sábado, 26 de abril de 2008

Hamburguer e Batata Frita


Pois então as coisas seguem seu rumo, quase que tal qual como deveriam seguir. Ou pelo menos como esperamos que elas sigam, dentro daqueles ditos padrões de normalidade com os quais estamos acostumados a lidar diariamente. De fato isso não significa que tenha sido fácil ou prazeroso, ou ainda do melhor modo possível, significa apenas que tudo segue ocorrendo dentro do esperado. Sem muitas perspectivas de melhoras, todavia essas não fazem parte do normal, mesmo.

A parte interessante é que, apesar de o semestre em que encontro-me ser aquele que eu mais precisaria estudar em toda minha longa história de 4 anos universitários, tem sido o período em que menos tenho ido ao encontro do conhecimento, correndo contra todas as probabilidades e, principalmente, de encontro a todos os aconselhamentos. Se eu sinto-me culpada? Óbvio que sim, afinal eu, embora fora dos padrões, devo ter tido algum complexo de Édipo e com certeza tenho um superego bastante desenvolvido, o que leva-me a perder alguns instantes de sono perguntando a mim mesma por que diabos eu comi tanto hamburguer com batata-frita ao invs de seguir a dieta que eu não faço, com a cara enfiada nos livros tentando entender a abstração de um eletrocardiograma. De qualquer modo eu perdi grande parte da minha capacidade de abstração mesmo... sou só eu ou nós emburrecemos exponencialmente com o passar do tempo?

Via de regra eu sentiría-me bastante culpada por não saber o que é prurigo estrófulo em uma prova de pediatria, e o que é pior, supôr que é 'apenas' varíola quando não passa de um nome bonito pra picadas de inseto, entretanto a coisa não funciona exatamente como nossos insistentes pais costumam tentar pôr em nossas cabeças desde os primórdios de nossa existência. Afinal, o fato de eu permitir-me reunir-me com amigos pra comer hamburguer e batata frita e quem sabe jogar RPG não significa que eu serei uma profissional tão pior assim que aquelas pessoas que dedicam sua vida exclusivamente à maldita faculdade. Poxa vida, saúde mental é muito mais que fundamental para um bom desempenho estudantil, de modo que se eu não permitir a mim mesma alguns escapes da dieta dos livros eu com certeza irei surtar antes de completar trinta. O estranho é que, por mais que faça todo esse discurso em prol da diversão e comilança, eu deito a cabeça no travesseiro e sinto-me muito culpada por não ter estudado e, principalmente, estar entupindo minhas artérias desde tão cedo. Ainda acho que se o cardápio fosse o tal do marreco recheado metade da minha culpa seria atenuada.

A vedade é que nós sempre fazemos projeções das coisas, independentemente de qual é a realidade, e agimos de acordo com aquilo que achamos que é real. E vamos admitir, quem de nós nunca manipulou a realidade para que ela fosse (parecesse) um pouquinho mais com aquilo que gostaríamos? E o pior de tudo é que, embora na maioria das vezes seja inconsciente, muitas vezes temos plena consciência dessa manipulação da teia. Não culpo ninguém, é muito mais fácil viver desse jeito mesmo, se não fosse assim não existiriam os ditos sintomas psicóticos. Não sei se me fiz entender, mas a questão é que sempre encontramos explicações lógicas para ações e sentimentos ilógicos. Por exemplo o desejo do Moisés de comer uma pera antes do hamburguer e batata frita com a explicação de que assim ele comerá menos depois, ou então nosso acompanhamento de coca zero e maionese sem colesterol para que a comilança seja (um pouco) mais saudável. Ou ainda manifestações de nossos sentimentos pessoais sob a forma de coisas ilusórias ou aquelas ações que sempre encontramos uma explicação lógica para camuflar a nós mesmo uma ansiedade que talvez não saibamos caracterizar.

Ser humano é bicho estranho mesmo, completamente ilógico tentando encontrar lógica em tudo o que vê pela frente. Julga sem querer ser julgado, condena sem querer ser condenado e faz mal sem querer sofrer. Não entende e não aceita que as coisas nem sempre têm explicação. Age e depois morre de culpa por ter feito o que fez. E todo mundo, embora tão diferente, é sempre tão igual. E aqui sigo eu, exemplar ortodoxo do Homo sapiens sapiens tentando explicar e entender coisas que não têm explicação.

E sim, eu sou ingualzinho a qualquer outro por aí, e embora não siga a tendência das botas de plástico da moda, costumo dar tchau para o Willian Bonner (quando vejo jornal nacional) e também já dei tchau pro meu cocô.

3 comentários:

  1. He a eH! Como que q tah dona Cris?

    Interessante teu ponto de vista sobre a pera... Eu nao tinha percebido como aquela pera pode ter sido um escape pra minha ansiedade. Certo que minha comilanca eh escape pra ansiedade de alguma forma reprimida... Mas eu me sinto tri bem! ahaeuhaeueahea

    E pera... bem, fazia mais de um ano q eu comia pera e eu pensei.. "hmmmm, pera"... Talvez isso seja melhor q do que dizer q nao queria comer tanto depois hahaha... Mesmo pq fruta nao me ajuda

    Bem... como um bom amigo q se diverte quando tu eh relapsa vou te dar um conselho. Nao se preocupe tanto! ;) ahahhaah

    Tche... vc eh otima! Sei q pode nao achar isso de ti mesma, mas... Teu nivel de exigencia esta muito alto. Podes argumentar sobre o nivel da universidade, ou como eh pro teu futuro como profissional, mas... Teu nivel esta muito alto...

    Como diz o ditado. Nao podemos correr mais que nossas pernas conseguem. Te equilibra e tudo vai dar certo. Lembra que vai ser tua experiencia no CAMPO, e nao nos circulos academicos, q vai te colocar como uma profissional de sucesso, e principalmete, humana!

    Amo-te com toda minha alma

    ResponderExcluir
  2. Pois é...

    Hoje eu tentei domar os demônios e não correr pro banheiro arranhando minha garganta.

    Até agora consegui, meu almoço foi mais do que eu poderia agüentar mas, mesmo com todas as culpas, eu não fui.

    Espero que a lasanha, mesmo permitida, não me destrua de novo.

    As botas de plástico são bem úteis para enfrentar a chuva, mas não pra ir pra festa de short...

    Espero que possamos nos encontrar, a sós, um dia...

    ^^

    ResponderExcluir
  3. Eu faço exatamente o mesmo. Me culpo quando eu não estou lendo tudo o que dá, quando não estou fazendo máximo que posso! Mas isso serve só pra gente se estressar...
    Vamos tentar ser menos ansiosas e curtir sim esses momentos de diversão. A gente precisa da saúde mental...

    To indo ai, falta pouquinhos dias... e ai a gente vai falar e fazer merda e se divertir, sendo bem feliz. É o que vale.

    Bjos. Amo-te.

    ResponderExcluir

Fala que eu te escuto.