Hoje, estranhamente, resolvi comer algo antes de sucumbir ao sono. Como de praxe liguei a televisão. Novela. Meu cérebro já escorre pelo nariz a cada espirro mais do que o suficiente, não preciso novos e fortes estímulos para isso, de modo que preferi assistir ao noticiário. Sensacionalismo. Fico pensando o tipo de mentalidade que é preciso ter para que se faça parte das massas controladas pela mídia, afinal eu não acho que as evidências do caso Isabella Não Sei das Quantas ou as prévias da CPI de Sei Lá o Quê sejam exatamente assim do jeito que eles mostram. Se o que a mídia diz realmente fosse verdade o Lula seria o melhor presidente que o país já teve, o status econômico e social do brasil estaria em ascenção exponencial e nenhuma pessoa deixaria de ser atendida por falta de profissionais no SUS. Controle de massas acéfalas. Chego a realmente ter dúvidas quanto ao que tem maior poder de estimular e intensificar um derretimento cerebral, notícias sensacionalistas ou a novela das 8.
A parte interessante é que, tomando a manchete por verdadeira, posso tranquilizar meu coração ao saber que atrocidades não acontecem apenas no Brasil. Digo isso porque foi anunciada a libertação de uma mulher depois de 20 anos em cativeiro no porão de sua casa, onde era mantida presa por seu pai. Pelo que ouvi a mulher, agora com 42 anos, deu a luz a 7 crianças, as 3 mais velhas eram mantidas em cárcere com ela, uma morreu logo após o nascimento e foi encinerada pelo pai/avô e as outras 3 eram criadas junto com a avó, como filhos adotivos, na mesma casa, porém na parte de cima, em que estava presa a desgraçada mulher. Ao que parece uma das crianças foi levada em coma ao hospital, os médicos imploraram na mídia pela presença da mãe (quem disse que televisão é de todo ruim?) e esta, que havia visto a reportagem, implorou ao pai, o qual, compadecidamente, libertou-a e confessou o crime de 20 anos. Meio coisa de humor negro, mas eu tive que rir quando a mãe da aprisionada disse que não sabia do paradeiro de sua filha. Tudo isso aconteceu na Áustria, mesmo país em que, recentemente, foi libertada aquela menina (agora mulher) depois de 8 anos de cativeiro. Primeiro mundo, han?
No mesmo noticiário ainda revi, pela enésima vez, a reconstrução do caso da menina defenestrada. Todo esse alvoroço em cima disso lembra-me de um outro assassinato de criança, o menino que foi amarado pelo pé no cinto de segurança e arrastado rua a fora por um carro displiscente em alta velocidade. Não sei o que é mais chocante, um pai que assassina a própria filha (independente do modus operandi) ou um indivíduo qualquer que arrasta uma criança inocente consciente e propositalmente. Não lembro dos detalhes do caso do menino arrasatado, porém lembro perfeitamente que a repercussão não foi tão grande quanto o caso Isabella ou, o que é pior, o caso da cadela Preta. Claro que uma cachorra prenha arrastada por um carro a ponto de não apenas morrer mas também espalhar seus filhotes quase a termo pelas ruas da cidade não apenas é criminoso como também é atroz, só não entendo por que as pessoas chocaram-se pela cadela de modo tão mais superior, verdadeiro e indignante do que pela criança. Também não lembro de tantos manifestos quanto ao índio que foi queimado vivo pelos filhinhos de papai que alegaram achar que fosse um mendigo, como se pobreza, falta de oportunidade na vida e até mesma vagabundagem e marginalidade fossem motivos suficientes para que a carne seja tostada e vida seja abreviada de modo tão cruel.
De fato são muitas as coisas que não entendo, definitivamente, a respeito das motivações humanas, sejam elas quais forem, não importando se é churrasco de mendigo, patê de criança, guisado de cadela ou mulher à wisky 20 anos. Assim como eu também não entendo como a mídia pode, tão facilmente, controlar as massas de um modo tão, mas tão ridículo, a ponto de que Paulo Maluf consiga eleger-se depois de tudo o que a professora de história nos ensina na escola, independente de ser uma cidadezinha lá do fim do mundo, pois lá também existem colégios. E é exatamente por isso que eu acho o indivíduo uma entidadade tão mais intrigante que o conjunto social, pois, apesar de todos os pesares, um indivíduo pode mudar e melhorar, ao passo que para a sociedade eu não vejo mais salvação, pelo menos não enquanto houverem indivíduos que defenestram crianças, arrastam cadelas, põe fogo em mendigos ou acreditam piamente no que diz o Jornal Nacional (a propósito, tu já desde tchau pro Willian Bonner hoje?).
A parte interessante é que, tomando a manchete por verdadeira, posso tranquilizar meu coração ao saber que atrocidades não acontecem apenas no Brasil. Digo isso porque foi anunciada a libertação de uma mulher depois de 20 anos em cativeiro no porão de sua casa, onde era mantida presa por seu pai. Pelo que ouvi a mulher, agora com 42 anos, deu a luz a 7 crianças, as 3 mais velhas eram mantidas em cárcere com ela, uma morreu logo após o nascimento e foi encinerada pelo pai/avô e as outras 3 eram criadas junto com a avó, como filhos adotivos, na mesma casa, porém na parte de cima, em que estava presa a desgraçada mulher. Ao que parece uma das crianças foi levada em coma ao hospital, os médicos imploraram na mídia pela presença da mãe (quem disse que televisão é de todo ruim?) e esta, que havia visto a reportagem, implorou ao pai, o qual, compadecidamente, libertou-a e confessou o crime de 20 anos. Meio coisa de humor negro, mas eu tive que rir quando a mãe da aprisionada disse que não sabia do paradeiro de sua filha. Tudo isso aconteceu na Áustria, mesmo país em que, recentemente, foi libertada aquela menina (agora mulher) depois de 8 anos de cativeiro. Primeiro mundo, han?
No mesmo noticiário ainda revi, pela enésima vez, a reconstrução do caso da menina defenestrada. Todo esse alvoroço em cima disso lembra-me de um outro assassinato de criança, o menino que foi amarado pelo pé no cinto de segurança e arrastado rua a fora por um carro displiscente em alta velocidade. Não sei o que é mais chocante, um pai que assassina a própria filha (independente do modus operandi) ou um indivíduo qualquer que arrasta uma criança inocente consciente e propositalmente. Não lembro dos detalhes do caso do menino arrasatado, porém lembro perfeitamente que a repercussão não foi tão grande quanto o caso Isabella ou, o que é pior, o caso da cadela Preta. Claro que uma cachorra prenha arrastada por um carro a ponto de não apenas morrer mas também espalhar seus filhotes quase a termo pelas ruas da cidade não apenas é criminoso como também é atroz, só não entendo por que as pessoas chocaram-se pela cadela de modo tão mais superior, verdadeiro e indignante do que pela criança. Também não lembro de tantos manifestos quanto ao índio que foi queimado vivo pelos filhinhos de papai que alegaram achar que fosse um mendigo, como se pobreza, falta de oportunidade na vida e até mesma vagabundagem e marginalidade fossem motivos suficientes para que a carne seja tostada e vida seja abreviada de modo tão cruel.
De fato são muitas as coisas que não entendo, definitivamente, a respeito das motivações humanas, sejam elas quais forem, não importando se é churrasco de mendigo, patê de criança, guisado de cadela ou mulher à wisky 20 anos. Assim como eu também não entendo como a mídia pode, tão facilmente, controlar as massas de um modo tão, mas tão ridículo, a ponto de que Paulo Maluf consiga eleger-se depois de tudo o que a professora de história nos ensina na escola, independente de ser uma cidadezinha lá do fim do mundo, pois lá também existem colégios. E é exatamente por isso que eu acho o indivíduo uma entidadade tão mais intrigante que o conjunto social, pois, apesar de todos os pesares, um indivíduo pode mudar e melhorar, ao passo que para a sociedade eu não vejo mais salvação, pelo menos não enquanto houverem indivíduos que defenestram crianças, arrastam cadelas, põe fogo em mendigos ou acreditam piamente no que diz o Jornal Nacional (a propósito, tu já desde tchau pro Willian Bonner hoje?).
Fico tão em feliz em saber que tenho uma amiga muito inteligente e com um excelente senso crítico.
ResponderExcluirAmo-te.
Bem, o caso da menina foi mais divulgado porque toda situação ficou esquisita: quem matou? Por que matou? A criança apanhava? Foi o pai? Blablablas... O caso do menino que foi arrastado, apesar da crueldade intencional, ficou claro... Creio que essa absurda clareza tolheu a super-exposição - se bem que lembro de ter ficado saturada do tal João Hélio na época e ter tido vontade de arrastar a mãe dele junto. Além disso, a indignação popular se voltou a nossa já companheira de todas as noites violência carioca, caso bem diferente da atual suspeita familiar do assassinato da garotinha.
ResponderExcluirO caso da cadela apareceu uma vez no Fantástico, mas a maior exposição foi aqui mesmo porque, afinal, foi perto. Manifestações e afins aconteceram na nossa Praça, não e, que eu saiba, não houve protestos parecidos em outras partes do país - ou mesmo do estado.
Garanto que na Áustria as pessoas vão, em algumas semanas, postar em seus blogs reclamando da mídia sensacionalista sobre as meninas de cativeiro.
E ai, Cris! ^^
ResponderExcluirEm relacao a midia. Eles realmente manipulam as massas. Soh em um ponto voce pecou hehe. No ponto em q diz que as massas vendem a ideia de que o Pres. Lula eh o melhor q jah existiu. Bem... A midia vende exatamente o contrario e se existe algum orgao que diz q o Presidente Lula eh o melhor sao os orgaos de pesquisa e estatistica... Sim, o Presidente Lula eh o melhor! haha
Em relacao ao caso da Isabella, no comments.
Em relacao ao caso da Austriaca... O pai teve a demencia de se desculpar dizendo q escondeu a filha para protege-la das drogas. Aham! Estuprou-a e teve 7 filhos com ela por esse motivo também? A estupidez humana chega a niveis absurdos!
Mais um fato estranho... Em paises europeus nao existe sensacionalismo na mesma medida q no nosso Brasil. Existem leis que proibem esse tipo de "negocio", protegendo o cidadao de "loucos pela verdade". Inclusive na Austria esse tipo de lei deve existir, o que fara com que a midia se focalize em muito mais noticias do que atualmente, nos brasileiros, temos acesso. Tudo que vemos eh sensacionalista.
Se aqui no brasil lei semelhante entrar em discussao, a midia inteira se ourica dizendo: ESTAO TENTANDO NOS CENSURAR. E o povo comeca a acreditar que estamos voltando a ditadura.
Conclusao: Nao existe presidente, governo, partido, verdade ou mentira. Existe a rede Globo e sua fome pretensiosa...
Respondendo à afirmação do Moisés sobre a proibição de sensacionalismo na Europa, vou mostrar algumas falhas... Primeiro: Toda essa moda de falar sobre a vida das celebridades de forma até mórbida começou com o jornal "The Sun", na Inglaterra. Os chamados "tablóides" inventaram isso, todas as revistinhas de fofocas derivam disso;
ResponderExcluirDepois, por que a popularidade do presidente francês Nicolau Sarkozy tem caído tanto, quando ele tem tomado atitudes firmes em relação às reformas universitárias e tributárias na França - coisa que o ex-presidente Jacques Chirac não fez e, por isso, foi punido com manifestações violentas-? Porque ele se separou e se casou, poucos meses depois, com a modelo e cantora ítalo-francesa Carla Bruni, situação que foi impiedosamente execrada pela mídia marrom;
Por último, por que será que a expressão "Papparazzi" vem de uma língua falada na Europa e não deriva do inglês americano ou do português?
Sem falar na pressão que a imprensa austríaca fez para que a recém-liberta Natasha Kampush desse entrevistas...
Então, se não há sensacionalismo na Europa, é de fevereiro de 2008 pra cá.
Não amada, de maneira alguma.
ResponderExcluirMas com certeza, as minhas seriam.
Amo-te, e as horas se aproximam.
O.o
ResponderExcluirler todo o blog, muito bom
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