sexta-feira, 28 de novembro de 2008

Ensinamentos da Mamãe

Mães, em geral, são engraçadas. Todavia a minha mãe, em especial, tem uma graça toda peculiar. Digo isso porque ela tem todas as coisas divertidas que uma boa mãe deve ter sem as inconvenientes caracteristicas que vêm no kit de quase qualquer mãe.

Pois, por mais incrível que possa pareçer, minha mãe consegue ser ainda mais aversa a tecnologia do que eu, beirando a tecnofobia. E ainda assim eu recebo, oriundos dela, cerca de 5 ou 6 e-mails, dessas correntes que todo mundo detesta e ninguém lê, diariamente. Logicamente eu não os confiro com a mesma velocidade que os recebo, o que leva a um sério acúmulo de mails que devem ser limpos em algum momento, antes que minha caixa de entrada não aceite e-mail s novos (pois é, Hotmail, essa deixa é para ti).

Continuando, obviamente esse tipo de mail é daqueles que vêm em um arquivo de power point, cheio de figuras e imensamente pesado. Considerando a frequência com que ela entra em contato com esses arquivos, a criatura, no mínimo, deveria ser expert em power point.

Qual não é a minha surpresa quando ela se diz apavorada por ter que dar uma aula sobre mel (é mel, de abelha) com os slides que um amigo faria para ela. Taí da onde eu herdei o dom de incumbir os outros com tarefas que deveriam ser minhas, nunca duvidem da genética, crianças. Não resisti e perguntei por que ela mesma não faria os próprios slides. Misto de surpresa e arrependimento tomou conta de mim quando ela respondeu simplesmente que não sabia como fazer isso. E só piorou quando ficou surpresa com a notícia de nós tínhamos o programa necessário em casa.



Essa é a minha mãe. E eu sou a filha da minha mãe. Mas a querida dona Mirela ainda tem várias outras peculiaridas que apenas a dona Mirela tem. E foi ela que deu a mim diversos ensinamentos que somente dela eu poderia ter aprendido.

Por exemplo, minha amada mãezinha deu a mim o dom de valorizar o sorriso:
"vai escovar esses dentes agora antes que eles apodreçam".



Minha mãe também ensinou-me a retidão:
"eu ainda te ajeito, nem que seja aos tapas".

Também foi ela que a mim deu a capacidade de valorizar o trabalho alheio:
"querem se matar, se matem, mas lá fora porque eu acabei de varrer a casa".

Obviamente lógica a hierarquia também figuraram nos ensinamentos:
"é assim porque eu estou dizendo que é, a mãe aqui sou eu".



A dona Mirela também sempre deu motivação:
"continua chorando que eu vou te dar motivo pra chorar"

Minha mãe frequentemente ensinava sobre contradição:
"fecha a boca e come logo".

Ela sempre teve paciência, e soube passar a lição muito bem:
"espera só chegarmos em casa".

Jamais permitiu que não enfrentássemos desafios:
"Olha pra mim! Responde quando eu te perguntar alguma coisa!"

Minha mãe ensinou-me a ter raciocínio lógico:
"Se tu cair dessa árvore e morrer vais apanhar tanto depois!!"

Deu-me importantes lições sobre a fisiologia animal:
"se tu não comer direito os bichos da tua barriga vão te comer."



Também sempre deu-me ensinamentos religiosos:
"reza pra que dê pra consertar isso aí".

Minha mãe talvez sonhasse que eu fosse contorcionista:
"olha essa orelha, que nojeira".

Jamais deixou faltar determinação:
"só te levantas daí com o prato vazio"

Mas a lição mais importante que eu poderia ter aprendido da minha mãe é ter carater. Carater como pouquíssimas pessoas tem no dia de hoje. O carater da minha mãe (claro que as habilidades tecnológicas a gente não menciona nesse momento especial). Minha mãe é meu orgulho.

domingo, 23 de novembro de 2008

Egocentrismo.

Egocentrismo.
Do latin, ego, eu + cêntro, centro

Tendência pessoal exagerada em considerar tudo sob o próprio ponto de vista e em fazer de si próprio o centro do universo.



'Meu mundo é meu umbigo', já dizia minha querida mãe.

Todo mundo é egocêntrico. Uns mais, outros menos. Mas todos têm seu próprio umbigo no centro do universo. A preservação da espécie depende disso. E tem funcionado bem até então, certo dona Natureza?

Eu também sou assim. Sou um ser humano normal e ortodoxo, que como qualquer outro só deseja ser feliz e fazer coisas que lhe dão prazer.

Chega a ser engraçado o modo como eu tenho deixado meu 'eu' escanteado das minhas prioridades ultimamente. Tenho saído da dieta, exercitado-me pouco, lido quase nada, escrito vaga e aleatoriamente. Essa não sou eu, eu não sou assim. No entanto, tenho estado assim. Valerá a pena todo esse sacrifício? Talvez as férias respondam essa pergunta. Talvez a resposta não venha até o primeiro ano pós formatura. Talvez a questão vá comigo para as inconfortáveis gavetas do São Francisco de Paula.

O ponto principal é que eu sou muito mais que uma aspirante a médica bitolada. Eu sou um ser completo e repleto de curiosidades.

Eu tenho um seio maior que o outro, por isso prefiro sutiãs com bojo, diminui a discrepância abaixo da blusa.

Eu odeio vomitar, prefiro ficar horas nauseada de depois simplesmente dormir do que vomitar e ficar bem o resto do dia.

Em consequência, faz com que eu não faça uso de bebidas alcoólicas por um bobo e infantil medo de vomitar.

A única vez que eu fiquei bêbada foi pós vestibular, situação pós a qual fiquei uma semana comendo canja de galinha devido a um estômago excessivamente irritado. Mas eu não senti que tenha perdido o superego (filtro). Então eu acho que não sei o que é ficar bêbada.

Contrabalancendo, eu não preciso estar bêbada pra passar vergonha.



Eu não consigo virar a noite. Além de cair dormindo (quase que nem os Sims), eu fico de MUITO mau humor.

Eu tenho crises fortes de TPM. Mas eu não fico (muito) irritada, eu choro. MUITO.

Eu calço 39, o que faz do meu pé uma coisa gigante e desengonçada. Por mais que eu deteste sentir calor, raramente eu uso sandálias. Sem contar que eu já não gosto de pés, em geral.

Odeio a minha barriga e me sinto extremamente acima do peso. Ainda assim é impossível resistir ao chocolate, ou ao sorvete, ou ao doce, ou...

Todos os dias eu acesso meu blog/fotolog/orkut esperando ler recadinhos dos amigos. Fico triste quando não tem nenhum.

Gosto de ficar em casa, e tenho uma preguiça imensa de sair.

Adoro estudar. Sou aficcionada por conhecimento. Mas é só por em mim a obrigação que tudo vira um saco.

Não acredito em destino nem em horóscopo. Mas não sei explicar as incríveis coincidências que existem por ai.

Não acho emocionante ficar mudando a cor do cabelo mensalmente. A questão é que eu tenho cabelo ruim, o que impede que eu faça cortes diferente, do tipo curto e/ou com franja. Logo, só me resta mudar a cor. Isso significa que eu nasci loira...


...Já fui morena...



...Já fui ruiva...



...E agora voltei a ser loira.



Eu babo bastante quando durmo.

Detesto estar sem meias.



Eu me apego facilmente às pessoas. Já elas não se apegam tão facilmente a mim. Eu me desapego facilmente das pessoas. Já elas não se desapegam tão facilmente de mim. Toda regra tem exceções.

Sou uma criança chorona que seguidamente precisa de um abraço. Mas também sou uma criança orgulhosa que raramente vai pedir por um abraço. Isso tudo leva a uma situação bem triste para mim, com uma infindável sensação de solidão e abandono.

Mas, francamente, que tipo de desocupado estaria interessado em saber mais a respeito de mim?



sexta-feira, 21 de novembro de 2008

Peixes de ascendente Escorpião

Escorpião:
O poder
O império das emoções
A dominação pelos afetos.

Já peixes é mais sonhador e altruista
Gosta de ajudar as pessoas e vive pela fé em que acredita
Mas tem escondido ai um certo narcisismo
Recheado de uma vontade de dominar
Pela via das emoções

Ai... Em algum lugar da psique...
Mora uma mulher que quer viver a vida apaixonadamente
Nos fins últimos da emoção


Já disse Renato Russo, nunca brinque com um Peixes de ascendente Escorpião.

domingo, 16 de novembro de 2008

Começos Inacabados

Tudo é apenas uma questão de perspectiva. E é bem sobre esse assunto que eu estaria apta a dissertar no momento atual. Considerando que são 17:41h de um belo sábado de sol no qual eu deveria estar estudando, e no entanto encontro-me sozinha, sentindo o peso nefasto da solidão tentando enganar a mim mesma que a coisa não é bem assim... não será bem sobre perspectivas que dissetarei, muito embora elas realmente comandem (ou pelo menos deveriam comandar


Pois então as coisas seguem seu rumo, quase que tal qual como deveriam seguir. Ou pelo menos como esperamos que elas sigam


Liguei o computador. Acessei páginas da internet. Respondi a scraps do orkut. Postei uma fotinho no fotolog. Olhei novos comentários no meu blog. Cliquei no botãozinho "nova postagem" e, agora aqui encontro-me. Olho para o campo que diz "título" e lembro que eu nunca soube escolher bons títulos, o coitado sempre é deixado para o final e quase nunca representa aquilo que eu realmente quis escrever no texto, mas eu nunca consigo expressar bem o que quero, creio que um título anômalo não tem lá tanto problema assim. E, pensando bem, relendo a obra final eu sempre acabo mudando de assunto e dissertando sobre algo que não era exatamente o que eu queria, mas sobre o que eu consegui juntar as palavras da forma mais harmoniônica e com algum sentido, sem, necessariamente, fazer sentido mesmo. Está aí o porquê de as minhas redações nunca terem recebido notas altas, apesar de eu ser uma das melhores escritoras de textos em papel higiênico que conheço. Engraçada maneira como eu gosto e dedico-me à escrita extra-oficial, aí chega um professor e pergunta na prova "o que é ser médico para mim" e eu simplesmente não sei e não consigo escrever, rebaixando minha opinião para o patamar de uma das piores escritas da turma.

Mas a verdade é que, muito embora eu aqui tenha chegado, não comecei a escrever para lamentar minha falta de habilidade redatória, mas sim para expor, ainda que de modo aparentemente incoerente, algumas coisas que têm povoado a minha mente



Felicidade é uma coisa tão abstrata. O que é razão de felicidade pra ti pode não ser apra mim. Do mesmo modo que o sentimento de felicidade pra mim pode não significar nada pra ti.

Mas por que diabos alguém escreveria sobre felicidade?

"Ah, porque é sobre o que estava pensando"

"Nah, é porque tem se sentido muito feliz"

"Que nada, na verdade se sente é muito infeliz"

"psssss... até parece, ta mais é querendo convencer-se a si mesmo a ser feliz"

"hum...vai ver não tem mais nada de útil pra fazer mesmo"

Ta aí, nada de útil pra fazer. Quem diabos gastaria uma enormidade de tempo com um blog que inguém lê? E pior, com um blog cheio de assuntos enfadonhos, com parágrafos enormes e que realmente ninguém lê?

Ta aí, parágrafo grandes são enfadonhos.



Ahh sim! Acabou o semestre, então? Bem, quase. Ainda não recebi uma de minhas notas finais (a mais importante, em minha opinião), porém estou confiante de meu bom resultado e, na pior das hipóteses, minhas férias são adiadas em uma semana e todo mundo faz de conta que esse texto foi postado semana que vem mesmo (como se esse "todo mundo" fosse, de fato, muita gente).

Claro, como todo fim de semestre não posso deixar de sentir algo semelhante a nostalgia pelos momentos que foram e não voltam mais. Por todas as lições que aprendi e, principalmente, por todos os ensinamentos que deixei de aprender. Analiso todas as situações que vivi, todas as coisas que pensei, todas atitudes que tive, todas as decisões que tomei. Todas as coisas que mudaram. Todas as coisas que não mudaram.

O semestre começou a com a formatura do querido Thiago. O único com direito a cela especial caso seja preso é também o menino prodígio daqueles poucos que posso realmente chamar de amigos.



Férias. Iupi.
Passei, sem exames. Independentemente de terrorismos e sustos e medos e cagaços. Passei. Resta a dúvida, serei uma boa profissional ta



Chovia lá fora, embora não fizesse frio. "Quanto mais molhada melhor", pensou ela. Não há homem capaz de resistir aos encantos de uma bela dama, molhada e indefesa, buscando ajuda ao cair da noite. O tempo era escasso, porém mais do que suficiente para que a tarefa fosse cumprida, principalmente a partir de mãos tão meigas e indubitavelmente habilidosas.


Aproximou-se devagar da suntuosa contrução, adornada com gigantescas estátuas de uma figura bastante conhecida. O templo em honra a Baiano, o grandioso e famoso deus craidor dos humanos, era facilmente reconhecido entre as demais obras arquitetônicas da pequena vila. Já próximo ao portal principal, a bela jovem aprumou os cabelos e delicadamente arrumou a blusa de modo que seus seios fossem evidenciados, conseguindo dar a impressão de que a chuva e o movimento causaram tal situação, jamais a vulgaridade. Segura de si, forçou uma respiração pesada e bateu à porta, aguardando com demasiada impaciência.


Quando a pesada porta de madeira abriu-se, a jovem humana de longas madeixas castanhas molhadas teve que conter a surpresa ao ver, no lugar de um pré-adolescente cheio de espinhas, um belo homem de seus 25 anos, no auge de sua beleza física. "Mais fácil ainda", pensou, dando continuidade a seu plano.


- Oh bela jovem, vejo que os deuses dos viajantes não lhe sorriram nesta jornada. Entre e espere um momento, trarei algo para secar-te e aquecer-te. De certo esse frio no corpo não lhe fará bem. Em que mais podemos ajudá-la?


- Vim de longe visitar um tio, mas acho que perdi-me pelo caminho, não sei bem onde estou nem como voltar. Poderia passar a noite aqui e amanhã pela manhã tentar reencontrar meu caminho de volta?


- Claro, bela jovem, o templo e os seguidores do Grande Baiano sempre estarão dispostos a ajudar. Me chamo Derek, qual seu nome?


- Yasmin.


- Yasmin... você vêm dos arredores de Zullah?


- Sim.


- Você vem mesmo de muito longe. Mas venha, acompanha-me.


Derek a conduziu até um vestíbulo, entregou-lhe toalhas secas e um robe adornado no peito com um suntuoso bordado em alto relevo de um berimbau, o símbolo de Baiano. Mostrou-lhe onde estavam os sais de banho, a tina com água quente e os sabonetes. Deixou-a a sós para que se banhasse e foi cuidar de seus afazeres. Yasmin banhou-se demoradamente, vestiu-se e tentou da melhor maneira que foi possível tornar-se atraente a olhos humanos. Não que essa tarefa tivesse qualquer grau de dificuldade, mas tudo deveria sair perfeito, sem chances para falhas. Olhou-se no espelho e concluiu que já bastava, seria a mulher mais bela que aqueles homens já teriam visto em suas vidas mesmo que estivese sangrando e suja de lama, porém beleza jamais seria em demasia. Arrumou os volumosos seios dentro do desajeitado robe e saiu, cheirando a pétalas de rosa. Encontrou Derek sentado a uma mesa ao lado de um senhor de seus 50 anos, conversando animadamente. Assim que a viu Derek levantou-se e dirigiu-se a Yasmin, sem, no entanto, conseguir disfarçar a atração que sentiu ao por os olhos na agora sobrenaturalmente bela jovem.