Todo dia alguém pergunta como estou. A grande maioria das vezes, pra não dizer todas, respondo que está tudo bem. Resposta automática, porque a verdade é que em nada importa se estou bem ou não, a resposta vai ser sempre essa. Sejamos francos, ninguém que pergunta como estou e sequer para pra ouvir a resposta pode estar interessado em saber a verdade. Entretanto, nos últimos tempos, estranhamente para mim, a resposta tem sido, embora automática, verdadeira. Não que a minha vida tenha mudado muito desde os tempos em que mentia ao dizer "tudo bem", todavia o que mudou foi meu estado de espírito, o modo como meus olhos vêem o tudo igual que sempre me cerca.
Há um certo tempo eu não tinha uma vida muito... própria... digamos assim. Costumava fazer aquilo que me era imposto a fazer. Pensava aquilo que me era sugerido pensar, sentia aquilo que pensava ser certo sentir. Meus desejos, sonhos e opiniões não eram exatamente meus, eram compilações alheias que julguei apropriadas a mim no momento. Em resumo, eu não era eu, simplesmente porque eu não existia. Não é difícil entender porque a sensação de "alguma coisa faltando" era tão grande. Até que, em uma dessas rasteiras que a vida nos dá, vi-me andando sozinha pela estrada da minha vida, precisando pensar por mim mesma, decidir o que é melhor para mim e fazer o que eu achar adequado... sem cartas, platéia ou ajuda dos universitários.
Mais perdida que filho de puta em dia dos pais, tive que criar em meses o eu que deveria existir por anos. Preenchi o espaço de algumas coisas que haviam sido tiradas de mim, assim como daquelas que eu mesma tive que jogar fora. Refiz minha caderneta de prioridades, remontei meu manual de certo e errado. Reinventei meus princípios e reconstruí minha torre de prazeres. Preenchi comigo quase todos os espaços livres do meu dia e a minha rotina é mais minha do que nunca. Excetuando-se a questão financeira (que nem é tão importante assim, né?), sou dona de mim mesma, e comigo faço e tenho feito o que eu bem entender, sem me preocupar com o que vão pensar ou aos princípios de quem vou ferir.
Claro que isso também tem seus aspectos não tão positivos. A começar pelos tais corações que andam dizendo que piso. Em minha defesa digo que só piso em quem se deixa ser pisado, e além do mais, já deixo bem claro o momento que estou vivendo a quem quiser saber. Todo mundo que paga pra ver tem que estar preparado pra perder, de modo que não nutro tanta culpa assim pela perda das fichinhas alheias. Outro ponto é que em alguns momentos me olho no espelho e não sei bem o que vejo, chego a parecer uma estranha à mim mesma. Porém pra quem não sabe exatamente o que é, não posso querer saber o que esperar encontrar no espelho todo dia de manha. É questão de tempo, sou uma criança aprendendo a reconhecer a imagem como minha.
Portanto, quando me perguntarem como estou, saibam que, embora a resposta jamais vá ser diferente, estou de fato bem. Criando e conhecendo a mim mesma. Coração cada vez mais duro, é verdade, porém cada vez mais ciente de porque vim ao mundo e do que é preciso abrir mão para conseguir sair dele com a sensação de objetivo cumprido. Ademais, fica a dica, pra ser feliz o ambiente não importa, nadica de nada. O segredo é o modo, não só como vemos, mas como encaramos o que nos cerca. E o primeiro e grande passo, conselho de mãe, já estava escrito na porta do Templo de Delfos na Grécia Antiga: "gnōthi seauton". De Sócrates traduzido para o latim, nosce te ipsum. Cristine também é cultura...
Há um certo tempo eu não tinha uma vida muito... própria... digamos assim. Costumava fazer aquilo que me era imposto a fazer. Pensava aquilo que me era sugerido pensar, sentia aquilo que pensava ser certo sentir. Meus desejos, sonhos e opiniões não eram exatamente meus, eram compilações alheias que julguei apropriadas a mim no momento. Em resumo, eu não era eu, simplesmente porque eu não existia. Não é difícil entender porque a sensação de "alguma coisa faltando" era tão grande. Até que, em uma dessas rasteiras que a vida nos dá, vi-me andando sozinha pela estrada da minha vida, precisando pensar por mim mesma, decidir o que é melhor para mim e fazer o que eu achar adequado... sem cartas, platéia ou ajuda dos universitários.
Mais perdida que filho de puta em dia dos pais, tive que criar em meses o eu que deveria existir por anos. Preenchi o espaço de algumas coisas que haviam sido tiradas de mim, assim como daquelas que eu mesma tive que jogar fora. Refiz minha caderneta de prioridades, remontei meu manual de certo e errado. Reinventei meus princípios e reconstruí minha torre de prazeres. Preenchi comigo quase todos os espaços livres do meu dia e a minha rotina é mais minha do que nunca. Excetuando-se a questão financeira (que nem é tão importante assim, né?), sou dona de mim mesma, e comigo faço e tenho feito o que eu bem entender, sem me preocupar com o que vão pensar ou aos princípios de quem vou ferir.
Claro que isso também tem seus aspectos não tão positivos. A começar pelos tais corações que andam dizendo que piso. Em minha defesa digo que só piso em quem se deixa ser pisado, e além do mais, já deixo bem claro o momento que estou vivendo a quem quiser saber. Todo mundo que paga pra ver tem que estar preparado pra perder, de modo que não nutro tanta culpa assim pela perda das fichinhas alheias. Outro ponto é que em alguns momentos me olho no espelho e não sei bem o que vejo, chego a parecer uma estranha à mim mesma. Porém pra quem não sabe exatamente o que é, não posso querer saber o que esperar encontrar no espelho todo dia de manha. É questão de tempo, sou uma criança aprendendo a reconhecer a imagem como minha.
Portanto, quando me perguntarem como estou, saibam que, embora a resposta jamais vá ser diferente, estou de fato bem. Criando e conhecendo a mim mesma. Coração cada vez mais duro, é verdade, porém cada vez mais ciente de porque vim ao mundo e do que é preciso abrir mão para conseguir sair dele com a sensação de objetivo cumprido. Ademais, fica a dica, pra ser feliz o ambiente não importa, nadica de nada. O segredo é o modo, não só como vemos, mas como encaramos o que nos cerca. E o primeiro e grande passo, conselho de mãe, já estava escrito na porta do Templo de Delfos na Grécia Antiga: "gnōthi seauton". De Sócrates traduzido para o latim, nosce te ipsum. Cristine também é cultura...