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sexta-feira, 1 de abril de 2016

Tolerância

O mundo está um saco. Parece que a humanidade perdeu a capacidade de ter opiniões diversas sem entrar em guerra por isso. Pensando bem, acho que nunca fomos capazes de discordar de maneira salutar, e agora não tem sido diferente. 


Uma das polêmicas das vez (são tantas que não da para eleger uma só) que tem abalado a internet e posto em ação todos os juízes online de plantão é uma médica pediatra de Porto Alegre que achou por bem não ser mais a pediatra do filho de uma suplente a vereadora da capital do Rio Grande, filiada do Partido dos Trabalhadores (PT).


Vamos aos fatos:
- A médica pediatra optou em não atender mais ao filho da vereadora suplente e o comunicado da decisão foi realizado por mensagem de WhatsApp, que segue na íntegra:


17/03/2016, 12:06 – Maria Dolores Bressan: Bom dia Ariane. Estou neste instante declinando em caratér irrevogável, da condição de Pediatra de Francisco. Tu e teu esposo fazem parte do Partido dos Trabalhados( ele do Psol) e depois de todos os acontecimentos da semana e culminando com o de ontem, onde houve escárnio e deboche do Lula ao vivo e a cores, para todos verem(representante maior do teu partido), eu estou sem a mínima condição de ser Pediatra do teu filho.

Poderia inventar desculpas, te atender de mau humor, mas prefiro a HONESTIDADE que sempre pautou minha vida particular e pessoal.

Se quiser posso fazer um breve relatório do prontuário dele para tu levar à outro pediatra.
Gostaria que não insistisse em marcar marcar consultas mais.

Estou profundamente abalada, decepcionada e não posso de forma nenhuma passar por cima dos meus principios.

Porto Alegre tem muitos pediatras bons. Estarás bem acompanhada.

Espero que compreendas.

17/03/2016, 12:06 – Maria Dolores Bressan: Já vou desmarca aqui da agenda a consulta do Fransico.

17/03/2016, 12:10 – Ariane Leitão: Por favor deixe o prontuário do Francisco pronto, irei pegar o mais breve possível. No mais, só fico chocada. Só isso… no entanto, também prefiro declinar na convivência.

17/03/2016, 12:13 – Ariane Leitão: Ainda mais , em se tratando do cuidado do meu filho.

17/03/2016, 12:16 – Maria Dolores Bressan: Assim que estiver pronto peço para minha secretåria te avisar.

17/03/2016, 12:16 – Ariane Leitão: Obrigada


Vamos à legislação:

Código de Ética Médica:

Capítulo 1: Princípios Fundamentais

I- A Medicina é uma profissão a serviço da saúde do ser humano e da coletividade e será exercida sem discriminação de nenhuma natureza.

VII - O médico exercerá sua profissão com autonomia, não sendo obrigado a prestar serviços que contrariem os ditames de sua consciência ou a quem não deseje, excetuadas as situações de ausência de outro médico, em caso de urgência ou emergência, ou quando sua recusa possa trazer danos à saúde do paciente.

Capítulo 2: É Direito do Médico

I - Exercer a Medicina sem ser discriminado por questões de religião, etnia, sexo, nacionalidade, cor, orientação sexual, idade, condição social, opinião política ou de qualquer outra natureza.
Capítulo 5: Relação com Pacientes e Seus Familiares

É Vedado ao Médico:

Art. 36. Abandonar paciente sob seus cuidados.
§ 1° Ocorrendo fatos que, a seu critério, prejudiquem o bom relacionamento com o paciente ou o pleno desempenho profissional, o médico tem o direito de renunciar ao atendimento, desde quecomunique previamente ao paciente ou a seu representante legal, assegurando-se da continuidade dos cuidados e fornecendo todas as informações necessárias ao médico que lhe suceder.



Vamos ver se eu consegui acompanhar:
- Pediatra renunciou a cuidados do paciente alegando questões partidárias;
- Mãe concordou em declinar a convivência; 
- Pediatra avisou previamente;
- Pediatra forneceu prontuário do paciente;
- Mãe denunciou pediatra ao Conselho Regional de Medicina;
- Juízes da internet estão advogando para que a médica perca o CRM pois a atitude foi antiética, antiprofissional, coxinha e fascista. 




Sendo muito simplista e prática, tudo o que o Código de Ética exige para que um médico possa renunciar ao atendimento a um paciente, foi feito. Só podemos começar a discutir pelos motivos que levaram a médica a decidir revogar a condição de pediatra do filho da vereadora suplente.


Quando começamos essa discussão é que a gente volta ao ponto do grande saco que está o mundo atual e do inferno político-econômico que está submerso esse país. Estamos divididos em coxinhas e petralhas, em ricos e pobres, em pretos e brancos, em gays e homofóbicos, em machistas e feminazis, em quem compra em Miami e quem compra na 25 de março, em quem come pão com mortadela e quem come filé mignon. 


As pessoas não conseguem ter opiniões diferentes e conviver em paz com isso. Essa falta de tolerância fica extremamente clara quando uma pediatra não consegue atender à criança porque a mãe é PTista. E a mesma falta de tolerância é vista na mãe que não consegue aceitar que a médica deve ter autonomia no exercício da sua profissão, e, com isso, deve ter o direito de renunciar a um atendimento profissional quando não há bom relacionamento. Atitudes, essas, que espelham a intolerância presente na sociedade que crucificam médica e mãe, dependendo de que lado da balança política o juiz está. 


Muitos se fala em diversidade, muito se fala em tolerância. Muito pouco se faz, e a sensação que eu tenho é que, no quesito tolerância, a gente anda para traz. O mundo está mesmo um saco.

quinta-feira, 14 de maio de 2009

Filosofando sobre a Deprê.

Depressão está na moda. Vai dizer, todo mundo já entrou em alguma grande depressão alguma vez na vida. Não sei da onde tiraram essa visão besta de que estar triste é errado, de que chorar é pecado. Parece que todo mundo esquece que o que diferencia a tristeza fisiológica da patológica é o grau de congruência com o estímulo. Ta, nem eu entendi bem a frase acima, mas o que eu quis dizer foi que em determinadas situações (que todo mundo conhece bem onde aperta seu calo) é absolutamente normal ficar triste. Deprimido é aquele cuja tristeja é desproporcional ao estímulo, se é que há um estímulo. Capici?

Eu tenho estado triste ultimamente. Chorado pelos cantos e até pelos meios. Matado aula pra curtir a autodepreciação na solidão da minha casa. Sorrido de um modo que não convence nem a mim mesma, buscado apoio em qualquer vivente que tenha o azar de atravessar o meu caminho. Ando por aí cabisbaixa, pensando nas coisas da vida, enchendo os olhos de lágrimas e engolindo o choro antes que alguém veja. Tenho sentido-me mais sozinha do que jamais lembro de ter sentido. Tenho sofrido querendo um abraço, dormido sonhando com um toque afetuoso. Tenho desejado, implorado, até, por conseguir preencher um vazio que eu não sei como se preenche. Não tenho sido uma boa companhia para mim mesma, e ninguém além de mim tem machucado mais meu pobre coração.

Se eu acho que estou deprimida? Não. Todavia estou indubitavelmente triste, sem conseguir elaborar meus lutos. Trocando um objeto de obsessão por outro quando, na verdade, eu deveria aprender a não precisar de um objeto. Não tenho conseguido ser feliz comigo, muito menos bastar a mim mesma. E aí fica essa angústia causada por esse vazio que não se preenche.

Não é mole, né? Pelo menos eu vejo onde as coisas se inserem e o que eu devo fazer para arrumá-las. Por que, então, sigo agindo como se nada disso eu soubesse e não passasse de um mero animal regido por instintos? Eu sou um animal que brinca de pensar, mas que não consegue mudar seu modo de agir.

domingo, 11 de janeiro de 2009

Old, Present and Future Cristine.

Vamos supor que, por um infortúnio do destino, um doutor em língua portuguesa venha a encontrar meu blog e, por algum motivo absurso e abstrato, perca algum tempo tempo do seu dia lendo-o. Supondo isso, já aviso que eu desaprendi a escrever. Desde o dia 01/01/2009 eu faço parte de um imenso grupo de novos analfabetos, graças aos antigos analfabetos políticos, os quais decidiram unificar um idioma que não deveria ser unificado. Convenhamos, antigamente eu já não sabia muito bem o uso do hífen, agora o sei menos ainda. Sem mencionar o acento diferencial do "tem" singular e plural, e sabe-sa lá o que mais mudou e eu não estou sabendo. A parte engraçada disso tudo é que eu vou ser aquela avó que escreve "pharmácia" e põe acento em algumas palavras que não o tem. Ser do século passado pode ter lá suas vantagens.

No fim das contas essas mudanças no meu idioma repercutem em outros campos da minha vida. Um deles, que é o que convém no momento, é meu gosto e desejo por escrever. Não que meus textos sejam brilhantes, aliás, bem longe disso. Entretanto eu tenho certo apreço pela bela escrita, de modo que não meço esforços para que, dentro das minhas possibilidades de mera brasileira não estudiosa da língua, minhas criações sejam, no mínimo, sem errros grosseiros. E agora, como diabos vou escrever alguma coisa sem erros grosseiros se eu nem sequer sei mais o que é um erro de português, seja ele grosseiro ou não?

O exemplo do idioma é deveras pertinente, todavia é fato que essa situação de "antes era assim, mas e agora?" tem tornado-se um tanto quanto repetitiva na minha vida atual. Não deixa de ser um questionamento meio adolescente, de quem não está sabendo lidar com a transição entre reações infantis e adultas, o que, para quem tem 14 anos e está cheio de pêlos pelo corpo sendo que há menos de um ano não passava de uma criança brincando na caixa de areia, não é algo tão difícil de entender. Entretanto eu já passei dessa fase, já menstruo há quase 10 anos, não tenho mais vergonha de ter seios e os pêlos já não são tanto problema assim. E no entanto continuo tendo questionamentos adolescentes. Não que isso seja algo muito fora do comum, pois, psicologicamente, a adolescência vai até os 25 anos, o que me faz pensar que, por 2 anos, meus pacientes serão atendidos por uma médica adolescente. Dá pra acreditar? As vezes eu acho que não dá.

Quase incontáveis são as situações em que eu percebo como penso diferente agora do que pensava há 6 anos. Para citar exemplos, lembro de situações como as de hoje, domingos relativamente ensolarados e intensamente entediantes. Hoje, por decisão própria, preferi ficar em casa, vestida igual um mendigo, comendo apenas quando sentir fome, assistindo seriados de comédia americana no computador, praticamente hibernando no escuro do meu quarto. A Old Cristine enloqueceria, choraria com a cara enfiada no travesseiro, ligaria para todos os amigos disponíveis, sairia a caminhar sem rumo tentanto encontrar alguém com quem conversar, não importando quem fosse. Patético né? E a Future Cristine, como será?

Outras situações, também incontáveis, são as que desejo do recanto mais profundo da minha alma pensar diferente, agir diferente, ser diferente, porém é com grande pesar que realizo que ainda sou a mesma criança chorona que sempre fui. Novamente citando exemplos, sinto-me assim em situações de relacionamentos interpessoais, de amizade também, mas principalmente homem-mulher. Quando mais nova eu apaixonava-me e desapaixonava-me com muita facilidade, sonhava com o príncipe encantado vindo salvar-me montado em um cavalo branco, desejava casamento, até mesmo filhos, e um "felizes para sempre", até o sonho ficar sem cor e aparecer um novo príncipe na história. Convivia com as famosas borboletas no estômago, sentia-me taquicárdica e confabulava em demasia a respeito da correspondência ou não do sentimento. A Present Cristine, apesar de algumas sutis diferenças, ainda é sonhadora, demasiadamente sonhadora. E isso dói, dói como mil facas penetrando meu peito. Claro que dentre as sutis diferenças entre a Old e Present Cristine, uma delas é que eu não me apaixono mais com tanta facilidade, assim como desapaixonar também é muito mais duro que outrora.

E as mundaças não param. Nunca. Há quem diga que tudo pode mudar, porém as coisas importantes não mudam jamais. Eu discordo, pois foram as coisas mais importantes da minha vida que mudaram nos últimos tempos, ou pelo menos foram essas que eu notei a diferença. Quanto a escrita, quem sabe um dia eu venha a reestudar regras gramaticais e volte a fazer parte da casta linguisticamente privilegiada da população, até lá eu seguirei sendo a vó que escreve tudo errado, e sendo feliz assim (ou tentando). Claro que a todo dia agradeço a qualquer que seja a força superior que deu ao ser humano a tão importante e estimada capacidade de negar. Pois sim, eu nego, e não nego que nego. De resto, eu nunca gostei da trema mesmo.

quinta-feira, 25 de dezembro de 2008

Quem disse que não posso?

Ainda ontem estava lendo um texto da escritora Martha Medeiros a respeito de prisões. Sim, prisões, essas mesmo, no sentido mais amplo e sutil da palavra. Amplo pois prisão não é apenas o Carandiru, e sutil pois todos nós vivemos enclausurados, apercebamo-nos disso ou não. Nossas escolhas nos aprisionam, certamente, entretanto muito mais que nossas escolhas, nossa própria mente nos torna escravos de pensamentos que nem ao menos são nossos. Nosso maior carrasco somos nós mesmos, mediante uma das funções psíquicas chamada superego. E é esse nosso superego, nosso maior inimigo, que impõe a nós punições muito mais duras que chibatadas em praça pública, nos trancafia em celas da nossa própria mente, das quais nenhum advogado será capaz de nos tirar. Não há quem tenha acesso à consciência alheia, aquela que pesa quando escoramos a cabeça no travesseiro.

Todos nós vivemos aprisionados em nossos próprios (pré)conceitos, estabelecidos desde nossos primórdios, aqueles que sabemos que temos mas não sabemos de onde os tiramos, muito menos por quê. Partindo para exemplos, desde que nasce a menina aprende que tem que manter as pernas fechadas. "Fecha as pernas, queridinha, estas de saia!"; "não deixa as pernas abertas assim, é feio pra uma menina"; e então a guria cresce achando que mulheres têm que crescer, amadurecer, aproveitar a vida, casar, ter filhos, envelhecer e morrer, sempre com as pernas fechadas. Por quê? Porque é feio uma mulher abrir as pernas. Mas por quê? Quem disse que não é bonito uma mulher manter as pernas abertas?

E assim são todas as coisas na vida. "Ai, não posso dar pra um desconhecido!". Mas não pode por quê, quem disse que não pode? "Puts, não posso trocar de emprego!"; "Não posso sair pra viajar sem rumo"; "Não posso sair sem maquiagem"; Não posso, não posso e não posso. Somos todos cheios de "não posso" quando na verdade ninguém nos proibiu de nada, além de nós mesmos, por motivos que sequer conhecemos. E essa é a nossa maior prisão, nosso maior cárcere, o que mais nos tolhe.

Portanto, querido leitor, de fato celebremos nossos cárceres privados com celas especiais, porém jamais esqueçamos que o carrasco é nossa mente, e apenas nós temos acesso a ela. Não podemos esquecer-nos disso. Não podemos? Pois que foi mesmo que disse que não podemos? E por quê?

sexta-feira, 5 de dezembro de 2008

A Magnífica Mente Humana

A realidade pode ser muito dura de vez em quando. Para todo mundo. Quem aqui nunca, sequer por alguns instantes, fugiu da realidade? Todo mundo. Pois não pense que aquela tua punhetinha sem compromisso, auxiliada pela Silvia Saint, não é fugir da realidade, porque é sim. Talvez um modo mais saudável, mas ainda assim de fuga de vivência em um mundo irreal.

Todos nós, em alguns (pra não dizer vários, ao estilo de quase todos) momentos criamos fantasias e ilusões, conscientes ou não, para tornar a existência um pouco menos sofrível. Isso ocorre porque é fisiológico do ser humano guardar as informações em sua mente, não do modo como tudo aconteceu, mas do modo como o indivíduo interpretou do que aconteceu, de acordo com os sentimentos e emoções do momento. Claro que eu poderia citar rotas bioquímicas e linkar artigos científicos que comprovam o que eu estou dizendo, mas aí o texto ficaria muito mais chato do que já está. Então, confiem em mim.

O mesmo acontece quando evocamos uma memória, ela vem, nós revivemos o momento, despertamos sensações, sentimentos e emoções, e então guardamos a informação novamente. Criamos uma nova memória a partir de uma antiga, que por sua vez havia sido criada a partir de um acontecimento. E assim ocorre toda vez que evocamos informações guardadas. Tudo isso nos leva a crer que as informações mais puras que temos na mente são aquelas que pouco são utilizadas, pois a cada utilização nossas memórias são fisiologicamente modificadas, de acordo com as emoções (liberação de adrenalina e neurohormônios) do momento.

Como o cérebro seleciona que informações serão retidas e quais serão descartadas também funciona com base na liberação neurohormonal no momento da vivência. Também é fisiológico que o ser humano esqueça a maior parte das coisas que entra em contato, afinal, nós não sintetizamos proteínas com a mesma rapidez com que entramos em contato com novas informações. Entretanto, alguns eventos são selecionados para serem esquecidos. O exemplo mais conhecido diz respeito os acidentes, onde há uma grande liberação de adrenalina, o que inibe a síntese proteica, impedindo o armazenamento de uma memória, explicando porque as pessoas comumente não lembram do acontecido após eventos traumáticos. O mesmo ocorre com situações ruins (não necessariamente traumáticas) da nossa vida. Por despertar sentimentos e sensações desagradáveis, nosso magnífico encéfalo tem a capacidade de bloquear a síntese de proteínas para esse evento em especial, fazendo com que não guardemos memórias de eventos que nos despertem sensações ruins.

Claro que existem exceções, há pessoas que têm na mente descrições detalhadas de eventos traumáticos e/ou desagradáveis. Isso ocorre porque essas pessoas, em uma espécie de autoflagelação mental (aí entramos em funções e defesas do Ego, assunto para uma próxima discussão), revivem mental e incessantemente o acontecido, fazendo com que a memória seja armazenada por repetição. Não é o mais comum, em geral as pessoas esquecem. E esquecem mesmo. E é absolutamente normal, sendo nada mais que um necessário mecanismo de auto-preservação.

A maioria das pessoas mantém-se dentro dos limites de "sanidade mental" graças à auto-preservação, consciente ou não. Todavia, para alguns todos esses esforços não são suficientes. Não se sabe exatamente por quê, se por alteração anatomofisiopatológica (dado o traço genético da esquizofrenia), se por falha nos mecanismos de defesa, se por ego ("eu") fragilizado ou por algum outro motivo desconhecido, entretanto alguns indivíduos simplesmente não conseguem lidar com a 'realidade'. E é exatamente aqui que tem origem a psicose (não, não é a do filme). Quando alguém não consegue lidar com a realidade como ela é, cria existências alternativas onde sentem-se mais à vontade e mais livres. Vide todas as Marias, Jesuses, Super Man's e Homens Aranhas com quem já tive contato.

Manipular a realidade é possível, e todos nós fazemos isso a todo momento, não é privilégio de alguns divinamente abençoados. A grande diferença é que alguns conseguem perceber as manipulações na trama que fazem, conseguindo até mesmo tecer uma realidade alternativa conscientemente, o que nada mais é que enganar a si próprio e orgulhar-se disso.

Mente, memórias, funções do Ego e mecanismos de defesa do Ego, todos assuntos para próximas discussões, selecionados a dedo de lugares fontes inesgotáveis de assuntos para estudos e discussões. Mas se eu bem conheço meu eleitorado, tudo permanecerá apenas como planos. E caso alguém queira completar as informações, ou simplesmente não acredita no que eu disse, encontrará o que procura aqui e aqui. Boa leitura. Conhecimento nunca é demais.

E a título de curiosidade: a estrutura cerebral de processamento e armazanamento de informações é exatamente igual em ratos e seres humanos.

terça-feira, 23 de setembro de 2008

Uma Tarde no Hospício

Concurso:
Melhor pérola do plantão psiquiátrico:




- Ah minha filha, agora com 71 anos finalmente encontrei o amor da minha vida. Ainda não nos conhecemos pessoalmente, mas assim que ele puder sair do serviço e vir me conhecer nós vamos casar.

- De onde ele é?

- Ah, de longe... mas a gente se fala a todo momento. Pena que ele ainda não pôde vir. Me prometeu que ia me dar uma prova que ele existe, disse que ia me mandar um pão de presente. Tadinho... era bem o dia do feriado, as padarias estavam fechadas, não pôde mandar. Ainda bem que a gente ta sempre se falando.

- Se falam como?

- Ligação oras.

- E não sai caro?

- Claro que não, ligação mental é de graça.



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- Bah né, daí minha filha de 21 anos fuma pedra, tava acabada. Eu achava é que ela não tinha força de vontade pra largar o vício, daí resolvi provar pra ela que crack não vicia porra nenhuma. Fudeu né, agora nós duas brigamos pra saber quem vende o que de casa pra comprar a pedra.

- E o resto da família?

- Ah, minha filha de 13 é que trabalha e sutenta a casa. Meu marido, coitado, ficou pena de ver nós duas na pedra, aí pra nos dar uma força começou a fumar também. Fuma com nós todo dia, mas ele não é viciado, não!



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- Ô dotorinha... que mané remdinho branco o que?! To aqui dentro pra medir pressão... não preciso de remédio... ta achando que eu sou louco, é?



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- COMO TU É CAPAZ DE CHAMAR MARIA, A MÃE DE DEUS, DE LOUCA? SUA ENDEMONIADA!! NÃO SE PODE MAIS NEM SACRIFICAR O FILHO EM NOME DE DEUS QUE OS FILHOS DO DIABO VEM INTERROMPER A ADORAÇÃO DE MARIA, A MAE DE JESUS, PARA DEUS? DEMONIA!!!!!



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- psssssssssssiuuuuuuu! Cala a boca porra!!!!

- Que foi?

- Essas vozes que não param de me encomodar... medica eu não, dá remedinho pra elas... eu sou normal, essas vozes que vem encomodar... medica elas....


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A verdade é que eu tenho pena.

terça-feira, 2 de setembro de 2008

O Significado do Reclamar.

Reclamar é uma arte. Pois claro que é. Pensamentos positivos qualquer macaco treinado consegue formular, mantras da boa vontade fluem soltos pelos lábios, pela luz o caminho sempre é mais fácil. Difícil mesmo é caminhar na escuridão, tropeçando nos próprios pés, encontrando o mais ínfimo e escondido aspecto desagradável até mesmo nas melhores situações. Reclamar com classe, sim, isso é que é tarefa para poucos. E eu, feliz ou infelizmente, sou dotada da quase inesgotável capacidade de encotrar pontos negativos, falar mal e reclamar sobre todas as coisas que me cercam.

Claro que a bola da vez não poderia ser outra a não ser a malfadada faculdade. Poxa, eu também sou filha de deus, também gosto de mordomias e sempre escolherei o caminho mais fácil. Por que esforçar-me em procurar novos e diversos assuntos reclamáveis se meu ambiente (dito) de estudo propicia tantas situações propícias que nem sequer eu mesma consigo falar mal de todas com a rapidez com que elas surgem? Claro que elas não se importam em ficar esquecidas no depois quando a concorrência é tão desleal, devemos reconhecer nossas limitações.

Pois é fato que não é novidade para ninguém que o curso formador de médicos é extremamente estressante (e olha que eu acho até que levo numa boa). Tem dias que os pacientes são um saco, as aulas são um saco, a fisiopatologia das coisas é um saco, e, principalmente, os professores (leia-se superiores) são um saco... se bem que esses são um saco sempre. E como se tudo isso não fosse o suficiente para desagregar alguém, o sistema é absurda e completamente falho. Claro que isso é uma opinião pessoal, e caso algum querido leitor discorde da afirmação, obviamente estamos abertos a discussão. Mas falo isso baseada no fato de que eu não creio que atender demanda do SUS como mão de obra barata (pra não dizer de graça), associada a cobrança não condizente com o conhecimento transmitido, maximizado com uma farsa tentativa de tornar a coisa mais acadêmica com um seminário meramente ilustrativo, seja um bom método de ensino e formação médica. Isso quando sequer há a tentativa do 'seminariozinho'. Sim, eu realmente acho esse sistema uma farsa.

E é aí que eu acabo identificando com músicas melancólicas de letras intensas e chocantes, tipo Another Angel Down - Avantasia. O trecho principal diz:

"We rock the ball, been smashed to the ground
Arose from devotion to take a look and see what is inside
Sight of the crown: another angel down
We rock the ball, I'm facing my pain
A rage and a symphony driven by the wounds I cannot hide
Rise above the crowd: another angel down"

Eu não vou traduzir, quem quiser que use o tradutor da google (bem que eu poderia receber comissão pela propaganda). Mas a questão é que, por mais que eu tente manter minhas convicções, meus sonhos, meus planos e, principalmente, minha índole, eu tenho a péssima mania de sempre analisar o que se passa dentro de mim(não no sentido literal), encarar o que me causa dor, e sucumbir à fúria guiada pelos ferimentos que eu não sou capaz de esconder. E então mais um anjo junta-se à horda dos renegados anjos caídos.

Qualquer criatura acima de 5 anos de idade vai entender o que eu quis dizer metaforicamente, mas eu explico mesmo assim. A cada dia dispendido em minhas onerosas atividades acadêmicas, minhas boas motivações são substituídas por angústia, fazendo com que diariamente um pedaço daquilo que me diferencia de tantos outros "colegas" morra, bem aqui dentro de mim, a humanidade. E ao final só o que restará é mais um exemplar do que a faculdade de medicina forma, anjos caídos, somados aos que já começaram como diabos.

E essa é a coisa mais triste que existe, a sensação de ser vencida pelo sistema. E por mais que eu tente, flagro-me a pensar sobre o que será do amanhã, o ontem ainda teima em martelar na minha mente, não sou capaz de viver apenas por esta noite (leu a letra da música?). E em meio à impotência, reclamar é o único mecanismo de defesa a que consigo apegar-me.

sexta-feira, 23 de maio de 2008

Seio Bom X Seio Mau

Seio Bom X Seio Mau. Bebês têm fome. Ter fome é uma coisa ruim. Se me deixam ter fome, querem o meu mal. Seio muito mau este que abandona-me e permite que eu sofra dessa maneira cruel: fome. Tenho raiva. Choro odiando aquele seio mau que quer apenas meu mal. Eis, então, que surge um segundo seio, mas este, por sua vez, é incrivelmente bom. Sana meus desejos e de mim tira os sentimentos ruins: a fome. Deleito-me de prazer, deliciado com tamanha bondade. Amo esse seio incrivelmente bom que para mim só deseja o bem. Qual não é, então, minha surpresa, quando enfim descubro que a melhor a pior coisa que poderiam existir, aquela que mais amo e aquela que mais odeio, na verdade, não passam de duas faces de apenas um só. Como é possível que algo tão horrendo e que a mim tanto odeia reciprocamente, possa ser também aquela coisa maravilhosa, a que tanto amo também reciprocamente, e que de mim tira todos os males? Sinto fome e odeio com todas as minhas forças, tenho minhas angústias sanadas e amo, do modo maior e mais puro que pode existir. E então culpo-me por ter tido a audácia de odiar aquilo que tanto bem me tras. Como é possível que bem e mal estejam assim reunidos em um só? Como é possível que amor e ódio possam ser assim direcionados para um só? Sofro, odeio, recebo, amo, culpo-me.

Novamente eu, exemplar ortodoxo dos Homo Sapiens sapiens, experimento sentimentos de dualidade carregados de amor, ódio e, consequentemente, culpa. A diferença é que o foco ansiogênico dessa vez não é o 'seio bom X seio mau', nem 'aquela mãe maravilhosa que me cuida X aquela bruxa medonha que quer roubar aquele maravilhoso homem (vulgo pai) de mim', nem qualquer outro conflito puramente inconsciente que povoa de ansiedade o desenvolvimento infantil e adulto jovem. Meu conflito, paradoxalmente, é puramente consciente e tange aquilo sem o qual eu não teria conhecimento sobre o que falo. Bendita X Maldita Psicologia (Médica IV).

É estranho. Sim, eu simplesmente AMO entender o funcionamento de coisas que, até então, pareciam totalmente sem sentido, ou pior, sem significado, sem alguma explicação mais convincente do que um apenas "é porque é". Por exemplo, algumas características do universo masculino contrastadas com o universo feminino, as quais finalmente adquiriram algum significado. Sendo mais específica: machos, por não perderem muito tempo de sua vida reprodutiva gestando, em geral não têm preocupações quanto ao bem estar da prole, de modo que seu intuito principal é espraiar seus genes, ao passo que as fêmeas tem por obrigação natural, além de cuidar da prole, escolher um macho com a melhor genética, para que, assim, os decendentes sejam o mais geneticamente perfeitos possível. Isso explica porque a poligamia é naturalmente masculina, bem como porque as mulheres são (e devem ser) muito mais seletivas quanto a seus parceiros em potencial. Tudo isso sem mencionar que os parceiros preferenciais são aqueles geneticamente mais perfeitos, e como o genótipo se manifesta através do fenótipo, não é de se estranhar que a aparência física conte tantos pontos para a fatídica escolha. Mulheres com medida da cintura de 80% do quadril e seios fartos, juntamente com os homens altos, fortes e de ombros largos, tendem a ser melhores reprodutores que seus companheiros de gênero sem tais características de simetria.

Falando em escolher pares pelo melhor fenótipo, outra manifestação genotípica são os feromônios, que nada mais são do que fragrâncias naturais geradas pela degradação bacteriana do suor em locais de junção pele-cabelo (cabeça, axila e região pubiana). Através desse cheiro característico de cada indivíduo temos a capacidade de perceber, ainda que inconscientemente, aqueles cheiros que são mais próximos ou mais distantes da nossa genética, de modo que os aromas mais agradáveis a nosso olfato serão, certamente, aqueles cuja genética é mais distante da nossa. A natureza é mesmo muito sábia, afinal qual lucro ela teria em heranças recessivas combinadas gerando indivíduos portadores de anomalias? Claro que heranças recessivas de qualidades também poderiam ser herdadas... mas, vale a pena a tentativa? Em comunidades isoladas (cruzamentos consanguíneos obrigatórios) com certeza, mas esse não parece ser nosso caso. Não mais.

Ainda falando em feromônios, chega a ser engraçado analisar os ditos rituais de sedução, tipo conversa ao pé de ouvido, dança com os braços levantados, abraços apertados e situações afins. Maneira totalmente inconsciente porém imensamente clara de fazer nossos íntimos e pessoais cheiros chegarem nos narizes daqueles que gostaríamos que os sentissem, e agradassem-se, é claro. Mais uma vez espanto-me com a sapiência da natureza.

Voltando para as escolhas, nada mais natural que cada um escolha parceiro que melhor lhe convém. Fêmeas precisam de um companheiro que lhes auxilie com a prole, alguém discorda que o fulgor da juventude masculina só iria atrapalhar esse auxílio? Nada mais natural que as mulherem tenham a tendência a procurar homens mais velhos, por consequinte mais estáveis. Já os homens precisam de uma fêmea boa reproduta, capacidade que, comprovadamente, diminui com o avançar da idade. Logicamente é natural que os homens tenham melhores olhos para as fêmeas mais jovens. Não é a toa que a preferência geral sejam as loiras (símbolo de juventude, afinal o cabelo escurece com a maturidade sexual), com pernas e axilas depiladas (lembrando pernas e axilas infantis).

E ainda tem toda a questão de o par perfeito ser a imagem do genitor de sexo oposto. A coisa não funciona bem assim como estamos acostumados a ouvir. Simplesmente nós montamos nossoo conceito de certo e errado, bom ou ruim com base naquilo que temos contato durante nosso desenvolvimento, de modo que nossos perfis de parceio ideal serão contruídos com base naquelas experiências que tivemos, não necessariamente com o pai, mas com qualquer pessoas do sexo oposto com quem tivemos contato, pais, irmãos, tios, vizinhos, primos, e etc. O tipo de relacionamento vai definir se encaramos aquilo como bom ou ruim. E não é que faz sentido?

É, eu simplesmente AMO entender o funcionamento de coisas que, até então, pareciam totalmente sem sentido, mas ao mesmo tempo uma coisa bem ruim me invade. Uma sensação de que eu não sou eu, que sou totalmente governada por coisas que não conheço, não entendo e o que é pior, não controlo. No fundo eu não passo de sinapses elétricas, interações bioquímicas, entra sódio e sai potássio. E aí vem a pergunta que não quer calar, conhecer o razão e o funcionamento de algumas coisas compensa a sensação de ser ínfima e impotente até mesmo sobre mim mesma?

terça-feira, 6 de maio de 2008

O dinheiro é Tóxico.

Eu, confessa e assumida, embora não orgulhosamente, sou integrante de um seleto grupo de pessoas relativamente alienadas quanto aos meios de comunicação. Todavia, ultimamente, assistir aos noticiários tem sido uma atividade relativamente prazerosa e, sem dúvida, inspiradora de muitas reflexões, principalmente quando o tempo ocioso que não se tem vem a ser utilizado na tentativa de compreender as motivações, ainda que inconcientes, que levam as pessoar a tomar determinadas atitudes. Não que seja fácil, mas funciona como um exercício mental.

A bola da vez tem sido, sem sombra de dúvida, a confusão criada entre nosso ex-melhor jogador do mundo e três profissionais do sexo de gênero duvidoso (pelo menos aparentemente). Eufemismos à parte, é de conhecimento nacional (para não dizer mundial) de que o Ronaldo Fenômeno, em uma noite triste (segundo declarações do próprio) decidiu buscar companhia especializada para dispersar a tristeza da solidão noturna. Já no motel descobriu que as três moças possuiam alguns acessórios extras, os quais Ronaldo declarou não ser de seu agrado, decidindo, então, dispensar as profissionais sem a realização do serviço a que se propunham, porém essas receberiam o valor justo pelo tempo disperdiçado. Bem, foi mais ou menos aí que começou a confusão, pois enquanto a jovem relata que Ronaldo a pediu para que fosse comprar drogas entregando-lhe os documentos de seu carro como garantia e no retorno não quis pagar-lhe o valor justo, o Fenômeno conta que em nenhum momento houve o envolvimento de drogas, mas que lhe foi exigido R$50000 ou o caso todo iria ser levado a público. O que realmente aconteceu para que houvesse a explosão pública do caso não é de suma importância, afinal, tendo havido tentativa de extorção ou não, não muda o fato de que um homem rico, famoso e que tem a oportunidade de sair com as mulheres mais belas do mundo tenha procurado companhia em travestis (ou prostitutas, caso realmente a contratação tenha sido um engano), as quais, sem dúvidas, não chegam aos pés, pelo menos fisicamente, das belíssimas mulheres com quem Ronaldo já teve a oportunidade de relacionar-se. Sem dúvida o caso de Ronaldo não foi o primeiro e, com certeza, não será o último escândalo envolvendo pessoas ricas e famosas, de modo que não é de difícil constatação que não são raras as explosões de situações semelhantes, ou pelo menos tão vergonhosas quanto.

Não pude deixar de lembrar das sábias palavras de um de meus professores de Psicologia Médica IV ao ver a manchete a respeito de Ronaldo: "dinheiro é tóxico". E, parando pra pensar mais seriamente no mundo que me cerca, sou obrigada a concordar com ele. Claro que é bom ter dinheiro, poder exercer sem peso na conciência o consumismo capitalista e ter a oportunidade de dar aos filhos todo aquele bem estar que nossos pais não tiveram a oportunidade de nos dar. Entretanto, até que ponto a abundância monetária tras apenas benefícios? Peguemos como exemplo outro homem em voga na mídia atualmente, Alexandre Nardoni. Pai de família, 26 anos, advogado e... recebe mesada mensal do pai ainda hoje. Já não seria tempo do homem caminhar com seus próprios pés e aprender que dinheiro tem valor suado e que temos que batalhar por ele, assim como qualquer outra coisa na vida? Ou ainda toda essa horda de "filhinhos de papai" que, em seu fulgor juvenil, acredita-se imune a fatalidades da vida a ponto de fazer roleta russa em uma movimentada avenida ou, muito pior, atear fogo em um mendigo sem o menor remorso ou medo das penalidades legais?

A impressão que tenho é que algumas pessoas não dão valor a coisas como dinheiro, status social, profissão e, nos casos mais graves, não dão importância à família e subvalorizam até mesmo a vida, e o que é pior, dos próprios filhos, contrariando a todos os instintos. A coisa funciona mais ou menos como uma compra, "meu filho, sou seco demais para te dar amor, então eu compro essa falta com uma gorda mesada, ok?", e aí fica tudo bem, educação e dinheiro são coisas substituíveis, mesmo. Ou ainda "sou podre de rico a ponto de poder fumar notas de 100, por que não sair fazendo coisas idiotas se poderei pagar pelo silêncio ou a fiança depois?". Não que eu ache que dinheiro seja ruim, bem pelo contrário, afinal em nenhum momento tive treinamento em monastério e fiz voto de pobreza, apenas penso que há coisas um pouco mais relevantes para a vida de um indivíduo que sua capacidade financeira, como por exemplo uma educação sólida, consistente, com manifestação de valores e, principalmente, senso de responsabilidade. A verdade é que não é exatamente o dinheiro que é tóxico, mas sim o modo como algumas pessoas o utiliza na tentativas de subtituir aquelas coisas nas quais se acham falhas, como por exemplo amor paterno. Claro que dinheiro é importante, mas não é com ele que se contrói responsabilidade e bom carater. E, feliz ou infelizmente, é primaria, mas não unicamente, com responsabilidade e bom carater que são evitados escândalos com travestis ou assassinatos familiares.