se tu nao quiser essa opção, bem... as coisas nao sao tao ruins como parecem. As coisas belas da vida nao deixam de ser belas por estarmos ocupados demais abstraindo vetores. Continue tomando chimarrao, mas com os livros por perto. Pare a cada meia hora e de "Oi" para seu umbigo. De tchau para o coco. Coloque meias de cores trocadas soh pra rir um pouco. Enfim... faça o que todo ser humano normal faz quando nenhum outro esta olhando. Dai, quando estiveres no meio de uma criança berrando, de uma mae reclamando, numa sala pequena e fria e teus pensamentos voarem, teras um local seguro onde pousar.

    Sim, eu nao estou normal... Ou estou bem no meu normal! ^^

    Ah, nao te preocupa. Embora ficar louco pareca uma opcao mais simples voce perdera grande parte dos seus direitos. Portanto, por mais inocentes e verdadeiros q eles parecam, nao eh uma boa ideia.

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  2. eu estou sem palavras.. é tão, mas tão desanimador ler isso HAUIHAIUAHUI
    será que eu estudei três anos para passar em um vestibular e um dia irei estar como tu?
    Pior que essa é uma pegunta que me faço.. cada coisa que se encontra. Fico meio "sei lá". Será que sou eu que vejo muita responsabilidade na nossa profissão ou são os outros ( poderiam ser os semi-deuses como o moises falou)que acham tudo muito simples e uma pequena decoreba resolve tudo.. até porque tem DS amanhã! Estudar para, no futuro,salvar vidas seria muito complexo!É melhor só passar na prova mesmo...
    Estou cada vez mais consciente do teu conselho.. e seguindo-o!
    Quando for aí conversamos mais!

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  3. Flor do meu coração. O que posso te dizer é que essas tuas sensações virão e desvirão, isso tudo pode muito bem passar e ir embora para sempre, ou ficar voltando de vez em quando...

    Bem, sei que deve ser um saco aturar algumas coisas, mas já vivi tanto tempo socada em hospitais, consultórios e afins e realmente percebi que o que falta é essa paciência dos médicos para com quem sofre e precisa de um carinho e de uma atênção que geralmente não recebem.

    Por isso, sei que não adianta nada falar, pois não estou sentindo o que sentes nem vivendo tua vida... mas, por favor... não perca a paciência. Geralmente os pacientes precisam disso mais do que qualquer outra coisa.

    Amo-te minha flor!

    Ha, sonhei contigo... tu ia para os Estados Unidos estudar medicina, tua mãe levava um tombo dentro da tua casa, tu era vizinha do meu irmão e não da minha mãe e eu esquecia um celular carregando na tua casa. Enfim, minhas asneiras...

    Mas acordei mal... não quero que tu vá embora, assim tão longe...

    Bjos.

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