Dizem que o ônus de morar em cidade pequena, dentre outros, é que todo mundo se conhece e, portanto, a fofoca corre sem freio. Verdade. Todavia, o que nunca me disseram é que cidade grande não é nem um pouco diferente. Pior, quiçá.
Quem nunca fez fofoca na vida, que atire a primeira pedra. É inerente ao convívio em sociedade querer saber da vida daqueles nos cercam e, por consequência, passar a informação adiante. Porém como tudo na vida, até fofoca deveria ter limite. Deveria, pretérito imperfeito indicativo de que não tem.
Não sou a pessoa mais reservada do mundo, nem acho que os Iluminati estão observando nossos passos, todavia tem certas informações que eu gosto de manter em posse de pessoas selecionadas, e não em outdoor de estádio de futebol. O maior problema pra mim sempre foi selecionar para quem desabafar. Ultimamente andei conhecendo gente cuja lealdade vale uma piroca, portanto terminei ouvindo preceptor aconselhar com quem e onde eu devo ou não morar. Invasão de privacidade nível: grande capital.
A partir daí fechei meu coração e, por consequência, minha boca. Porque a bem da verdade, quanto menos gente souber da minha e dos meus planos, maiores as chances de sucesso, já disse Evandro Guedes. Não da pra viver ingenuamente pensando que, porque é cidade grande, as pessoas não tem tempo pra fazer fofoca, é assim que a gente se ferra. Eu é que não tenho tempo pra cuidar da vida alheia. Calei minha boca, guardei meus planos pra mim e fui ser feliz.