Vamos supor que estamos em um desses programas de televisão de auditório que vão ao ar no domingo de tarde, então um repórter vai à rua fazer uma pesquisa popular. O tema é relacionamento, sendo que metade das pessoas responde à pergunta "o que é vida de solteiro?" e a outra metade "o que é vida de casado?". Claro que o tipo de resposta iria variar muito entre os entrevistados, principalmente quanto ao enfático paradigma "mulheres são de vênus e homens são de marte", o que todo mundo está careca de saber. De qualquer modo, alguém tem alguma idéia que tipos de respostas iriam surgir?
A vida de solteiro não tem mistério, afinal todo mundo já foi solteiro um dia, por mais que não se lembre disso. Liberdade é a palavra chave. Sair a hora que quer, com quem bem entender, fazer o que der vontade e não precisar tentar inventar boas desculpas para ninguém em nenhuma parte do trajeto. Entrar em diversos jogos de sedução, conhecer vários corpos em uma noite, acordar na cama de um desconhecido. Para ser solteiro tem-se que ser autosuficiente (não faço idéia se tem hífem ou não). Promiscuidade talvez seja a segunda palavra chave, ou pelo menos a possibilidade sem retaliações morais. O que ninguém fala da vida de solteiro é a solidão. Assistir sem companhia a um filme na tarde do domingo chuvoso (ao invés do programa de auditório), uma panela de brigadeiro para apenas uma pessoa, metade da cama desocupada na noite de temporal, aquela barata maldita correndo livre pela cozinha sem ninguém para esmagá-la.
Já a vida de casado é de pouco mais trabalhosa dissertação, embora não impossível, imaginação é tudo. Há quem diga que aqui a palavra-chave (ainda tem hifem essa porcaria?) é prisão. Satisfação de cada passo dado, com quem foi, onde foi, o que fez, que hora voltou, como voltou, quem voltou contigo, quem encontrou por lá. E ainda tem o grude, a tradição e a obrigação, a famosa convivência forçada. Entretanto, novamente o que quase ninguém menciona, é a companhia para o escurinho do cinema, o abraço na noite fria e chuvosa, o ombro inesgotável para as horas de necessidade, a cumplicidade sexual e, é claro, a tampa do pote aberta, a lâmpada trocada e a barata morta na cozinha.
Tudo nessa vida tem seus pontos positivos e negativos, clichê, certamente, mas também é a mais pura verdade. O que significa que cada um vai ter que pesar os prós e os contras de cada situação para sua vida em particular e decidir o que melhor lhe convém. Eu tenho pesado muitas coisas, e a sensação que tenho é que a minha balança anda meio descalibrada, obviamente é isso que da a mim os quilinhos a mais que tanto desprezo, mas isso não vem ao caso. A raíz da questão toda é que tem momentos em que eu sinto que sou de outro planeta.
Explicando melhor, detesto festas, odeio cigarro, não tiro realização pessoal de rituais de acasalamento e a promiscuidade não me atrai. O que significa que eu só ganho a parte ruim da vida de solteiro. Não que eu seja muito fã de dar satisfação de toda a minha vida, porém eu realmente gosto de assitir filmes acompanhada e ter com quem fazer comentários imbecis, bem como ter em quem esquentar os pés durante a noite e, é óbvio, as baratas da minha casa precisam de alguém que as domine. No fim das contas dar satisfação nem é um fardo tão pesado assim, e a convivência forçada não existe, simplesmente porque a partir do momento em que as presenças são impostas um ao outro, não há mais motivo algum para que a relação seja mantida.
E essa relação a que me refiro não é um atestado de óbito para a liberdade, é apenas um contrato de fidelidade por desejo mútuo. Isso significa que cada indivíduo continua a ser um indivíduo, com suas respectivas qualidades, defeitos, desejos, sonhos, amigos, medos, atividades. Com a diferença que em algum ponto todas essas coisas se cruzam com as coisas de outra pessoa, só que por vontade de ambos e não obrigação de ninguém. A partir do momento que qualquer atividade conjunta torna-se obrigação, seja ela qual for, a relação perdeu suas bases. E uma relação sem bases é nada.
E aí tudo que parecia simples até então, se confunde em um mar de variáveis, apimentado com uma salva de possibilidades, pois vida de solteiro ou casado é muito mais complexo e engloba muitas alternativas mais que uma simples pesquisa popular pode mostrar, principalmente se essa pesquisa for vinculada e um programa de auditório de domingo. Até porque, cá entre nós nós, existe alguma coisa mais sem pontos positivos que a programação da TV aberta no domingo?
A vida de solteiro não tem mistério, afinal todo mundo já foi solteiro um dia, por mais que não se lembre disso. Liberdade é a palavra chave. Sair a hora que quer, com quem bem entender, fazer o que der vontade e não precisar tentar inventar boas desculpas para ninguém em nenhuma parte do trajeto. Entrar em diversos jogos de sedução, conhecer vários corpos em uma noite, acordar na cama de um desconhecido. Para ser solteiro tem-se que ser autosuficiente (não faço idéia se tem hífem ou não). Promiscuidade talvez seja a segunda palavra chave, ou pelo menos a possibilidade sem retaliações morais. O que ninguém fala da vida de solteiro é a solidão. Assistir sem companhia a um filme na tarde do domingo chuvoso (ao invés do programa de auditório), uma panela de brigadeiro para apenas uma pessoa, metade da cama desocupada na noite de temporal, aquela barata maldita correndo livre pela cozinha sem ninguém para esmagá-la.
Já a vida de casado é de pouco mais trabalhosa dissertação, embora não impossível, imaginação é tudo. Há quem diga que aqui a palavra-chave (ainda tem hifem essa porcaria?) é prisão. Satisfação de cada passo dado, com quem foi, onde foi, o que fez, que hora voltou, como voltou, quem voltou contigo, quem encontrou por lá. E ainda tem o grude, a tradição e a obrigação, a famosa convivência forçada. Entretanto, novamente o que quase ninguém menciona, é a companhia para o escurinho do cinema, o abraço na noite fria e chuvosa, o ombro inesgotável para as horas de necessidade, a cumplicidade sexual e, é claro, a tampa do pote aberta, a lâmpada trocada e a barata morta na cozinha.
Tudo nessa vida tem seus pontos positivos e negativos, clichê, certamente, mas também é a mais pura verdade. O que significa que cada um vai ter que pesar os prós e os contras de cada situação para sua vida em particular e decidir o que melhor lhe convém. Eu tenho pesado muitas coisas, e a sensação que tenho é que a minha balança anda meio descalibrada, obviamente é isso que da a mim os quilinhos a mais que tanto desprezo, mas isso não vem ao caso. A raíz da questão toda é que tem momentos em que eu sinto que sou de outro planeta.
Explicando melhor, detesto festas, odeio cigarro, não tiro realização pessoal de rituais de acasalamento e a promiscuidade não me atrai. O que significa que eu só ganho a parte ruim da vida de solteiro. Não que eu seja muito fã de dar satisfação de toda a minha vida, porém eu realmente gosto de assitir filmes acompanhada e ter com quem fazer comentários imbecis, bem como ter em quem esquentar os pés durante a noite e, é óbvio, as baratas da minha casa precisam de alguém que as domine. No fim das contas dar satisfação nem é um fardo tão pesado assim, e a convivência forçada não existe, simplesmente porque a partir do momento em que as presenças são impostas um ao outro, não há mais motivo algum para que a relação seja mantida.
E essa relação a que me refiro não é um atestado de óbito para a liberdade, é apenas um contrato de fidelidade por desejo mútuo. Isso significa que cada indivíduo continua a ser um indivíduo, com suas respectivas qualidades, defeitos, desejos, sonhos, amigos, medos, atividades. Com a diferença que em algum ponto todas essas coisas se cruzam com as coisas de outra pessoa, só que por vontade de ambos e não obrigação de ninguém. A partir do momento que qualquer atividade conjunta torna-se obrigação, seja ela qual for, a relação perdeu suas bases. E uma relação sem bases é nada.
E aí tudo que parecia simples até então, se confunde em um mar de variáveis, apimentado com uma salva de possibilidades, pois vida de solteiro ou casado é muito mais complexo e engloba muitas alternativas mais que uma simples pesquisa popular pode mostrar, principalmente se essa pesquisa for vinculada e um programa de auditório de domingo. Até porque, cá entre nós nós, existe alguma coisa mais sem pontos positivos que a programação da TV aberta no domingo?
Ok... Tirando as coisas complexas dificeis de entender...
ResponderExcluirTU QUER CASAR?? Que legal ^^
Voce esqueceu que geralmente um casamento leva a filhos, e nenhum solteiro deseja filhos... Quer dizer, filhos quando se eh solteiro, what??
Eh, voce esqueceu dos filhos... mas eu entendo isso.
Sabe, eu ateh acho bom casar e ter filhos, da um proposito pro casal. Um desejo que traz uniao. Mas ao mesmo tempo, eu nao sei...
Casar... Eu quero casar... Dividir a vida. Ter quem gostar. Sei lá. Amar é tão bom...
ResponderExcluirConcordo em: genero, numero e grau, especialmente na parte que fala "cada indivíduo continua a ser um indivíduo, com suas respectivas qualidades, defeitos, desejos, sonhos, amigos, medos, atividades. Com a diferença que em algum ponto todas essas coisas se cruzam com as coisas de outra pessoa, só que por vontade de ambos e não obrigação de ninguém. A partir do momento que qualquer atividade conjunta torna-se obrigação, seja ela qual for, a relação perdeu suas bases. E uma relação sem bases é nada."
ResponderExcluirDo meu ponto de vista, uma amigo é alguem q te compreende, q tu confia, que tu gosta de ter por perto, q ttem os mesmos interesses, e as mesmas afinidades; e um namorado é um amigo que tu quer passar o "resto da vida" junto, um amigo com umas "caricias" a mais, e o marido, é um eterno namorado...
Intao resumindo: axo q tu tem q tar com a pessoa porque tu gosta, nao pq é teu "namorado/marido" como c foce uma obrigaçao, mas sim pq é um prazer ter ele por perto...
p.s. Adorei teu geito de pensar...
=***
Viu, eu ainda tenho chance de desencalhar sem precisar apelar pro golpe do baú!
ResponderExcluir^^
sim, é claro q tem, é soh saber escolher... ^^
ResponderExcluir=***
Heuheheuhehheuh, certamente que tem Cris, heuheheuhehe! e concrdo, programação de tv aberta de domingo e semanal é um excelente exemplo do atual nível cultural do povo brasileiro, "Programa Raul Gil" e "Sílvio Santos"!!! ARGHH!!! Como se já não bastasse não saber votar, nossos compatriotas também tem um péssimo gosto televisivo! Qualquer seriadozinho enlatado bate a tv aberta facilmente! Em relação a casar e ter filhos, eu acabei de casar e ter dois... No jogo The Sim's Bustin Out, he,he,he, na vida real, com a crise atual, só dá para ter filhos e casar se fores um sheik árabe, senão... E essas antas que casam sem poder sustentar nem a si mesmos e tem 300 filhos de uma vez??? Muitos fazem isso apenas para poder ganhar o Bolsa-Família e serem sustentados gratuitamente pela Coroa Vermelha brasileira... A verdadeira "monarquia popular"... Fazê! Ando distante da Web, meio triste, cabisbundo e meditabaixo! Ahhh, não sei porquê! Acho que vou virar um ermitão, comprar equipamento de camping, e me mudar para alguma ilha distante, deserta e segura! Ô beleza! Beijocas amada Cris ^^
ResponderExcluirVocê escreve tão bem que faz parecer linda qualquer circunstância da vida, por mais angustiante que seja. Sei um pouco dos dois lados, da vida de solteira e da vida de casada, e atualmente não sei em qual das duas estou - o que é pior do que as duas, a indefinição.
ResponderExcluirParabéns pelo blog.
Alguns meses atras, eu estava em uma moto encontro em uma cidade do interior de Goiás, próximo a caldas novas e uns 300Km de Goiânia... chamada morrinhos, muitas motocicletas, Rock'n roll pesado rolando de uma banda no palco, cerveja barata e muita pinga. fumaça de churrascos que os moto clubes faziam em suas tendas. houve um momento em q a banda parou, o organizador pediu a atenção de todos pra celebrarmos o casamento de um irmão com uma garota la... (até hoje acho q foi akela: só depois de casado), mas de fato eles casaram, um padre integrante de um motoclube realizou o casamento e por incrível q pareça 10 meses (ontem) conversei com ele e fiquei sabendo q continuam casados... pra alguns é bom! depende de como vc vive antes de casar... e como vc aceita viver depois de casado.
ResponderExcluirCasamento num moto clube nao eh bem o que eu gostaria para mim. Mas tem gosto para tudo neh? XD
ResponderExcluir