Tudo é apenas uma questão de perspectiva. E é bem sobre esse assunto que eu estaria apta a dissertar no momento atual. Considerando que são 17:41h de um belo sábado de sol no qual eu deveria estar estudando, e no entanto encontro-me sozinha, sentindo o peso nefasto da solidão tentando enganar a mim mesma que a coisa não é bem assim... não será bem sobre perspectivas que dissetarei, muito embora elas realmente comandem (ou pelo menos deveriam comandar
Pois então as coisas seguem seu rumo, quase que tal qual como deveriam seguir. Ou pelo menos como esperamos que elas sigam
Liguei o computador. Acessei páginas da internet. Respondi a scraps do orkut. Postei uma fotinho no fotolog. Olhei novos comentários no meu blog. Cliquei no botãozinho "nova postagem" e, agora aqui encontro-me. Olho para o campo que diz "título" e lembro que eu nunca soube escolher bons títulos, o coitado sempre é deixado para o final e quase nunca representa aquilo que eu realmente quis escrever no texto, mas eu nunca consigo expressar bem o que quero, creio que um título anômalo não tem lá tanto problema assim. E, pensando bem, relendo a obra final eu sempre acabo mudando de assunto e dissertando sobre algo que não era exatamente o que eu queria, mas sobre o que eu consegui juntar as palavras da forma mais harmoniônica e com algum sentido, sem, necessariamente, fazer sentido mesmo. Está aí o porquê de as minhas redações nunca terem recebido notas altas, apesar de eu ser uma das melhores escritoras de textos em papel higiênico que conheço. Engraçada maneira como eu gosto e dedico-me à escrita extra-oficial, aí chega um professor e pergunta na prova "
o que é ser médico para mim" e eu simplesmente não sei e não consigo escrever, rebaixando minha opinião para o patamar de uma das piores escritas da turma.
Mas a verdade é que, muito embora eu aqui tenha chegado, não comecei a escrever para lamentar minha falta de habilidade redatória, mas sim para expor, ainda que de modo aparentemente incoerente, algumas coisas que têm povoado a minha mente
Felicidade é uma coisa tão abstrata. O que é razão de felicidade pra ti pode não ser apra mim. Do mesmo modo que o sentimento de felicidade pra mim pode não significar nada pra ti.
Mas por que diabos alguém escreveria sobre felicidade?
"Ah, porque é sobre o que estava pensando"
"Nah, é porque tem se sentido muito feliz"
"Que nada, na verdade se sente é muito infeliz"
"psssss... até parece, ta mais é querendo convencer-se a si mesmo a ser feliz"
"hum...vai ver não tem mais nada de útil pra fazer mesmo"
Ta aí, nada de útil pra fazer. Quem diabos gastaria uma enormidade de tempo com um blog que inguém lê? E pior, com um blog cheio de assuntos enfadonhos, com parágrafos enormes e que realmente ninguém lê?
Ta aí, parágrafo grandes são enfadonhos.
Ahh sim! Acabou o semestre, então? Bem, quase. Ainda não recebi uma de minhas notas finais (a mais importante, em minha opinião), porém estou confiante de meu bom resultado e, na pior das hipóteses, minhas férias são adiadas em uma semana e todo mundo faz de conta que esse texto foi postado semana que vem mesmo (como se esse "todo mundo" fosse, de fato, muita gente).
Claro, como todo fim de semestre não posso deixar de sentir algo semelhante a nostalgia pelos momentos que foram e não voltam mais. Por todas as lições que aprendi e, principalmente, por todos os ensinamentos que deixei de aprender. Analiso todas as situações que vivi, todas as coisas que pensei, todas atitudes que tive, todas as decisões que tomei. Todas as coisas que mudaram. Todas as coisas que não mudaram.
O semestre começou a com a formatura do querido Thiago. O único com direito a cela especial caso seja preso é também o menino prodígio daqueles poucos que posso realmente chamar de amigos.
Férias. Iupi.
Passei, sem exames. Independentemente de terrorismos e sustos e medos e cagaços. Passei. Resta a dúvida, serei uma boa profissional ta
Chovia lá fora, embora não fizesse frio. "Quanto mais molhada melhor", pensou ela. Não há homem capaz de resistir aos encantos de uma bela dama, molhada e indefesa, buscando ajuda ao cair da noite. O tempo era escasso, porém mais do que suficiente para que a tarefa fosse cumprida, principalmente a partir de mãos tão meigas e indubitavelmente habilidosas.
Aproximou-se devagar da suntuosa contrução, adornada com gigantescas estátuas de uma figura bastante conhecida. O templo em honra a Baiano, o grandioso e famoso deus craidor dos humanos, era facilmente reconhecido entre as demais obras arquitetônicas da pequena vila. Já próximo ao portal principal, a bela jovem aprumou os cabelos e delicadamente arrumou a blusa de modo que seus seios fossem evidenciados, conseguindo dar a impressão de que a chuva e o movimento causaram tal situação, jamais a vulgaridade. Segura de si, forçou uma respiração pesada e bateu à porta, aguardando com demasiada impaciência.
Quando a pesada porta de madeira abriu-se, a jovem humana de longas madeixas castanhas molhadas teve que conter a surpresa ao ver, no lugar de um pré-adolescente cheio de espinhas, um belo homem de seus 25 anos, no auge de sua beleza física. "Mais fácil ainda", pensou, dando continuidade a seu plano.
- Oh bela jovem, vejo que os deuses dos viajantes não lhe sorriram nesta jornada. Entre e espere um momento, trarei algo para secar-te e aquecer-te. De certo esse frio no corpo não lhe fará bem. Em que mais podemos ajudá-la?
- Vim de longe visitar um tio, mas acho que perdi-me pelo caminho, não sei bem onde estou nem como voltar. Poderia passar a noite aqui e amanhã pela manhã tentar reencontrar meu caminho de volta?
- Claro, bela jovem, o templo e os seguidores do Grande Baiano sempre estarão dispostos a ajudar. Me chamo Derek, qual seu nome?
- Yasmin.
- Yasmin... você vêm dos arredores de Zullah?
- Sim.
- Você vem mesmo de muito longe. Mas venha, acompanha-me.
Derek a conduziu até um vestíbulo, entregou-lhe toalhas secas e um robe adornado no peito com um suntuoso bordado em alto relevo de um berimbau, o símbolo de Baiano. Mostrou-lhe onde estavam os sais de banho, a tina com água quente e os sabonetes. Deixou-a a sós para que se banhasse e foi cuidar de seus afazeres. Yasmin banhou-se demoradamente, vestiu-se e tentou da melhor maneira que foi possível tornar-se atraente a olhos humanos. Não que essa tarefa tivesse qualquer grau de dificuldade, mas tudo deveria sair perfeito, sem chances para falhas. Olhou-se no espelho e concluiu que já bastava, seria a mulher mais bela que aqueles homens já teriam visto em suas vidas mesmo que estivese sangrando e suja de lama, porém beleza jamais seria em demasia. Arrumou os volumosos seios dentro do desajeitado robe e saiu, cheirando a pétalas de rosa. Encontrou Derek sentado a uma mesa ao lado de um senhor de seus 50 anos, conversando animadamente. Assim que a viu Derek levantou-se e dirigiu-se a Yasmin, sem, no entanto, conseguir disfarçar a atração que sentiu ao por os olhos na agora sobrenaturalmente bela jovem.