Vamos supor que, por um infortúnio do destino, um doutor em língua portuguesa venha a encontrar meu blog e, por algum motivo absurso e abstrato, perca algum tempo tempo do seu dia lendo-o. Supondo isso, já aviso que eu desaprendi a escrever. Desde o dia 01/01/2009 eu faço parte de um imenso grupo de novos analfabetos, graças aos antigos analfabetos políticos, os quais decidiram unificar um idioma que não deveria ser unificado. Convenhamos, antigamente eu já não sabia muito bem o uso do hífen, agora o sei menos ainda. Sem mencionar o acento diferencial do "tem" singular e plural, e sabe-sa lá o que mais mudou e eu não estou sabendo. A parte engraçada disso tudo é que eu vou ser aquela avó que escreve "pharmácia" e põe acento em algumas palavras que não o tem. Ser do século passado pode ter lá suas vantagens.
No fim das contas essas mudanças no meu idioma repercutem em outros campos da minha vida. Um deles, que é o que convém no momento, é meu gosto e desejo por escrever. Não que meus textos sejam brilhantes, aliás, bem longe disso. Entretanto eu tenho certo apreço pela bela escrita, de modo que não meço esforços para que, dentro das minhas possibilidades de mera brasileira não estudiosa da língua, minhas criações sejam, no mínimo, sem errros grosseiros. E agora, como diabos vou escrever alguma coisa sem erros grosseiros se eu nem sequer sei mais o que é um erro de português, seja ele grosseiro ou não?
O exemplo do idioma é deveras pertinente, todavia é fato que essa situação de "antes era assim, mas e agora?" tem tornado-se um tanto quanto repetitiva na minha vida atual. Não deixa de ser um questionamento meio adolescente, de quem não está sabendo lidar com a transição entre reações infantis e adultas, o que, para quem tem 14 anos e está cheio de pêlos pelo corpo sendo que há menos de um ano não passava de uma criança brincando na caixa de areia, não é algo tão difícil de entender. Entretanto eu já passei dessa fase, já menstruo há quase 10 anos, não tenho mais vergonha de ter seios e os pêlos já não são tanto problema assim. E no entanto continuo tendo questionamentos adolescentes. Não que isso seja algo muito fora do comum, pois, psicologicamente, a adolescência vai até os 25 anos, o que me faz pensar que, por 2 anos, meus pacientes serão atendidos por uma médica adolescente. Dá pra acreditar? As vezes eu acho que não dá.
Quase incontáveis são as situações em que eu percebo como penso diferente agora do que pensava há 6 anos. Para citar exemplos, lembro de situações como as de hoje, domingos relativamente ensolarados e intensamente entediantes. Hoje, por decisão própria, preferi ficar em casa, vestida igual um mendigo, comendo apenas quando sentir fome, assistindo seriados de comédia americana no computador, praticamente hibernando no escuro do meu quarto. A Old Cristine enloqueceria, choraria com a cara enfiada no travesseiro, ligaria para todos os amigos disponíveis, sairia a caminhar sem rumo tentanto encontrar alguém com quem conversar, não importando quem fosse. Patético né? E a Future Cristine, como será?
Outras situações, também incontáveis, são as que desejo do recanto mais profundo da minha alma pensar diferente, agir diferente, ser diferente, porém é com grande pesar que realizo que ainda sou a mesma criança chorona que sempre fui. Novamente citando exemplos, sinto-me assim em situações de relacionamentos interpessoais, de amizade também, mas principalmente homem-mulher. Quando mais nova eu apaixonava-me e desapaixonava-me com muita facilidade, sonhava com o príncipe encantado vindo salvar-me montado em um cavalo branco, desejava casamento, até mesmo filhos, e um "felizes para sempre", até o sonho ficar sem cor e aparecer um novo príncipe na história. Convivia com as famosas borboletas no estômago, sentia-me taquicárdica e confabulava em demasia a respeito da correspondência ou não do sentimento. A Present Cristine, apesar de algumas sutis diferenças, ainda é sonhadora, demasiadamente sonhadora. E isso dói, dói como mil facas penetrando meu peito. Claro que dentre as sutis diferenças entre a Old e Present Cristine, uma delas é que eu não me apaixono mais com tanta facilidade, assim como desapaixonar também é muito mais duro que outrora.
E as mundaças não param. Nunca. Há quem diga que tudo pode mudar, porém as coisas importantes não mudam jamais. Eu discordo, pois foram as coisas mais importantes da minha vida que mudaram nos últimos tempos, ou pelo menos foram essas que eu notei a diferença. Quanto a escrita, quem sabe um dia eu venha a reestudar regras gramaticais e volte a fazer parte da casta linguisticamente privilegiada da população, até lá eu seguirei sendo a vó que escreve tudo errado, e sendo feliz assim (ou tentando). Claro que a todo dia agradeço a qualquer que seja a força superior que deu ao ser humano a tão importante e estimada capacidade de negar. Pois sim, eu nego, e não nego que nego. De resto, eu nunca gostei da trema mesmo.
No fim das contas essas mudanças no meu idioma repercutem em outros campos da minha vida. Um deles, que é o que convém no momento, é meu gosto e desejo por escrever. Não que meus textos sejam brilhantes, aliás, bem longe disso. Entretanto eu tenho certo apreço pela bela escrita, de modo que não meço esforços para que, dentro das minhas possibilidades de mera brasileira não estudiosa da língua, minhas criações sejam, no mínimo, sem errros grosseiros. E agora, como diabos vou escrever alguma coisa sem erros grosseiros se eu nem sequer sei mais o que é um erro de português, seja ele grosseiro ou não?
O exemplo do idioma é deveras pertinente, todavia é fato que essa situação de "antes era assim, mas e agora?" tem tornado-se um tanto quanto repetitiva na minha vida atual. Não deixa de ser um questionamento meio adolescente, de quem não está sabendo lidar com a transição entre reações infantis e adultas, o que, para quem tem 14 anos e está cheio de pêlos pelo corpo sendo que há menos de um ano não passava de uma criança brincando na caixa de areia, não é algo tão difícil de entender. Entretanto eu já passei dessa fase, já menstruo há quase 10 anos, não tenho mais vergonha de ter seios e os pêlos já não são tanto problema assim. E no entanto continuo tendo questionamentos adolescentes. Não que isso seja algo muito fora do comum, pois, psicologicamente, a adolescência vai até os 25 anos, o que me faz pensar que, por 2 anos, meus pacientes serão atendidos por uma médica adolescente. Dá pra acreditar? As vezes eu acho que não dá.
Quase incontáveis são as situações em que eu percebo como penso diferente agora do que pensava há 6 anos. Para citar exemplos, lembro de situações como as de hoje, domingos relativamente ensolarados e intensamente entediantes. Hoje, por decisão própria, preferi ficar em casa, vestida igual um mendigo, comendo apenas quando sentir fome, assistindo seriados de comédia americana no computador, praticamente hibernando no escuro do meu quarto. A Old Cristine enloqueceria, choraria com a cara enfiada no travesseiro, ligaria para todos os amigos disponíveis, sairia a caminhar sem rumo tentanto encontrar alguém com quem conversar, não importando quem fosse. Patético né? E a Future Cristine, como será?
Outras situações, também incontáveis, são as que desejo do recanto mais profundo da minha alma pensar diferente, agir diferente, ser diferente, porém é com grande pesar que realizo que ainda sou a mesma criança chorona que sempre fui. Novamente citando exemplos, sinto-me assim em situações de relacionamentos interpessoais, de amizade também, mas principalmente homem-mulher. Quando mais nova eu apaixonava-me e desapaixonava-me com muita facilidade, sonhava com o príncipe encantado vindo salvar-me montado em um cavalo branco, desejava casamento, até mesmo filhos, e um "felizes para sempre", até o sonho ficar sem cor e aparecer um novo príncipe na história. Convivia com as famosas borboletas no estômago, sentia-me taquicárdica e confabulava em demasia a respeito da correspondência ou não do sentimento. A Present Cristine, apesar de algumas sutis diferenças, ainda é sonhadora, demasiadamente sonhadora. E isso dói, dói como mil facas penetrando meu peito. Claro que dentre as sutis diferenças entre a Old e Present Cristine, uma delas é que eu não me apaixono mais com tanta facilidade, assim como desapaixonar também é muito mais duro que outrora.
E as mundaças não param. Nunca. Há quem diga que tudo pode mudar, porém as coisas importantes não mudam jamais. Eu discordo, pois foram as coisas mais importantes da minha vida que mudaram nos últimos tempos, ou pelo menos foram essas que eu notei a diferença. Quanto a escrita, quem sabe um dia eu venha a reestudar regras gramaticais e volte a fazer parte da casta linguisticamente privilegiada da população, até lá eu seguirei sendo a vó que escreve tudo errado, e sendo feliz assim (ou tentando). Claro que a todo dia agradeço a qualquer que seja a força superior que deu ao ser humano a tão importante e estimada capacidade de negar. Pois sim, eu nego, e não nego que nego. De resto, eu nunca gostei da trema mesmo.
mundancas?? (reveja o ultimo paragrafo)
ResponderExcluirBem, mudancas sao legais. Uma das coisas que eu mudei desde a minha adolescencia eh o meu desejo de trazer mudanca para as pessoas a minha volta. Quando eu era mais jovem eu realmente acreditava que trazia mudancas boas para as pessoas. Na verdade as pessoas mudam em conjunto, muito mais com o ambiente e relacionamentos do que por escolha propria. Bem, eu mudei algumas coisas por escolha propria depois de ver alguns bons exemplos (no meu ponto de vista). Mas eu acredito que o velho Moises ainda se encontra presente.
E a velha Cristine tambem. Pode estar revestida com outra tonalidade de tinta, mas ainda continua aquela chorona que sonha em encontrar alguem para estar contigo e - de maneira bizarra - confiar absolutamente. Talvez seja o que todo ser humano quer, certo?
Bem, hoje agora eu tenho um desejo. Vamos ver se eu consigo concretiza-lo. :)
Seremos dois querida Cris, eu também vou continuar escrevendo como sempre escrevi, afinal, demoramos 500 anos para escrever e termos nosso sotaque e não serão esses "professores-políticos" que irão me mudar a escrita! Logo estarão querendo mudar nosso sotaque vais ver! Já voltei das férias e estou trabalhando em um novo post mas muito lentamente pois ainda estou em ritmo de férias preguiçosas, uááánnn... Não houve nenhum plebiscito para essa reforma ortográfica que eu saiba, seria de muito boa educação pedirem nossa opinião antes... Aliás, eu estou até curioso, sefá que o camafada pfesidente pvaif apfendef a falaf melhof??? Heuheuhehuhe! Befos do conde anarquista como sempre que está "Dançando dormindo de olhos abertos a sombra da alegoria dos faraós embalsamados" com a única diferença que hoje são "sapos barbudos embalsamados" (É o refrão do "Rancho da Goiabada" do John Bosk, João Bosco)
ResponderExcluir"Brasileiro lutar contra a falcatruagem é como mexicano trabalhar no departmento de imigração americano. É antinatural e uma luta contra a causa." Heuheuheheuhehe, genial Cris, genial :))))
ResponderExcluirSomos unidades de carbono em constante movimento molecular, logo em constantes mudanças tbm...
ResponderExcluirDesde que ainda se reconheça tua composição inicial acho que tá tudo certo...
E tudo que eu espero de uma "Future Cristine" é que ela seja amiga de um loco chamado Juca...
=P
Vc brincava mesmo na caixa de areia?
ResponderExcluirQuanto a mudanças, boas ou ruins, o melhor é curtir, continuar caminhando, só o futuro nos dirá se as mudanças foram boas ou ruins.
e quanto ao portugues, as mudanças com certeza foram ruins!
saudades!
Pois é né amiga, tantas reflexões. O passado, o presente, o futuro, quem fomos, quem somos, quem seremos.
ResponderExcluirSe não temos como explicar, vamos escrever. Uma hora a gente aprende as novas regras.
Bjosteamo.