segunda-feira, 28 de dezembro de 2009

É Rapunzel, larga o telefone e vai capinar.

Dando, então, continuidade ao papo calcinha "ele não me ligou no dia seguinte", reafirmo, do topo da minha experiência de 22 anos e agarrada a toda certeza do mundo, que quem realmente quer, consegue. Isso se aplica a quase qualquer campo da nossa existência, e, obviamente, a caça ao sexo oposto (ou ao mesmo né, vai saber as preferências de cada um) não seria diferente.

Entretanto a certeza de que se o indivíduo realmente quisesse teria encontrado uma maneira de te contactar não significa, necessariamente, que o papel de correr atras tenha que ser exclusivamente masculino. Até porque "correr atras", além de extremamente relativo, é uma coisa que depende de vontade. E vontade, meus caros, é algo quantitativo, com um inifnito espectro de possibilidades entre o sim e o não.

Explico-me. O gostosão não te procurou, porém isso não quer dizer, necessariamente, que ele não está afim de ti, apenas que ele não está tão afim a ponto de abalar aquela bundinha que tanto te fascinou do sofá ao telefone, ou msn ou fogueira para sinais de fumaça. Claro que ao fator vontade se soma o fator limiar de disparo, cada homem tem o seu e tem uns que precisam ter encontrado a mulher dos sonhos para tomar alguma atitude. E, infelizmente, não são todos os dias que acordamos com o perfil de "dos sonhos" de alguém.

Mergulhada em tantas possibilidades a gente não tem mesmo como saber o que se passa naquela cabeça de testosterona, não na de cima, pelo menos, pois na de baixo as possibilidades são poucas e a opção é padrão. Daqui pra frente depende muito do que tu te permites fazer, qual o teu limiar de disparo e o quão afim do rapaz tu estas, lembrando que a regra da quantatividade e multiplicação de fatores também se aplica aqui, numa média ponderada, exatamente do mesmo modo como se aplica para eles.

Eu, particularmente, ansiosa como só a Cristine sabe ser, sofro muito mais com a espera do que com a rejeição direta, assim sendo, se eu estou afim de ver o cara eu ligo, mando mensagem, chamo no msn, só sinal de fumaça que nunca tentei. E por mais que eu pense só consigo ver vantagens, pois do 'não' abreviei a espera, suprimi a angústia e logo parti pro próximo. Do 'sim', vivi maravilhosos (e alguns nem tão maravilhosos assim) momentos que, se não o prazer esperado, trouxeram aprendizados que ninguém senão eu mesma poderia ter trazido à minha vida.

Portanto, eu corro atras sem medo de ser feliz, afinal quem pilota minha vida sou eu. Chego a sentir-me nauseada só de pensar na possibilidade de entregar nas mãos de uma ficada qualquer a direção do meu dia seguinte, ou semana, ou vida toda, não tem como saber. É claro que durante a tentativa apego-me à possibilidade de alto limiar de disparo de investida da criatura, porém mantenho sempre em mente que a possibilidade de o cara realmente não estar tão afim de mim existe e eu vou ter que lidar com ela caso se revele verdadeira, doa o quanto doer.

Até porque, como já muito bem dito por Shakespeare, podemos cuidar do nosso jardim e esperar que a vida faça o resto. As técnicas de jardianagem é que cada um escolhe a sua.

sexta-feira, 18 de dezembro de 2009

Abaixo ao Complexo de Rapunzel

Andei pensando bastante ultimamente (ta, conta uma novidade) a respeito de uma das maiores fontes de angústia feminina: o príncipe encantado que não foi resgatar a princesa no dia seguinte. A nascente do pensamento foi um filme que vi, indicado por umas amigas: "Ele não está tão afim de você/He's Not That Into You". Boa pedida pra quem gosta daquelas comédias românticas bem mela cuecas. Entretanto o filme representa bem mais que isso, eu diria até que toda mulher tem mais que a obrigação, tem o dever moral de assistir, em prol de uma vida mais digna dentro das calcinhas.

Alerta de spoiler ligado, o filme começa indagando por que nós mulheres somos ensinadas, condicionadas, a pensar que quando os homens se comportam como idiotas não é porque eles sejam de fato idiotas, mas sim porque eles gostam de nós. Beleza que é muito mais fácil lidar com a situação quando a gente consola nosso ego arrombado com uma fantasia infundada, todavia de vez em quando lidar com a realidade é necessário. Já dizia um sábio amigo meu, nem sempre é bom parcelar o débito em suaves infinitas prestações, paga a vista e te livra logo do problema. Sabe a história do Band-Aid? Pois é, também serve. Céus, como sou boa em exemplos.

Assim sendo, caras amigas, quando o gatinho não ligar no dia seguinte, nem no outro nem nunca mais, na cúpula das fofoqueiras obviamente irão dizer que ele perdeu teu telefone, está sem crédito no celular, ficou assustado com teu sucesso profissional e, se as amigas forem um pouquinho mais criativas, até a história de que ele te acha superior demais e não merecedor do teu afeto pode surgir. Dar ouvidos ao bando de encalhadas que te cerca pode até confortar teu coração aflito, porém acreditem em mim, ligar pro cara e receber um sonoro (mesmo um não tão sonoro assim) "NÃO" é muito mais difícil de lidar do que aceitar desde o início que o cara não está afim de ti (e isso que eu nem mencionei o cara que só quer te comer). Até porque, sejamos francas, os caras que estão mesmo a fim da gente são bem poucos, e em geral a gente não quer saber deles.

Então gurizada, segue o baile. Se esta esperando ligação, leva o celular pra festa. A existência feminina fica muito, mas muito mais fácil quando a gente entende que o fato de tu ter gostado muito do cara e ter lançado sobre ele todas as tuas apreensões de princesa presa em uma torre, não necessariamente faz com que o príncipe encantado esteja nos seus dias de salvador. Príncipes também tem direito a férias, sabia? Eles também saem pra beber e também tem suas noites de sexo sem compromisso. Entretanto, quando o gostosão encantado quiser te salvar, ele vai te salvar, não importa a altura da torre nem quantos dragões tiver que encarar para isso. Pois é, Rapunzel, arruma esse cabelão e vai te divertir, porque quando teu príncipe aparecer tu não vais precisar jogar o cabelo para ele subir. Quando o cara quer, o cara vai atras.

domingo, 22 de novembro de 2009

Manda um "y", aí.

Não, eu não sou lésbica, mas também não faço a mínima questão de esconder (bem pelo contrário, aliás) que se eu tivesse tido a chance de escolher qual o bendito cromossomo que iria fazer par ao "x" da mamãe, eu teria escolhido um másculo e poderoso "y".

Claro que vagina e peitos tem lá suas vantagens, não nego, mas eu, francamente, daria o cu pra poder voltar atras e nascer com um tico, e nem precisava ser um tico grande. Aí vai vir um cretino metido a espertinho e mandar eu fazer uma operação de mudança de sexo. Tirando o fato de que eu seria gay (de tanto que eu detesto buceta), talvez se essa idéia tivesse sido dada pra minha mãe, algo tipo 22 anos antes, eu não me oporia. O problema é que agora eu já fui criada pra ser mulherzinha, e a grande verdade é que o que me incomoda MESMO em ter ovários, não é exatamente o ovário, mas essa cacetada toda de hormônios que ele produz somado aos inconcebíveis pensamentos intrinsicamente femininos.

Pensem comigo, só o fato de não mesntruar, poder ser pai sem sofrer, não ter relevância a ação da gravidade sobre os peitos e poder fazer xixi não importa o quão imundo esteja o banheiro já são vantagens que superam (quase) todas as ditas vantagens femininas. Quando começo a pensar nas vantagens sociais, então, tenho vontade de espancar o filho da puta que inventou a tal diferença entre os sexos, e só tenho mais certeza de que 'justiça' é a maior piada da nossa existência patética.

Acham que eu to exagerando? Pois aposto que alguém aí ja pensou "que feio, menina falando tanto palavrão". Piça pra vocês. Falo palavrão mesmo, nem tô. Mas se eu fosse homem isso seria normal e, mais que isso, esperado, viado seria eu se NÃO falasse. Tomar no cu mesmo. Sem contar que sempre tem mulher pra gostar de um feinho simpático pra ser só dela, homem só come se for gostosa, e só pensa em algo mais se o sexo for bom, quando pensa.

Outra coisa, homem solteiro aos 35 é opção, mulher solteira ao 35 é encalhada. Homem que pega geral é garanhão, mulher é puta. Bunda de homem não interfere na vida profissional. Cabelos grisalhos pro homem é charme. A velhice torna os homens experientes e as mulheres fofoqueiras. Homem engorda e fica simpático, mulher engorda e fica gorda. Homem pode pensar em sexo o tempo todo, além de que querer comer todo mundo é normal. Homem quando leva um fora pra partir pra outra só precisa de uma bunda (ou peitos) dando sopa no local. E, é claro, comprar camisinhas é honrado, jamais constrangedor.

Falando da sociedade feminina em particular, homens não precisam se preocupar em estar mais bonitos e arrumados que outros homens, ninguém vai reparar neles. Homem não precisa ficar maquinando sobre quem pode estar falando mal dele nesse exato momento. Amigo sempre respeita namorada de amigo. Cinismo é opcional, mas um soco sempre resolve de um modo muito mais adequado a situação. Ah, o que eu não daria pra poder distribuir uns socos por aí.

Eu ficaria até amanhã listando vantagens, mas infelizmente não posso, tenho que ir lá trocar o absorvente, retocar a maquiagem e discretamente fugir de uma cara chato que não larga do meu pé, enquanto o carinha que eu queria pegar ta lá, bem faceiro, tentado pegar aquela insossa. Aí eu volto pra casa sozinha, com aquela sensação de vazio, querendo dar o cu em troca de um mísero abraço.

Não apenas o cu, mas o que eu não daria para poder vestir as calças e ser feliz sem preocupação com detalhes. Se é que me fiz entender.

sexta-feira, 6 de novembro de 2009

Eu me Basto

Ninguém precisa queimar meu filme, afinal é como eu sempre digo, eu me basto. E me basto plenamente, para quase qualquer coisa. Só não sei cozinhar. Todavia antes que minha prolixidade inata leve à fuga do tema, vou fazer o que vim aqui pra fazer, e que ninguém pode fazer por mim (e não é xixi).

Em fim, no meio de todo aquele tédio repleto de coisas para se fazer que no fim não se faz nada, recebi (e li, o que é mais surpreendente) um e-mail, desses de bobagem, com uma lista de coisas imbecis que as pessoas comumente fazem. Baseada nas respostas da pessoa que mandou o e-mail (cuja identidade será mantida em sigilo para a proteção da mesma), percebi que eu sou muito, mas muito imbecil. E como parte da minha imbecilidade é saber dar risada da minha própria cara, decidi fazer uma lista pessoal e, sabem como é, compartilhar com outrém a alegria de rir de mim mesma.

Não que rir de alguém que faz idiotices que todo mundo faz seja engraçado, a questão é quando muitas idiotices vem juntas. Até porque, sejam sinceros comigo, quem nunca tentou encostar a língua no cotovelo? Eu já, e não consegui. Não se sinta idiota por estar tentando agora, ok?

E o fato de eu ja ter perdido o chiclete da boca em meio a um discurso provavelmente infundado não é tão anormal, é? E nem vem que eu não falo demais. Não mesmo. Juro. E só porque eu já me engasguei com a minha própria saliva porque não deu tempo de engolir não significa que to errada, né? Engasgar com chiclete acho que nem se fala. E anormal é quem nunca engasgou com as balas soft, fala sério (desenterrei a bala soft... to ficando velha).

Deixando as engasgadas de lado, atire a primeira pedra quem nunca acenou para alguém na rua sem que esse alguém fosse o alguém que tu pensaste que fosse. Maior vergonha o abano no vácuo. E por falar em vácuo, beijar erroneamente a boca de alguém ao cumprimentar é bem desagradável, quase tanto quanto fazer menção do terceiro beijo (pelotenses...) e ficar com o biquinho não correspondido. Dou a dica "3 pra casar, to encalhada, preciso de ajuda" quase sempre melhora o clima e a vergonha vira piada, quando a piada mesmo é somente tu.

As besteiras que fazemos no sono deveriam ser perdoadas, poxa, eu já dei de cara em algo invisível quando tentava ir fazer aquele xixi madrugadal, assim como já caí da cama (e no meu caso foi muito mais idiota, caí do andar de cima do beliche). Seguidamente acordo babada e não raras são as vezes que acordo achando que estou caindo. Todo mundo já passou por isso. Né?!?

Eu também já mandei mensagem de texto para a pessoa errada, assim como já liguei para o número errado também. Não satisfeita, liguei duas vezes consecutivamente para o (mesmo) número errado. Já pensei em algo muito mais muito engraçado que só eu sabia o que era, dei muita risada sozinha e no fim não consegui explicar a graça pra ninguém. Eles não entenderia, afinal. Freud deve explicar. Espero que também explique por que eu já chamei a professora de "mãe" e, principalmente, por que é tão comum eu dar risada com a boca cheia do que quer que seja e acabar cuspindo tudo. Não maliciem, ta gente?

E pra finalizar, na sessão "não tão idiota, mas o Alzheimer gostosão ta me pegando", já calcei o sapato esquedo no pé direito, e ainda não entendi o desconforto. Já vesti a roupa do avesso e sequer me prestei pra achar a costura estranha. Já saí na rua com a etiqueta do preço anexada à roupa, óbvio que era promoção. Já coloquei sal no café, mas a culpa eram dos potes mal identificados, juro. Já tentei servir bebida com a tampa da garrafa fechada, assim como também já derramei alguma coisa na mesa achando que estava acertando o copo. Já procurei loucamente alguma coisa que estava muito bem escondida na minha mão. Já empurrei quando dizia "puxe", e olha que eu já sabia ler. Já apertei os botões do controle remoto com mais força quando a pilha estava fraca, e ainda mais força usei quando não funcionou. Tu não tens teto de vidro, tens?

Sejamos francos. Eu sou imbecil, ok, aceito. Mas todo mundo carrega consigo um pouquinho de imbecilidade também. Garanto, a vida é muito mais divertida pra quem consegue rir de si mesmo, bastando unicamente a si ou não.

sexta-feira, 30 de outubro de 2009

Adeus aos Manuais

Antes de mais nada, eu gostaria muito de saber quem foi que, diabos, inventou essas tais "regras" de comportamento social, as quais regem como as pessoas devem vertir-se, o quanto devem pesar e, o que mais me irrita em todas elas, como devemos agir e o que devemos em sentir em determinadas situações pré-estabelecidas. Não que eu, particularmente, ache que velório é um bom lugar para um show de piadas, entretanto eu realmente gostaria que no dia em que eu finalmente bater as botas as pessoas fizessem uma listinha das pérolas da minha vida - exemplos não irão faltar - e pudessem dar um pouco de risada da minha cara branca e gelada (e agora morta).

Todavia é óbvio que não era exatamente de piadas em em velórios o que eu queria falar quando comecei a escrever, mas seguindo o exemplo, acho absurdamente infundada a idéia de que mulher tem que ser romântica e esperar que cada cara que ela fica seja o seu príncipe encantado montado em um cavalo branco vindo resgatá-la das garras negras do dragão da solteirice. Sinceramente, foi-se o tempo em que ser solteira era uma coisa feia, impura e de mulheres perdidas na vida. Hoje em dia a gente não quer mais saber dessa coisa 'amélia' de lavar, passar, cozinhar e dar ao bel prazer do marido, bem pelo contrário, aliás. Gosto muito de ter a liberdade de escolher quando limpar a casa (ou pagar alguém para fazer isso), ir às festas acompanhada da ordem das solteiras, sair de lá bêbada sem saber exatamente como voltar para casa e, o mais revolucionário de tudo, escolher de acordo com a minha vontade quando e para quem entregar o corpinho. E se no dia seguinte eu acordar de ressaca, no meio da bagunça e acompanhada de um desconhecido, gosto muito de poder escolher nunca mais olhar para a cara do infeliz. Bebi, dei e não me apaixonei, isso não faz de mim uma vagabunda nem menos digna de qualquer dessas coisas que as que casam virgens merecem. É quase 2010. minha gente!

Agora, vamos pensar em uma situação semelhante porém com desenrolar um pouquinho diferente: bebi (ou não), dei (ou não) e me apaixonei. Há quem diga que no coração não se manda, eu, particularmente, discordo, mas não é esse o ponto. A questão é: to apaixonada e esperando desesperadamente que toque o telefone que parece que não vai tocar. Contraditório isso, é feio dizer que peguei e não me apeguei, entretanto soa tão mal quanto assumir que está sentada, sacudinado a perninha, escorando o queixo na mão, olhando para aquele aparelhinho maldito que sisma em permanecer em silêncio. Quem quer que tenha proclamado as tais regras, por favor decida-se, ou sou mulher-macho ou sou mulherzinha, as duas coisas ao mesmo tempo definitivamente não da. Supondo um estilo mais mulherzinha apaixonada, então entregue-se e curta profundamente esse momento "casa das sete mulheres". Não tem porque negar, a gente sofre, chora, espera, torce e até reza. Não importa muito se no final vocês casaram e tiveram lindos filhos com a cara do pai, ou se ele nunca deu sinal de vida e tu acabou por desencanar após breve surto depois de encontrá-lo aos beijos com outra em alguma festa, o importante é reconhecer e assumir uma postura condizente com o que se sente, o que TU sentes, jamais com o que irão pensar de ti.

A paixão é linda, disso todo mundo sabe. O que parece que pouca gente vê é que a falta de paixão também é maravilhosa, desde que a gente se permita aproveitar o que cada situação tem de bom. A gente tem que parar de se prender a convenções sociais, sejam elas quais forem. Se eu estou um pouco acima do peso? Grande coisa, até barriguinha saliente tem seu charme. Tenho o cabelo crespo? Tenho mesmo, não faço chapinha e assumo meus cachos com o volume que eles tiverem, minha cara não combina com cabelo liso mesmo. Sou branquela? Sol causa câncer de pele, não recomendo. E, finalmente, peguei e não me apeguei? Pois é, o cara não soube me fazer cair de quatro (no bom sentido, é claro - ou não - ). Fiquei apaixonadérrima por alguém que não me da a mínima bola? Paciência, meu coração é trouxa, mesmo, daqui a pouco as endorfinas serão metabolizadas e ficar olhando o telefone deixa de ser interessante. É maravilhosa a sensação de liberdade ao me livrar do manual de "como me portar hoje em dia". Sério. Excetuando-se o fato de que agora eu sou obrigada a sair da minha casinha e ir votar toda bendita eleição, benditas sejam aquelas que queimaram sutiãs.

quarta-feira, 21 de outubro de 2009

Segura na mão de Deus e vai...

Algumas pessoas são anjos, porém sem asas.

Ela é um anjo.
Ela ia à missa todo domingo de manhã.
Ela fazia comida para dar às crianças de rua todos os dias.
Ela tirava seu próprio casaco caso visse alguém passando frio na rua.
Ela criou três filhos sozinha, enfrentando uma viuvez inesperada e a consequente falta de dinheiro.
Ela deixou de "viver" para dedicar-se à amparar seu pai doente, logo em seguida à mãe.
Ela sempre foi o porto seguro de qualquer um que sempre precisou de apoio.
Ela pegava minha mão toda noite na hora de dormir, enquanto ouvíamos os sapinhos do terreno do lado.
Ela me levava a mamadeira na cama no outro dia de manhã, enquanto brincávamos de esconde-esconde embaixo da coberta de pena que tinha o cheiro dela.
Ela passava boa parte da manhã procurando os óculos para então perceber que eles estavam pendurados em seu pescoço.
Ela ria disso.
Ela sempre tinha bala azedinha no guarda - roupa.
Ela sempre tinha talquinho.
Ela sempre tinha água - benta na entrada do quarto, bem como muitos santinhos e imagens espalhados pela casa.
Ela fazia arroz e antes de servir enrolava a panela em um saco de pão. Era o melhor arroz do mundo.
Ela adorava arroz, feijão e maionese.
Ela ia ao supermercado comigo, e sempre teve paciência com uma criança chata pedindo tudo ao redor.
Ela brigava comigo quando eu deixava as coisas fora do lugar ou as gavetas abertas.
Ela fazia croché com uma perícia incrível.
Ela cuidava de suas roseiras quase como se fossem uma criança.
Ela encerava a casa e brigava caso eu andasse de pés descalsos.
Ela comprava meias com anti-derrapante para mim.
Ela me ensinou a jogar "cinco - marias" com pedrinhas de brita.
Ela fez saquinhos de "cinco - marias" com arroz dentro quando eu comecei a machucar os dedos com a brita.
Ela cuidava das parreiras para que as uvas fossem sempre bonitas e gostosas.
Ela me ensinou a fazer "tripa de porco" quando algo me desagradasse.
Ela tinha o pé do jeito que eu queria ter.
Ela tinha unhas que nunca quebravam.
Ela não tinhas cócegas em nenhum lugar do corpo.
Ela não sabia escrever, mas eu sempre achei linda a letra de quando ela escrevia seu nome.
Ela era canhota. Por causa disso sempre odiei ser destra.
Ela não gostava muito do cabelo dela, mas eu sempre achei lindo. O prateado dava um charme ao liso natural.
Ela era linda.
Ela tinha a paciência de um anjo.
Ela contava rindo sobre como ficou viúva.
Ela sempre achava o lado bom das coisas.
Ela ria de qualquer situação, o que as tornava não tão ruins assim.
Ela realmente sabia viver.
Ela foi a melhor nonna que eu poderia ter tido.
Ela foi a melhor pessoa que eu poderia ter conhecido.
Ela foi a melhor pessoa que poderia ter existido.
Ela sempre vai morar na minha mente e no meu coração.
Ela me ensinou a dançar a "dança do pezinho"

'ai bota aqui, ai bota ali o seu pezinho
seu pezinho bem juntinho com o meu
mas depois não vá dizer que você me esqueceu'

Tudo tem seu tempo. Tudo tem seu fim. Missão cumprida.
Descansa em paz.
Volta pro teu lugar junto aos anjos. Segura na mão de Deus e vai...

domingo, 4 de outubro de 2009

Meu Blog por Mim Mesma (e o Google)

Eu tenho um blog (constatação inútil, afinal se tu estás aqui, provavelmente já é portador dessa informação). As vezes eu até acho meio idiota 'teen' essa coisa de diário virtual, mas aí eu penso que sempre tem a possibilidade de eu vir a ficar rica com as coisas que escrevo (da série 'quem me dera'), então deixo minha preocupação imbecil pré-adolescente de lado. Nao tenho bem certeza, mas acho que dei início às minhas atividades virtuais quando eu ainda nem tinha computador próprio, meados dos meus 17 ou 18 anos (atrasadinha, né?). Aí cansei da bagaça do windows live de lá, mudei de provedor e comecei tudo de novo, aqui. Naturalmente muito mais madura do que outrora (caindo do pé, até), algumas coisas ainda passam em minha mente exatamente do jeito que passavam 5 anos atras... como diabos as pessoas chegam até aqui, e que tipo de pessoa iria perder tempo se divertir lendo as coisas que alguém desinteressante ortodoxo como eu escreve.

Diferentemente de eras passadas, o oráculo Google esta aí para responder todas as nossas perguntas. Obviamente eu sou anta tecnófoba o suficiente pra não saber bem como funciona, mas a gente cadastra a conta no Google Analytics e ele nos da um relatório completo de quantas visitas tivemos, quanto tempo ficaram no site, de onde vieram, mais umas outras infinitas informações inúteis desinteressantes e algumas outras, no mínimo, curiosas, como as keywords que levaram a criatura até meu blog a partir de uma busca no oráculo Google.

Descobri que quase todo mundo que me visita vem referenciado do orkut (30%) ou da própria busca do Google (25%), o que já me da referências de por onde começar a apelar caso eu deseje por em prática algum plano de, de fato, ficar rica com meu blog (sonhar é de graça, ok?). Entretanto, o que realmente chocou chamou minha atenção, pelo menos a ponto de eu querer comentar a respeito, foram as tais palavras-chave que as pessoas digitam no campo de busca. Das duas uma, ou eu não usufluo de todo o potencial da internet ou as pessoas em geral manifestam interesses medonhos inusitados quando sentam na frente de um computador conectado à rede mundial.

Astrologia é a chave da divulgação, pois as variantes de "peixes com ascendente em escorpião" (digitado dos mais bizarros diferentes modos) respondem a quase 40% das pesquisas que foram direcionadas ao meu singelo espaço de divagação pessoal. Eu até tenho um texto cujo título é esse, entretanto deve ser meio frustrante chegar nele quando o que se quer, muito provavelmente, é alguma dissertação sobre a tal combinação dos signos. Eu, particularmente, acho que essa coisa toda de astrologia é meio de desocupado duvidosa, mas não deixa de ser interessante, até certo ponto. Aqui não é o lugar, mas na Wikipédia certamente vocês, astrólogos virtuais, vão encotrar o que procuram. Ficadica.

E em segundo lugar na corrida maluca vem as variantes (mais bizarras ainda) de "melanie klein - seio bom e seio mau". Aí sim pode ser que meus leitores saiam um pouco mais satisfeitos, afinal eu tenho um texto que fala só disso. Não é a coisa mais interessante e imparcial do mundo, mas até da pra aproveitar alguma coisa com um pouquinho de cérebro esforço. Entretanto, tetas à parte, o maior proveito que vocês poderão tirar do meu blog é que o contrário de BOM é MAU, com "u", não com "l". Ficadica². Agora esqueçam reforma ortográfica, ok? Hífen nunca foi meu forte antes... agora menos ainda.

E do terceiro lugar em diante vem os campeões em bizarrice diversão. Fico pensando o que exatamente a criatura queria encontrar quando pesquisou "a lagarta so vira borboleta quanto esquecer o passado". Meu blog certamente não era. Contudo a internet certamente é o melhor modo de entender como "a internet provoca alterações na mente humana", óbvio que meu blog explica, né google? O que o oráculo pode não saber saber é que alguem no estado de encalhamento solteirice em que me encontro talvez não seja a melhor pessoa pra falar "como encontrar um amor em 7 dias", "como reencontrar o amor da vida" ou ainda "amor da vida". Acho que o oráculo esta perdendo os poderes, hein...

Aí quando a gente acha que já viu de tudo nessa vida, a mente humana vai la e mostra que tem capacidade pra muito mais. Não que eu tenha preconceitos, mas alguém pra pesquisar "contos erotico com11anos vi o pinto do meu padrasto" não pode ser lá muito mentalmente sã normal. Não que nos dias atuais ver o pinto do padrasto seja algo muito incomum, infelizmente. Quanto a "eu tenho um seio maior que o outro", é normal meninas, quase toda mulher tem, e eu também, como já tinha dito aqui em outro momento, sem contar que ninguém além de nós mesmas nota a tal discrepância. É puro charme. Já no que tange a "faço hemodialise posso fazer lipo", cirurgiões plásticos e nefrologistas ganham dinheiro pra tirar essas dúvidas.

E por último, porém não menos importante, a dupla que divide o lugar mais alto do podium da bizarrice: "videos de homens que adoram chupar tetas gordas" e "videos com gordas peludas". Será que o oráculo ta dizendo que sou gorda? Ou gorda peluda? Ou tenho tetas gordas? Ou ainda que tenho tetas gordas, peludas, de tamanhos diferentes e disponibilizo vídeos? Esse Google só me fode me racha a cara... se pelo menos me ajudasse a enriquecer, né...

domingo, 27 de setembro de 2009

Nosce te Ipsum

Todo dia alguém pergunta como estou. A grande maioria das vezes, pra não dizer todas, respondo que está tudo bem. Resposta automática, porque a verdade é que em nada importa se estou bem ou não, a resposta vai ser sempre essa. Sejamos francos, ninguém que pergunta como estou e sequer para pra ouvir a resposta pode estar interessado em saber a verdade. Entretanto, nos últimos tempos, estranhamente para mim, a resposta tem sido, embora automática, verdadeira. Não que a minha vida tenha mudado muito desde os tempos em que mentia ao dizer "tudo bem", todavia o que mudou foi meu estado de espírito, o modo como meus olhos vêem o tudo igual que sempre me cerca.

Há um certo tempo eu não tinha uma vida muito... própria... digamos assim. Costumava fazer aquilo que me era imposto a fazer. Pensava aquilo que me era sugerido pensar, sentia aquilo que pensava ser certo sentir. Meus desejos, sonhos e opiniões não eram exatamente meus, eram compilações alheias que julguei apropriadas a mim no momento. Em resumo, eu não era eu, simplesmente porque eu não existia. Não é difícil entender porque a sensação de "alguma coisa faltando" era tão grande. Até que, em uma dessas rasteiras que a vida nos dá, vi-me andando sozinha pela estrada da minha vida, precisando pensar por mim mesma, decidir o que é melhor para mim e fazer o que eu achar adequado... sem cartas, platéia ou ajuda dos universitários.

Mais perdida que filho de puta em dia dos pais, tive que criar em meses o eu que deveria existir por anos. Preenchi o espaço de algumas coisas que haviam sido tiradas de mim, assim como daquelas que eu mesma tive que jogar fora. Refiz minha caderneta de prioridades, remontei meu manual de certo e errado. Reinventei meus princípios e reconstruí minha torre de prazeres. Preenchi comigo quase todos os espaços livres do meu dia e a minha rotina é mais minha do que nunca. Excetuando-se a questão financeira (que nem é tão importante assim, né?), sou dona de mim mesma, e comigo faço e tenho feito o que eu bem entender, sem me preocupar com o que vão pensar ou aos princípios de quem vou ferir.

Claro que isso também tem seus aspectos não tão positivos. A começar pelos tais corações que andam dizendo que piso. Em minha defesa digo que só piso em quem se deixa ser pisado, e além do mais, já deixo bem claro o momento que estou vivendo a quem quiser saber. Todo mundo que paga pra ver tem que estar preparado pra perder, de modo que não nutro tanta culpa assim pela perda das fichinhas alheias. Outro ponto é que em alguns momentos me olho no espelho e não sei bem o que vejo, chego a parecer uma estranha à mim mesma. Porém pra quem não sabe exatamente o que é, não posso querer saber o que esperar encontrar no espelho todo dia de manha. É questão de tempo, sou uma criança aprendendo a reconhecer a imagem como minha.

Portanto, quando me perguntarem como estou, saibam que, embora a resposta jamais vá ser diferente, estou de fato bem. Criando e conhecendo a mim mesma. Coração cada vez mais duro, é verdade, porém cada vez mais ciente de porque vim ao mundo e do que é preciso abrir mão para conseguir sair dele com a sensação de objetivo cumprido. Ademais, fica a dica, pra ser feliz o ambiente não importa, nadica de nada. O segredo é o modo, não só como vemos, mas como encaramos o que nos cerca. E o primeiro e grande passo, conselho de mãe, já estava escrito na porta do Templo de Delfos na Grécia Antiga: "gnōthi seauton". De Sócrates traduzido para o latim, nosce te ipsum. Cristine também é cultura...

sábado, 12 de setembro de 2009

Entre Lágrimas e Tropeços

Certa vez ouvi dizer que as maiores lições da vida não aprendemos na escola. Extrapolando para a faculdade, a assetiva permanece extremamente verdadeira, talvez até mais do que originalmente. Ainda tenho gravado na mente os principais marcos pelos quais passei ao longo dos quase 5 anos que curso medicina. O paciente terminal no primeiro semestre, a viúva no terceiro, a primeira anamnese no quinto, o primeiro exame ginecológico no sexto, a primeira morte no oitavo. As lições foram tantas e tão intensas que cheguei a quase acreditar que não havia em mim mais espaço para novos aprendizados em tão pouco tempo.

Foi quando, então, já na reta final do estágio da cirurgia, minha doce e insensata ilusão foi brusca, repentina e insensivelmente quebrada. Em resumo, um paciente de 49 anos com câncer de cabeça de pâncreas (câncer de gente famosa, aliás) com início de sintomatologia há apenas 1 mês desenvolveu insuficiência renal pós contraste de tomografia. Resumindo novamente, iria morrer, e logo (as 5 semanas mais longas da história também é coisa de Hollywood). A família foi chamada, a notícia foi dada e ficou no ar a pergunta: "dialisar ou não dialisar, eis a questão!". Não que o paciente fosse durar muito com a diálise, mas pelo menos ia durar um pouco (bem pouco) mais. A família decidiu não fazer a diálise e já agilizar possíveis transplantes, desejo manifestado pelo paciente em vida.

Do lado de fora da roda de pessoas que cercavam o residente da equipe, observei atenta a todos os questionamentos e sofrimentos manifestados pelos familiares daquele que estava prestes a passar dessa pra melhor. Lágrimas aqui, soluços ali, fungadas acolá, tudo dentro do esperado para a condição em que eles se encontravam. Porém o que de fato era meu maior interesse, e o que sem dúvida mais me surpreendeu no desenrolar da história, foi a reação do médico residente lidando com umas das situações mais difíceis com a qual um médico pode se deparar. E ele enfrentou tudo com seriedade, maturidade e talvez o mais importante, frieza. A frieza de um pilar indispensável à manutenção da sanidade perante tamanha fragilidade emocional. A frieza que eu, com os olhos cheio d'água escorada na parede ao lado, tenho certeza que não teria... pelo menos não agora, não desse jeito.

Claro que toda essa minha empatia com a sofrida família na verdade não passa de reflexo de um sofrimento meu desenterrado pela situação diante dos meus olhos, porém quantas vezes mais situações alheias despertarão em mim lembranças e sofrimentos a tanto enterrados? E quantas vezes mais não conseguirei domar minha própria dor e mostrar-me o porto seguro para aqueles que naquele momento precisam? Talvez nenhuma... talves muitas mais. Todavia ninguém nunca me deu um manual de como agir nessas situações.

E assim, às lagrimas e aos tropeços, o ciclo da vida continua para todos, sem exceção. A faculdade segue e as aulas também (apesar das intercorrências e férias suínas). Porém as lições, talvez as mais difíceis e mais importantes, profissionais ou não, virão com o tempo e provavelmente longe da sala de aula. Fica a grande dúvida se nós seremos capazes de aproveitá-las...

domingo, 23 de agosto de 2009

Dia de Encontrar o Amor da Vida

Todo mundo melhora após um término de namoro. Depois da tradicional fossa inicial, é claro. A gente chora, assiste filmes de romance acompanhada de uma panela de brigadeiro, vai à cafés tomar capuccino sozinha, dorme mal, descuida do melhor dia para ir ao cabeleireiro, fica tempos sem fazer as unhas ou depilação, não usa maquiagem. No fim das contas nos encontramos gordas, peludas, cheias de olheiras, o cabelo repleto de raízes e os dedos com mais cutícula que unha. A visão do inferno, sendo otimista.

Aí, quando a gente menos espera, vem aquela vontadezinha de subir depois de um fundo de poço bem aproveitado. A gente entra pra academia, decide fazer caminhadas diárias com o cachorro, volta a frequentar o salão de beleza, passa a fazer as unhas, adere à depilação radical só para experimentar e até muda a cor do cabelo, sem falar na maquiagem, que volta com força total. Os filmes são deixados de lado, capuccinos também, a programação agora é junto ao clube das solteiras. Até que a gente enche o saco de tudo isso e volta à programação normal.

Já de volta ao usual, a gente deixa de se preocupar tanto com o cabelo e a maquiagem, até ganha uns quilinhos de novo, se bobear. Volta a se preocupar com questões profissionais e o sábado chuvoso sozinha em casa vendo um filme (com ou sem brigadeiro) não é uma opção tão desencorajante como outrora (exceto, talvez, pra quem está demasiadamente preocupada com o peso). Com os fantasmas já exorcisados, começam a vir os dias em que os 15 minutos a serem dedicados à aparência passam a ser preciosos demais para o sono que jamais será suficiente, fazendo com que, inevitavelmente, cheguem os dias em que saímos de casa mal arrumadas, sem maquiagem, cabelo desgrenhado, com a cara inchada e repleta de olheiras.

Não sei vocês , mas eu costumo chamar esses dias de "dia de encontrar o amor da vida". Não que eu encontre um amor da vida toda vez que, por um motivo ou outro, saio de casa nesse estado (no mínimo, deplorável). Porém todas as vezes que encontrei um amor da vida em potencial (e que talvez tenha até sido o amor daquele período na minha vida), eu estava do modo supracitado pra pior. Claro que Murphy e eu temos uma relação demasiadamente íntima para que se tome esse exemplo como regra geral, mas vai dizer, as coisas sempre acontecem no pior momento possível, mesmo que seja algo muito e muito desejado. Obviamente não seria diferente com amores da vida... ou ofertas de emprego.

E e aí que, parando pra pensar, a gente percebe que não importa quantos quilos a gente ganhou nem quantas lágrimas rolaram nesse meio tempo, a gente simplesmente supera, as vezes até esquece, e segue vivendo. Conhece muitas outras pessoas, experimenta diversas outras comidas, vive incontáveis outras situações e enfrenta infinitas outras dificuldades, de peito aberto e rosto erguido, maquiada ou não. Até porque, sejamos francos, a vida fica muito mais fácil quando a gente se permite, permite engordar, permite chorar, permite curtir a fossa e, porque não, permite um dia de encontrar o amorda vida!

sexta-feira, 7 de agosto de 2009

Deprimo e como. Como e deprimo.

Nesse mundo globalizado não há quem não tenha ouvido falar no tal do "efeito sanfona". Pelo menos na televisão ou revista de fofoca, daquelas que indicam dietas milagrosas para perder 6kg em uma semana. Aos desavisados (o texto tem que ser completo, né?), sanfona é aquele instrumento musical (da pra chamar assim?) que se parece muito com uma mola, o qual aumenta e dimunui expulsando o ar e gerando som, estando ora grande e ora pequeno (a google não vai interpretar isso como pornográfico e deletar meu blog, vai?).

Pornografias à parte, eu sou exemplo vivo do efeito sanfona no peso. Lembro bem que com 13 anos pesava 62 Kg, e me achava uma baleia (e era, pelo menos comparada às pequenas meninas de 13 anos que circundavam meu habitat). Aí entrei pro CEFET e perdi um pouco do controle do peso, porém nunca esquecerei da apresentação de teatro em que fui um passarinho (bizarro, né?), antes da qual me pesei e figuravam 75Kg na balança. Aí os anos passaram, até que no final de 2008 a balança dizia que eu acrescentava à Terra 68Kg, o que particularmente bom para uma mulher grande e alta como eu. E aí, mês passado, no ambulatório, por curiosidade, subi na balança. Independente do frio e das muitas roupas que eu usava (calça jeans, bota, sobrepele, blusa gola alta, básica de lã e jaleco), o número que me encarava era 77,5.

Decidi que era MESMO a hora de comçar uma dieta, cortar os chocolates-quentes (maldito hífen) diários, diminuir o chocolate e ponderei até começar a comer salada. Comprei frutas, granola, iogurte light e tentei convencer a mim mesma que comer pouco de 3 em 3 horas iria satisfazer minha gula. Também decidi que caminharia 1 hora por dia (até porque academia foge do meu orçamento de universitária pobre). Caminhar diariamente nunca consegui, afinal é inverno, eu moro em Pelotas e curso Medicina. É frio, chove e eu costumo chegar em casa depois das 7 da noite. Mas a dieta até que durou uma semana, quando o estresse de uma vida fadada à encomodação sobrepôs meu repúdio pelo espelho.

Não sei vocês, mas entrar em cirurgia às 13:30h e sair da mesma às 21:30h ininterruptamente (leia-se: sem comer, sem fazer xixi, sem sentar e sem coçar o nariz) é o tipo de coisa que faz com que eu chegue em casa, além de 30 minutos depois (afinal eu não tenho carro e ando a pé), querendo comer o que aparecer pela frente, compulsivamente, em meio às lagrimas de irritação. Resumindo, é humanamente impossível para alguém emocionalmente instável como eu conseguir comer regularmente (e pouco) quando buracos cronicamente vazios na minha existência só são completados com comida.

Filosofias de banheiro à parte, eu deprimo e como, como e deprimo. É um ciclo vicioso que me deixa cada vez mais deprimida e cada vez mais gorda. Não é pedir demais conseguir despachar uns 10 quilinhos... é? Só preciso achar onde quebrar essa corrente... Até porque, gravem o que estou dizendo, na primeira oportunidade que a pobreza sair da minha vida (que eu espero que aconteça em no máximo 2 anos), eu vou fazer uma lipoaspiração. Bem que a minha sanfona podia permanecer fechada e quietinha, né?

domingo, 2 de agosto de 2009

Queria...

Eu queria um microondas...
queria uma estufa...
queria um casaco de cada modelo e cada cor...
queria muitos pares de sapato...
queria morar na europa...
queria ser rica...
queria ter nascido com o cabelo liso...
queria não ter a sobrancelha crespa...
queria nao ter compulsão por comida...
queria não ter celulite...
queria não ter gordura localizada...
queria fazer uma lipo...
queria não precisar fazer uma lipo...
queria ser simpática...
queria não falar palavrão...
queria saber aproveitar melhor o meu tempo...
queria poder ler tudo o quero ler...
queria conseguir escrever tudo o que quero escrever...
queria lembrar de todas as coisas...
queria esquecer de algumas outras...
queria esquecer até algumas pessoas...
queria ter minha mãe por perto sempre...
queria ter algumas pessoas longe para sempre...
queria apaixonar-me perdidamente...
queria nunca tornar-me vulnerável pelo amor novamente...
queria um marido perfeito...
queria ser solteira bem resolvida...
queria devolver toda a humilhação...
queria virar a página com a ferida cicatrizada...
queria nunca ter o coração pisoteado outra vez...
queria mandar em mim mesma...
queria mandar no mundo...
queria poder comandar os pensamentos das pessoas...
queria poder comandar os meus pensamentos...
queria que as coisas fossem como eu queria que fossem...
queria saber o que eu realmente quero.

quinta-feira, 16 de julho de 2009

Amores e Desamores

Amor é um tema que, embora esgotado, nunca esgotará. Pode-se falar de amores novos, amores perdidos, amores passados, amores reconquistados, amores platônicos, amores doentios, amores correspondidos. Amores que são amores e até amores que não são, de fato, amores. Tudo depende do coração de quem ama. Ou de quem não ama.

Não acho que amor, aquele dito como verdadeiro, pra existir precise despertar taquicardia ou sudorese, nem sequer as tais borboletas no estômago. Não vejo relação de obrigatoriedade entre amar e deixar tudo de lado pelo amor, nem fazer planos intangíveis para o futuro, ou não consequir imaginar a vida bem vivida sem outrém. Amar não tem que, necessariamente, ser intenso e ensurdecedor. Amar pode ser reflexo da calmaria de um céu azul sem nuvens. Sem ventania, sem vendaval.

O amor em brisa proporciona que aqueles que amam e são amados possam sentir-se perdidos em um campo repleto de flores perfumadas, sob a luz do sol, sentindo o leve ar da primavera no rosto enrubecido. O amor nunca deve se parecer com uma sala trancada, escura e fria. Amar deve sempre ser na dose certa, se demais tritura, se de menos tortura. Não deve secar nem transbordar. Que apenas flua.

Já experimentei amores barulhentos, intensos e fugazes, bem com já caí nas graças do sentimento leve e silencioso, carregado pelo vento. Já amei e não fui amada, já fui amada e não amei. E, ao contrário do que muitas pessoas alegam de suas vidas, posso dizer com segurança que já fui verdadeiramente amada enquanto amei. Passados os amores porém não as dores, digo que sou uma pessoa de sorte. Sorte por ter tido a oportunidade de sentir. Porque sofrer também é sentir. E é preciso sentir para viver.

Amei verdadeiramente. Agora acabou, e o espaço em meu coração agora está reaberto para um, quem sabe, novo amor, recém nascido ou renascido. Assim como funciona para mim, o coração daqueles que um dia me amaram também encontrará um novo alguém por quem sofrer. Não acho que um amor que tenha tido começo e fim seja menos verdadeiro do que aqueles que duram para sempre. Até porque o "para sempre" é aquela coisa que sempre acaba, cedo ou tarde.

segunda-feira, 13 de julho de 2009

Malditos Seres Bem Resolvidos

Eu invejo tanto as pessoas que são solteiras bem resolvidas, ou casadas bem resolvidas, ou gordas bem resolvidas e ainda as amgras bem resolvidas. Em fim, tenho uma inveja colossal das pessoas que são simplesmente bem resolvidas. Isso porque eu não faço parte do grupo dos bem resolvidos. Quando emagreço fico magra demais, quando engordo fico gorda demais, quando estou solteira quero namorar, quando namoro quero ficar solteira. Ser a pessoa menos resolvida que eu conheço dói muito, não apenas em mim, mas também nas pessoas que me cercam. E isso faz com que eu sofra duplamente.

Quando eu vejo aquelas pessoas que são convictamente solteiras, daquelas que pegam e não se apegam, adeptas do "lavou ta novo", eu chego a chorar de raiva, delas e de mim mesma. Desde que eu me lembre eu sofro por alguém. Vale ressaltar que "desde que me lembre" compreende meados de 2004. De lá pra cá eu NUNCA estive sequer um dia sem pensar em alguém, sem desejar alguém, sem sofrer por alguém. Esses 'alguéns' até mudam, uns mais rápido, outros mais devagar, porém todos em algum momento são esquecidos e enterrados, alguns são revividos e então reapagados novamente. O foco, na verdade, não importa muito, a questão é que eu não me lembro de um período na minha vida no qual eu estivesse plenamente satisfeita com o que me cerca, bem resolvida gorda ou magra, feliz sem nenhum foco de sofrimento por alguém.

E falando em ser feliz como sou, ainda ontem, com a cara enfiada em um balde, estive pensando no que eu pensaria de mim mesma caso a Cristine de 6 meses atras encontrasse, assim bem casualmente, a Cristine de hoje. Cara em baldes à parte, eu jamais me imaginei ouvindo sertanejo, cantando junto e curtindo as letras de corno. Isso sem falar no cabelo (momentaneamente) liso e na blusa de oncinha. Desconsiderando o fato de que eu estava parecendo uma onça prenha, muita coisa mudou em mim. E quando digo que mudou não me refiro apenas ao acréscimo bizarro ao gosto musical, mas sim à identificação com a letra de muitas dessas músicas, às festas e a quase inacreditável independência. E apesar de todas essas mudanças, tem coisas que provavelmente não mudarão jamais, e aí sim eu me refiro à eterna falta de resolução que sempre me acompanha.

Sofrer é ruim, todavia pior ainda é saber que todos esses anos eu não sofri por alguém, eu sempre sofri por mim mesma, porque eu sempre precisei sofrer. Se alguém for perguntar se eu sofro por alguém agora, é mais que óbvio que a resposta será "sim". Tenho chorado, esperado por um calento que não vem, praguejado minha falta de amor próprio. E é exatamente essa a questão, a mim falta amor próprio, para estar bem com o peso que que tenho, ou para sentir-me feliz e conseguir aproveitar o que cada situação tem de melhor, seja namorando ou solteira. Será que pedir apenas para ser bem resolvida é querer demais? Pelo menos inveja ainda não mata...


sábado, 4 de julho de 2009

Abandono

Meu blog andava meio abandonado. Um mero reflexo de como andam quase todos os aspectos da minha vida. Abandonei alguns sonhos. Deixei de lado vários desejos. Escanteei até algumas pessoas. Menosprezei a mim mesma. E o que talvez doa mais, escondi de mim e em mim o que eu estava e ainda estou sentindo. E parando pra analisar mais a fundo, o que dói é exatamente isso, o quão abandonada por mim mesma eu estou.

Continuo tomando banho todo dia, passando creme no cabelo, e até passo lápis no olho, mesmo que vá ficar em casa. Ainda escolho a roupa que me deixe menos gorda e não abro mão da combinação de cores, mesmo que digam que combinar cinto com sapato é coisa fora de moda. O que significa que, quem passa por mim na rua pode até pensar "bah, que guria feia...", mas acoplado a esse pensamento virá "coitada, só nascendo de novo, porque nem a produção ajuda". O abandono não é visível, não é palpável, não é mensaurável. Todavia é real e doloroso.

E aí eu pergunto a mim mesma, por que eu me permito isso? Sim, porque ninguém além de mim controla as pessoas com as quais eu me relaciono, os beijos que dou, as carícias que recebo e o amor que permito-me sentir. Assim sendo, se sofro por alguém, a culpa é inteiramente minha. A responsabilidade é minha, pois eu que me permiti sofrer.

E assim, abandonada segue a minha vida, minha índole, meu carater, meu amor próprio e meu blog. Até quando? Quem sabe até alguém vir salvar-me de mim mesma. Talvez esteja aí meu erro primordial, esperar por alguém, quando na verdade eu, e somente eu, deveria bastar.

quinta-feira, 18 de junho de 2009

A Saga da Gineco

Neste exato momento eu deveria estar estudando. Ginecologia e Obstetrícia. Uma especialidade médica, mas que eu, apenas uma graduanda, devo ter TODA na mente para a realização de um prova. Até aí tudo bem, um médico tem que saber um pouco de tudo, de fato. O que não está tudo bem é o motivo pelo qual terei que realizar essa prova, associado à situação na qual encontro-me para a tal avaliação.

Primeiro deixem-me explicar o funcionamente da cadeira de ginecocologia da UFPel. Média teórica, peso final 4, dividido em 3 avaliações escritas, de pesos 1.2, 1.4 e 1.4 cada. Média prática, peso final 6, nota dada por avaliação individual de cada aluno pelo grupo de professores. Três aulas teóricas semanais, mais duas manhãs de ambulatório prático. Maravilha.

Não é novidade pra ninguém que eu ODEIO gineco. Foi enfadonho estudar. E como. E não é que consegui médias 8.8, 7.2 e 8 nas provas teóricas? Faceiríssima, achei que tinha superado minhas próprias capacidades. Qual não é minha surpresa quando uma colega avisa que minha média final em gineco havia ficado em 5. Puts exame. Mais surpresa ainda fiquei quando vi que minha nota prática havia ficado em 3, tornando-se 1,8 na média final . De 6, os professores me deram 1,8.

Foi uma mescla de sentimentos, desde raiva, até desespero, passando pela impotência, sem esquecer da sensação de que eu devia mesmo ser um cú de aluna atendendo às pacientes da gineco. Fui falar com a professora 'chefa', tentar entender o porquê de tamanha desaprovação por parte dos professores. Grosseirias à parte, ela não explicou nada, porém nas entrelinhas disse que eu não tinha interesse pela disciplina, levei o ambulatório na brincadeira e costumava matar muito tempo para não atender mais pacientes. Por fora soube que ela disse para uma das residentes que eu não sabia atender pacientes, e que tinha é que rodar mesmo.

Nesse momento todos os outros sentimentos fundiram-se e viraram apenas raiva. Afinal, se querer ler o prontuário da paciente antes de chamá-la é matar tempo, sou matona e serei até o fim do meu exercício da medicina. E o que é muito pior, houve uma situação em que uma paciente gestante paupérrima de uma cidade próxima havia ido consultar no ambulatório de ginecologia da UFPel, e a ficha da coitada caiu nas minhas mãos. Devia mostrar um exame, porém o marido havia ido buscar enquanto ela dirigiu-se ao ambulatório para não perder a ficha. Devido a falta de condições financeiras ele foi até a FAU e voltou para a Leiga a pé. Pra quem não conhece, a passo rápido 20 minutos de ida e 20 de volta. A professora queria que eu dispensasse a paciente, para que ela retornasse outro dia com o exame em mãos. Preferi esperar um pouco, para que o marido chegasse e eles não perdessem a viagem e o dinheiro gasto, já tão escasso. Se essa espera foi por vagabundagem, foi com o intuito mais altruísta possível, e por nota nenhuma faria de modo diferente, nem agora, nem daqui 50 anos.

E em meio a essa raiva, rancor e esporro logo pela manhã, meus estágios curriculares tiveram início. O que significa que agora sou doutoranda, não tenho mais aulas teóricas, trabalho de graça para a faculdade e tenho uma intensa rotina a cumprir. No meu caso específico, deveria estar no bloco cirúrgico abrindo campo cirúrgico para algum cirurgião prepotente, ao invés de estar em casa estudando gineco e começando com péssima impressão o tão temido estágio.

A raiva me consome, a sensação de injustiça me destrói e o rancor toma conta de mim. Impotente, nada posso fazer contra o sistema. Resta apenas apegar-me à índole, não apenas como médica mas como pessoa, mantendo a conciência limpa de que o que fiz e como fiz, foi meu melhor. E de fato, pra ser um mínimo parecida com aquele tipo de profissional que encontrei na cadeira de gineco, prefiro largar a medicina e ir fazer outra coisa. E no mais, essa semana de cão vai ter fim, trazendo de saldo positivo o conhecimento ginecológico, o qual em algum momento certamente será útil.

Todavia a raiva... ahm vai ficar aqui por um tempo. A lição para sempre.

quinta-feira, 21 de maio de 2009

Da lagarta à Borboleta

Desde o primeiro momento em que comecei a pensar a respeito de como seria o meu ano de 2009 eu sabia que seria o ano marcado pelas mudanças. Das mais gritantes às mais singelas, certamente seriam as mudanças o carro chefe do meu ano. Não foi preciso nenhum poder à Mãe Dinah pra chegar a essa conclusão, qualquer pateta que não apenas visse, mas enxergasse as minhas possibilidades seria capaz de concluir a mesma coisa.

Eis então que, antes do esperado (bem antes do esperado, diga-se de passagem), as coisas começam MESMO a mudar. Em 2009. A começar pelo coração, metaforicamente falando, é claro. Amei, desamei, amei novamente, odiei, amei mais uma vez e, finalmente, a calmaria da consolação passada a desolação. Calmaria necessária para a tempestade, a qual mal sabia eu que estava por vir. Logo eu, tão descrente e desacreditada, a surpresa veio do único lado para o qual eu não estava olhando, o passado. E é exatamente assim que os acontecidos podem ser definidos, uma grande, inesperada e, até então, satisfatória surpresa.

E em meio a tantos amores e desamores, veio a mudança de casa, mudança de lar. Sonho adolescente morar sozinha, e, no entanto, quando ele bate à porta para realizar-se, o medo infantil vem junto, quase fazendo com que a cama se torne um esconderijo. Todavia infelizmente a vida não espera para que recuperemo-nos dos choques, e parar com o mundo girando não é mais uma opção. Sequei as lágrimas e de cabeça erguida juntei meus poucos pertences e esperei. Esperei pela oportunidade. Esperei para que tudo desse certo. Esperei tempo a seu tempo. E aí, assim como uma tempestade de verão, as coisas encontraram seus devidos lugares, e agora pairam, cada qual em sua gaveta ou prateleira, esperando apenas o meu comando para serem utilizadas. Sim, minha casa, minhas coisas, meu comando. Agora eu moro sozinha, eu limpo, eu cozinho e eu decido. Ainda choro, é verdade, mas choro no meu lugar ao sol.

E assim, deitada na minha nova cama, espero o passar dos poucos dias que faltam para o início dos estágios curriculares da faculdade. Trabalho escravo e inumano me espera. Sei bem que muitas crises de choro ainda virão, mas também sei que serão um obstáculo a ser transponido no caminho que me leva ao recanto profissional com que sonhei, e por que não, ainda sonho. E por falar em vida profissional, cada vem mais compreendo o que fez com que eu escolhesse os passos que escolhi, e a cada dia agradeço mais pelas escolhas que fiz, e até por aquelas que não fiz.

E aqui estou, novamente filosofando sobre coisas da vida, até porque existem algumas coisas que não mudam jamais. A quem interessar possa, estou bem, feliz, realizada e lutando com unhas e dentes (literal e figurativamente) pelas coisas que desejo, afinal mais ninguém além de eu mesma tem controle sobre a minha vida. E a partir de agora, do que é meu eu faço o que quiser. Felicidade é momento, e meus momentos escolho eu. Mudei, cresci e evoluí. E agora estou de volta, arrumado o casulo e mais borboleta do que nunca.

quinta-feira, 14 de maio de 2009

Filosofando sobre a Deprê.

Depressão está na moda. Vai dizer, todo mundo já entrou em alguma grande depressão alguma vez na vida. Não sei da onde tiraram essa visão besta de que estar triste é errado, de que chorar é pecado. Parece que todo mundo esquece que o que diferencia a tristeza fisiológica da patológica é o grau de congruência com o estímulo. Ta, nem eu entendi bem a frase acima, mas o que eu quis dizer foi que em determinadas situações (que todo mundo conhece bem onde aperta seu calo) é absolutamente normal ficar triste. Deprimido é aquele cuja tristeja é desproporcional ao estímulo, se é que há um estímulo. Capici?

Eu tenho estado triste ultimamente. Chorado pelos cantos e até pelos meios. Matado aula pra curtir a autodepreciação na solidão da minha casa. Sorrido de um modo que não convence nem a mim mesma, buscado apoio em qualquer vivente que tenha o azar de atravessar o meu caminho. Ando por aí cabisbaixa, pensando nas coisas da vida, enchendo os olhos de lágrimas e engolindo o choro antes que alguém veja. Tenho sentido-me mais sozinha do que jamais lembro de ter sentido. Tenho sofrido querendo um abraço, dormido sonhando com um toque afetuoso. Tenho desejado, implorado, até, por conseguir preencher um vazio que eu não sei como se preenche. Não tenho sido uma boa companhia para mim mesma, e ninguém além de mim tem machucado mais meu pobre coração.

Se eu acho que estou deprimida? Não. Todavia estou indubitavelmente triste, sem conseguir elaborar meus lutos. Trocando um objeto de obsessão por outro quando, na verdade, eu deveria aprender a não precisar de um objeto. Não tenho conseguido ser feliz comigo, muito menos bastar a mim mesma. E aí fica essa angústia causada por esse vazio que não se preenche.

Não é mole, né? Pelo menos eu vejo onde as coisas se inserem e o que eu devo fazer para arrumá-las. Por que, então, sigo agindo como se nada disso eu soubesse e não passasse de um mero animal regido por instintos? Eu sou um animal que brinca de pensar, mas que não consegue mudar seu modo de agir.

sábado, 2 de maio de 2009

Tapas da Vida

Fazendo um retrospecto mental dos meus últimos anos (e com isso lê-se 5), percebi que eu estava enganada em muitos aspectos. E digo 'muitos' com uma sensação um tanto quanto eufêmica, porque 'todos' (pelo menos os importantes) seria mais de acordo com a realidade.

Eu era muito bitolada. Ainda sou, é bem verdade. Entretanto creio estar paulatinamente conseguindo livrar-me dessas correntes de descrença que me prendem. Sendo mais específica, eu tinha um seleto grupo de amigos:



E esses amigos foram intensamente meus pelos aproximados 3 anos que durou meu ensino médio. Desentendimentos à parte, meus poucos e bons supriam totalmente minha necessidade de amizade e eu, adolescente, sentia que aquela confortável e estável situação jamais mudaria. Eis que veio a formatura, seguida do vestibular, e então o início da faculdade.

Iniciei a faculdade sentindo-me plena de amigos. E eu ainda namorava na época, estável, perdidamente apaixonada. O que significa que eu não me permiti encontrar novos amigos no novo ambiente que estava inserindo-me. O que me faz pensar em uma pesquisa recentemente publicada, a respeito do número máximo de amigos que uma pessoa pode ter, em que fica comprovado que o cérebro humano só consegre relacionar-se com um número X de pessoas. Faz sentido. Pois bem, apesar de toda a minha plenitude, comecei a relacionar-me, ainda que superficialmente, com algumas pessoas com quem encontrei mais afinidade:




Qual não é a minha surpresa quando a tal da amizade não dá la muito certo e a decepção tras a mim lembranças de decepções antigas regadas a intermináveis rios de lágrimas. Aceitado o tombo, retomei a posição ereta (sem malícia) e dei continuidade a meus passos, certa de que havia aprendido a lição: as pessoas não são confiáveis, logo, não confie em ninguém.

A vida seguiu seu rumo. Para mim e para todo mundo. O que significa que meu estável grupo de amigos dissolveu-se (fisicamente, não a amizade em si, entretanto um amigo longe não cumpre o papel de amigo com maestria, por mais amigo que seja). E aí eu deparei-me com a seguinte situação: amigos verdadeiros longes, ferida com falsas amizades (talvez chamar assim seja forte, mas na época foi o que senti) e desacreditada da possibilidade de novos amigos. Foi um período deveras complicado.

Eis, então, que devagarinho, como quem não quer nada, duas pessoinhas conquistaram o meu coração:

Se eu dissesse que por muito tempo não acreditei na fidelidade delas, estaria mentindo. Duvidei. E duvidei muito. Nesse ínterim devo ter até destratado muitas vezes. E ainda assim elas confiaram em mim, permitiram minha entrada em suas vidas, dedicaram a mim a mais sincera amizade. Decidi permitir-me confiar nelas, de carater extraordinário, de exceção. Continuei paranóide. Delirante, até, se bobear. Manti-me desacreditada. Plenamente descrente quanto a possibilidade de encontrar sinceridade em meu habitat.

E então, num piscar de olhos, deparei-me com a seguinte situação: morando sozinha, solteira, carente e com uma enorme sensação de solidão, poucos amigos, desconfiada, descrente. Que período bem difícil. Justamente nesse momento de dificuldade que a vida novamente estapeou-me o rosto e provou que eu estava errada. De novo. Nesses momentos difíceis e de choro fácil, duas pessoas, em especial, conquistaram seu lugar no meu coração e mostraram que é possível conhecer novas e boas pessoas, e que, embora o lugarzinho dos velhos esteja sempre reservado, novos e bons podem vir. E eles vêm mesmo. No caso, elas:




E depois de tanto tempo bloqueando-me e prendendo-me, algumas pessoas conseguiram libertar-me das minhas próprias correntes e provar que fidelidade é rara sim, mas ela existe. E que por mais sozinha que eu me sinta, eu tenho a quem ligar as 2h da madrugada simplesmente para chorar no ouvido de alguém, sem receber cobranças de volta, apenas o desejo de que a recíproca seja verdadeira. E sabe, depois de muito tempo, eu posso dizer que ela é. De verdade.

Nesse pequeno espaço de tempo também aprendi que amigos de verdade, no mais amplo sentido que a expressão pode ter, são raros, muito raros, exatamente por isso devemos lutar com unhas e dentes pelos que temos. O valor disso é imensurável. Entretanto, parceiros para festa existem aos montes, e já que não podemos ter crises matutinas de choro no ombro destes, então aproveitemos o que de bom eles tem a nos oferecer. A começar pelas aulas de como chupar:


Ou como fazer uma pose engraçadíssima, fazendo parecer que todo mundo quer morfar quando a idéia era só fazer "X":

Ou ainda ser plenamente retardado e sem culpa sobre a mureta do prédio da faculdade:

Ou toda a maestria de propor uma foto com pose de popozudas e não entrar na brincadeira (e obviamente não avisar esse pequeno detalhe):

Ou simplesmente cantar sem motivo, ser feliz sem motivo. Cantar na chuva, mesmo sem chuva:


Em fim, nesses últimos 5 anos tives muitas certezas na vida. E essas certezas mostraram-se falsas, todas elas. Confiei quando não deveria confiar, não acreditei quando podia acreditar, entreguei-me quando não deveria entregar, não me dediquei quando precisava dedicar-me. Errei e muito aprendi. Aprendi a me divertir, seja com quem for, até porque se alguém que perde a tua agenda vira a amiga mais querida do teu coração, por que um parceiro de festa não pode revelar-me uma pessoa de incrível valor a amizade?

Hoje não mais me iludo achando que tenho certezas. Quem garante que daqui 5 não anos não estarei relendo o que hoje escrevo e pensando como pude enganar-me tanto? Novamente? Até porque de todas as vezes que pensei ter encontrado todas as respostas, mudaram todas as perguntas.