Esses dias, fugindo do iminente e necessário estudo para as 4 provas desta semana, deparei-me com a atualização do blog da Ingrid. Dentre todas as palavras lá proferidas, sem dúvida as que mais prenderam minha atenção foram as que compunham a seguinte construção frasal: "Minha inteligência é indispensável. Eu detesto gente burra e que não pensa. Se eu penso e perco um domingo de sol na frente do computador é porque eu amo a minha profissão, amo criar e dou valor para meus estudos." Bonito isso.
Hoje em dia é estranho encontrar alguém que grite a plenos pulmões que ama sua (futura) profissão. Eu, por exemplo, faço parte daquela casta de pessoas que ama o que deveria fazer, mas na prática não é bem o que faz. O que, por mais que eu realmente dissesse que amo o que faço, na verdade não passaria de um discurso hipócrita de quem "virtualmente gosta da profissão". Sim, vitualmente porque o que eu faço hoje em nada se parece com o que eu farei pro resto da vida. Não vou citar exemplos porque a explainação já está entediante o suficiente sem que eu precise esforço para tal. Mas o fato é que eu não posso enganar, nem a minha nem a meus leitores, dizendo que eu gosto e amo o que faço, pois não seria verdade. Eu amo o que eu deveria fazer e não faço.
Concordo com minha querida amiga, minha inteligência é indispensável e eu odeio gente burra que tem preguiça de pensar. Mas eu não perco um domingo de sol na frente do computador, mas sim escondida atras de livros. E esses domingos perdidos dóem quando eu olho pra recompensa e vejo que não valeu a pena, que não era isso que eu queria estar fazendo, que até a faxina do banheiro parece mais interessante que as atividades que eu ou obrigada a executar. Não que o banheiro da minha casa seja tentador, mas ir diariamente ao hopital conviver com pessoas que acham que eu não tenho mais nada pra fazer, encontrar pacientes (que não são meus) a beira da morte, executar trabalho escravo absurdamente pouco aproveitado no sentido estudantil é que dificulta minha saída da cama toda manhã. Tudo isso agravado pela falta de sábado e domingo, em que eu ainda preciso cumprir tabela e comparecer ao hospital pra mais um pouquinho de trabalho exaustivo, não opcional e não remunerado. Apesar disso a clínica teórica é linda.
Linda, mas não compensa. Pelo menos a meus olhos não vale a pena não poder assisitir meus seriados favoritos na televisão, não compensa a impossibilidade de exercício mental mediante leitura sem compromisso, não vale a pena a impossibilidade de dar seguimento a meus projetos paralelos. Não compensa uma vida vivida exclusivamente para a medicina, pois eu sinto falta das coisas mais banais que não me são mais permitidas, por mais que eu realmente goste de estudar. Eu amo a medicina, mas apenas ela não me satisfaz, preciso de mais... e não me é permitido.
E aí, em momentos como esse em que eu deveria estar estudando para as duas provas de amanhã, ou a de depois de amanhã, ou para o seminário que eu tenho que apresentar depois de depois de amanhã, eu estou aqui, cansada, com sono, tentando distrair os pensamentos por alguns minutos porque eu preciso voltar a estudar, já que todo o resto do dia é ocupado por atividades acadêmicas. Minha força para continuar é o pensamento de que um dia tudo isso melhora e eu serei soberana de mim mesma para exercer a medicina do melhor jeito que me convier. Ou pelo menos assim espero. Eu invejo poucas coisas nessa vida, uma delas são aqueles tipos genéticos que podem comer um boi por dia que não engordam, outra não aquelas pessoas amam o que fazem, e que, ou isso é suficiente, ou lhes é permitido "atividades extra-classe".
Sigo eu perguntando-me, quando será que a coisa melhora?
Hoje em dia é estranho encontrar alguém que grite a plenos pulmões que ama sua (futura) profissão. Eu, por exemplo, faço parte daquela casta de pessoas que ama o que deveria fazer, mas na prática não é bem o que faz. O que, por mais que eu realmente dissesse que amo o que faço, na verdade não passaria de um discurso hipócrita de quem "virtualmente gosta da profissão". Sim, vitualmente porque o que eu faço hoje em nada se parece com o que eu farei pro resto da vida. Não vou citar exemplos porque a explainação já está entediante o suficiente sem que eu precise esforço para tal. Mas o fato é que eu não posso enganar, nem a minha nem a meus leitores, dizendo que eu gosto e amo o que faço, pois não seria verdade. Eu amo o que eu deveria fazer e não faço.
Concordo com minha querida amiga, minha inteligência é indispensável e eu odeio gente burra que tem preguiça de pensar. Mas eu não perco um domingo de sol na frente do computador, mas sim escondida atras de livros. E esses domingos perdidos dóem quando eu olho pra recompensa e vejo que não valeu a pena, que não era isso que eu queria estar fazendo, que até a faxina do banheiro parece mais interessante que as atividades que eu ou obrigada a executar. Não que o banheiro da minha casa seja tentador, mas ir diariamente ao hopital conviver com pessoas que acham que eu não tenho mais nada pra fazer, encontrar pacientes (que não são meus) a beira da morte, executar trabalho escravo absurdamente pouco aproveitado no sentido estudantil é que dificulta minha saída da cama toda manhã. Tudo isso agravado pela falta de sábado e domingo, em que eu ainda preciso cumprir tabela e comparecer ao hospital pra mais um pouquinho de trabalho exaustivo, não opcional e não remunerado. Apesar disso a clínica teórica é linda.
Linda, mas não compensa. Pelo menos a meus olhos não vale a pena não poder assisitir meus seriados favoritos na televisão, não compensa a impossibilidade de exercício mental mediante leitura sem compromisso, não vale a pena a impossibilidade de dar seguimento a meus projetos paralelos. Não compensa uma vida vivida exclusivamente para a medicina, pois eu sinto falta das coisas mais banais que não me são mais permitidas, por mais que eu realmente goste de estudar. Eu amo a medicina, mas apenas ela não me satisfaz, preciso de mais... e não me é permitido.
E aí, em momentos como esse em que eu deveria estar estudando para as duas provas de amanhã, ou a de depois de amanhã, ou para o seminário que eu tenho que apresentar depois de depois de amanhã, eu estou aqui, cansada, com sono, tentando distrair os pensamentos por alguns minutos porque eu preciso voltar a estudar, já que todo o resto do dia é ocupado por atividades acadêmicas. Minha força para continuar é o pensamento de que um dia tudo isso melhora e eu serei soberana de mim mesma para exercer a medicina do melhor jeito que me convier. Ou pelo menos assim espero. Eu invejo poucas coisas nessa vida, uma delas são aqueles tipos genéticos que podem comer um boi por dia que não engordam, outra não aquelas pessoas amam o que fazem, e que, ou isso é suficiente, ou lhes é permitido "atividades extra-classe".
Sigo eu perguntando-me, quando será que a coisa melhora?