terça-feira, 6 de maio de 2008

O dinheiro é Tóxico.

Eu, confessa e assumida, embora não orgulhosamente, sou integrante de um seleto grupo de pessoas relativamente alienadas quanto aos meios de comunicação. Todavia, ultimamente, assistir aos noticiários tem sido uma atividade relativamente prazerosa e, sem dúvida, inspiradora de muitas reflexões, principalmente quando o tempo ocioso que não se tem vem a ser utilizado na tentativa de compreender as motivações, ainda que inconcientes, que levam as pessoar a tomar determinadas atitudes. Não que seja fácil, mas funciona como um exercício mental.

A bola da vez tem sido, sem sombra de dúvida, a confusão criada entre nosso ex-melhor jogador do mundo e três profissionais do sexo de gênero duvidoso (pelo menos aparentemente). Eufemismos à parte, é de conhecimento nacional (para não dizer mundial) de que o Ronaldo Fenômeno, em uma noite triste (segundo declarações do próprio) decidiu buscar companhia especializada para dispersar a tristeza da solidão noturna. Já no motel descobriu que as três moças possuiam alguns acessórios extras, os quais Ronaldo declarou não ser de seu agrado, decidindo, então, dispensar as profissionais sem a realização do serviço a que se propunham, porém essas receberiam o valor justo pelo tempo disperdiçado. Bem, foi mais ou menos aí que começou a confusão, pois enquanto a jovem relata que Ronaldo a pediu para que fosse comprar drogas entregando-lhe os documentos de seu carro como garantia e no retorno não quis pagar-lhe o valor justo, o Fenômeno conta que em nenhum momento houve o envolvimento de drogas, mas que lhe foi exigido R$50000 ou o caso todo iria ser levado a público. O que realmente aconteceu para que houvesse a explosão pública do caso não é de suma importância, afinal, tendo havido tentativa de extorção ou não, não muda o fato de que um homem rico, famoso e que tem a oportunidade de sair com as mulheres mais belas do mundo tenha procurado companhia em travestis (ou prostitutas, caso realmente a contratação tenha sido um engano), as quais, sem dúvidas, não chegam aos pés, pelo menos fisicamente, das belíssimas mulheres com quem Ronaldo já teve a oportunidade de relacionar-se. Sem dúvida o caso de Ronaldo não foi o primeiro e, com certeza, não será o último escândalo envolvendo pessoas ricas e famosas, de modo que não é de difícil constatação que não são raras as explosões de situações semelhantes, ou pelo menos tão vergonhosas quanto.

Não pude deixar de lembrar das sábias palavras de um de meus professores de Psicologia Médica IV ao ver a manchete a respeito de Ronaldo: "dinheiro é tóxico". E, parando pra pensar mais seriamente no mundo que me cerca, sou obrigada a concordar com ele. Claro que é bom ter dinheiro, poder exercer sem peso na conciência o consumismo capitalista e ter a oportunidade de dar aos filhos todo aquele bem estar que nossos pais não tiveram a oportunidade de nos dar. Entretanto, até que ponto a abundância monetária tras apenas benefícios? Peguemos como exemplo outro homem em voga na mídia atualmente, Alexandre Nardoni. Pai de família, 26 anos, advogado e... recebe mesada mensal do pai ainda hoje. Já não seria tempo do homem caminhar com seus próprios pés e aprender que dinheiro tem valor suado e que temos que batalhar por ele, assim como qualquer outra coisa na vida? Ou ainda toda essa horda de "filhinhos de papai" que, em seu fulgor juvenil, acredita-se imune a fatalidades da vida a ponto de fazer roleta russa em uma movimentada avenida ou, muito pior, atear fogo em um mendigo sem o menor remorso ou medo das penalidades legais?

A impressão que tenho é que algumas pessoas não dão valor a coisas como dinheiro, status social, profissão e, nos casos mais graves, não dão importância à família e subvalorizam até mesmo a vida, e o que é pior, dos próprios filhos, contrariando a todos os instintos. A coisa funciona mais ou menos como uma compra, "meu filho, sou seco demais para te dar amor, então eu compro essa falta com uma gorda mesada, ok?", e aí fica tudo bem, educação e dinheiro são coisas substituíveis, mesmo. Ou ainda "sou podre de rico a ponto de poder fumar notas de 100, por que não sair fazendo coisas idiotas se poderei pagar pelo silêncio ou a fiança depois?". Não que eu ache que dinheiro seja ruim, bem pelo contrário, afinal em nenhum momento tive treinamento em monastério e fiz voto de pobreza, apenas penso que há coisas um pouco mais relevantes para a vida de um indivíduo que sua capacidade financeira, como por exemplo uma educação sólida, consistente, com manifestação de valores e, principalmente, senso de responsabilidade. A verdade é que não é exatamente o dinheiro que é tóxico, mas sim o modo como algumas pessoas o utiliza na tentativas de subtituir aquelas coisas nas quais se acham falhas, como por exemplo amor paterno. Claro que dinheiro é importante, mas não é com ele que se contrói responsabilidade e bom carater. E, feliz ou infelizmente, é primaria, mas não unicamente, com responsabilidade e bom carater que são evitados escândalos com travestis ou assassinatos familiares.

2 comentários:

  1. Este comentário foi removido pelo autor.

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  2. Substituir amor com dinheiro? Ná, eu não... Substituo a carência da minha podre (pobre) figura paterna com comida...

    Ou a falta dela.

    ^^

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