terça-feira, 29 de julho de 2014

Ironias da Vida.

Já começo avisando que esse é um texto bem pessoal e pouco informativo sobre qualquer coisa que não seja minha própria vida e visão das coisas. Estou escrevendo unicamente porque tem coisas e especialmente ideias que só saem de mim escritas. Estou publicando porque gosto de reler algum tempo depois, quase como se fosse outra pessoa que tivesse escrito, e conseguir analisar quem eu era e quem eu sou. As vezes é quase como se realmente fosse outra pessoa.


Partindo para o que interessa (ou não), eu sempre tive (e tenho) um pouco de vergonha do meu lattes. Claro que só o fato de eu não ter "criado uma conta" e preenchido o lattes como um perfil do orkut já é motivo para orgulho. Entretanto é fato que eu nunca fui lá muito dedicada para a iniciação científica.

Dei um enfoque muito prático para a minha graduação e, após formada, ganhei meu pão sem olhos acadêmicos de (futura) pesquisadora. Resultado: tenho uma (pois é, UMA) publicação ostentada no meu meu lattes, que nem é lá muito minha nem pode ser chamada de "ó que publicação".

Aí a vida, que é essa caixinha de surpresas (sábio Joseph Climber), fez de mim uma funcionária pública. E como (quase) todo funcionário público, a progressão de carreira é bem generosa para formação adicional. Resultado: resolvi passar por um processo seletivo de mestrado, o qual vim a ser aprovada, apesar do meu lattes (é, aquele que tem uma mísera publicação). 

Então agora eu sou médica, funcionária pública, mestranda, futura epidemiologista (quem me viu, quem me vê, han?).

Toda essa ladainha para dizer que eu decidi fazer dois cursos de extensão (progressão de carreira que não é tão generosa assim, mas um pouco mais de dinheiro é melhor que um pouco menos de dinheiro). Em um desses cursos eu, como boa antissocial, estava sozinha mas de butuca na conversa das monitoras que estavam sentadas próximas à mim. Descobri que eram doutorandas e pós-doutorandas do programa e um dos tópicos da conversa era o genuíno medo das moças em não conseguir emprego terminado o pós doutorado.

Obviamente eu fiquei com isso na cabeça (caso contrário não estaria escrevendo), cheguei em casa e fui catar o lattes das moças. Encontrei páginas e mais páginas de publicações de pessoas que tem pouca coisa mais de idade que eu, e isso estraçalhou meu ego já insatisfeito com meu curriculo.... vamos chamar de insuficiente. 

Aí eu pensei: alguém com duas graduações, mestrado, doutorado e pós-doutorado em andamento, dona de um dos lattes mais recheados que eu já vi, tem medo de não conseguir emprego. Preocupação essa que alguém como eu, com uma mísera graduação e com um artigo publicado em congresso, não enfrento.


Toda essa ladainha para expressar como eu ainda me surpreendo com todas as ironias da vida. E que não é saudável se apavorar muito com o terrorismo que as pessoas fazem sobre diversas coisas na vida, especialmente a vida acadêmica. Passei no processo seletivo do CEFET-RS (atual IFSUL-Pelotas), passei no vestibular pra medicina, passei em um concurso público, passei em um processo seletivo de mestrado, e agora vou elaborar uma pesquisa e defender uma dissertação. A gente tem que estudar e ser bom no que faz e no que sabe, os méritos vem com o tempo, não importa se eles estão escritos nem se podem ser comprovados com certificados. 



Falando em estudar, simbora que ser dotôra² não vai ser mole.