quinta-feira, 25 de dezembro de 2008

Quem disse que não posso?

Ainda ontem estava lendo um texto da escritora Martha Medeiros a respeito de prisões. Sim, prisões, essas mesmo, no sentido mais amplo e sutil da palavra. Amplo pois prisão não é apenas o Carandiru, e sutil pois todos nós vivemos enclausurados, apercebamo-nos disso ou não. Nossas escolhas nos aprisionam, certamente, entretanto muito mais que nossas escolhas, nossa própria mente nos torna escravos de pensamentos que nem ao menos são nossos. Nosso maior carrasco somos nós mesmos, mediante uma das funções psíquicas chamada superego. E é esse nosso superego, nosso maior inimigo, que impõe a nós punições muito mais duras que chibatadas em praça pública, nos trancafia em celas da nossa própria mente, das quais nenhum advogado será capaz de nos tirar. Não há quem tenha acesso à consciência alheia, aquela que pesa quando escoramos a cabeça no travesseiro.

Todos nós vivemos aprisionados em nossos próprios (pré)conceitos, estabelecidos desde nossos primórdios, aqueles que sabemos que temos mas não sabemos de onde os tiramos, muito menos por quê. Partindo para exemplos, desde que nasce a menina aprende que tem que manter as pernas fechadas. "Fecha as pernas, queridinha, estas de saia!"; "não deixa as pernas abertas assim, é feio pra uma menina"; e então a guria cresce achando que mulheres têm que crescer, amadurecer, aproveitar a vida, casar, ter filhos, envelhecer e morrer, sempre com as pernas fechadas. Por quê? Porque é feio uma mulher abrir as pernas. Mas por quê? Quem disse que não é bonito uma mulher manter as pernas abertas?

E assim são todas as coisas na vida. "Ai, não posso dar pra um desconhecido!". Mas não pode por quê, quem disse que não pode? "Puts, não posso trocar de emprego!"; "Não posso sair pra viajar sem rumo"; "Não posso sair sem maquiagem"; Não posso, não posso e não posso. Somos todos cheios de "não posso" quando na verdade ninguém nos proibiu de nada, além de nós mesmos, por motivos que sequer conhecemos. E essa é a nossa maior prisão, nosso maior cárcere, o que mais nos tolhe.

Portanto, querido leitor, de fato celebremos nossos cárceres privados com celas especiais, porém jamais esqueçamos que o carrasco é nossa mente, e apenas nós temos acesso a ela. Não podemos esquecer-nos disso. Não podemos? Pois que foi mesmo que disse que não podemos? E por quê?

5 comentários:

  1. adorei o texto... a parte das citações tá diver! ^^

    bjuuus

    Bom Natal atrasado ;)

    e Feliz Ano Novo antecipado hehehe!

    Inteh

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  2. Ninguém disse que tu não pode...
    Na verdade a pessoa pode fazer o que quiser mas tem que estar preparada pra assumir as consequências. Não tem nenhuma lei proibindo o sexo casual, mas tem o pensamento da sociedade que quando é praticado por um homem, bahhh o cara é pegador, come todas e tal; agora quando é uma mulher, é vadia, não vale nada...
    Puro machismo que vem dos primórdios, já que o instinto diz que o macho tem que fecundar o maior número de fêmeas que puder, já a mulher só poderá dar a luz uma vez por ano, por isso precisa selecionar bem seu parceiro.
    Mas estamos no século XXI for god's sake...

    Espero que não seja linchado dessa vez...
    =]

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  3. O texto não era a respeito do sexo casual, mas sim de toda e qualquer coisa que a gente diz que não pode sem nem pensar pq não pode. Tolhimento interior.

    Só isso.

    E não tem nada a ver com martha medeiros, só mencionei o texto dela pq foi o que me fez começar a pensar nisso.

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  4. Este comentário foi removido pelo autor.

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