sexta-feira, 30 de outubro de 2009

Adeus aos Manuais

Antes de mais nada, eu gostaria muito de saber quem foi que, diabos, inventou essas tais "regras" de comportamento social, as quais regem como as pessoas devem vertir-se, o quanto devem pesar e, o que mais me irrita em todas elas, como devemos agir e o que devemos em sentir em determinadas situações pré-estabelecidas. Não que eu, particularmente, ache que velório é um bom lugar para um show de piadas, entretanto eu realmente gostaria que no dia em que eu finalmente bater as botas as pessoas fizessem uma listinha das pérolas da minha vida - exemplos não irão faltar - e pudessem dar um pouco de risada da minha cara branca e gelada (e agora morta).

Todavia é óbvio que não era exatamente de piadas em em velórios o que eu queria falar quando comecei a escrever, mas seguindo o exemplo, acho absurdamente infundada a idéia de que mulher tem que ser romântica e esperar que cada cara que ela fica seja o seu príncipe encantado montado em um cavalo branco vindo resgatá-la das garras negras do dragão da solteirice. Sinceramente, foi-se o tempo em que ser solteira era uma coisa feia, impura e de mulheres perdidas na vida. Hoje em dia a gente não quer mais saber dessa coisa 'amélia' de lavar, passar, cozinhar e dar ao bel prazer do marido, bem pelo contrário, aliás. Gosto muito de ter a liberdade de escolher quando limpar a casa (ou pagar alguém para fazer isso), ir às festas acompanhada da ordem das solteiras, sair de lá bêbada sem saber exatamente como voltar para casa e, o mais revolucionário de tudo, escolher de acordo com a minha vontade quando e para quem entregar o corpinho. E se no dia seguinte eu acordar de ressaca, no meio da bagunça e acompanhada de um desconhecido, gosto muito de poder escolher nunca mais olhar para a cara do infeliz. Bebi, dei e não me apaixonei, isso não faz de mim uma vagabunda nem menos digna de qualquer dessas coisas que as que casam virgens merecem. É quase 2010. minha gente!

Agora, vamos pensar em uma situação semelhante porém com desenrolar um pouquinho diferente: bebi (ou não), dei (ou não) e me apaixonei. Há quem diga que no coração não se manda, eu, particularmente, discordo, mas não é esse o ponto. A questão é: to apaixonada e esperando desesperadamente que toque o telefone que parece que não vai tocar. Contraditório isso, é feio dizer que peguei e não me apeguei, entretanto soa tão mal quanto assumir que está sentada, sacudinado a perninha, escorando o queixo na mão, olhando para aquele aparelhinho maldito que sisma em permanecer em silêncio. Quem quer que tenha proclamado as tais regras, por favor decida-se, ou sou mulher-macho ou sou mulherzinha, as duas coisas ao mesmo tempo definitivamente não da. Supondo um estilo mais mulherzinha apaixonada, então entregue-se e curta profundamente esse momento "casa das sete mulheres". Não tem porque negar, a gente sofre, chora, espera, torce e até reza. Não importa muito se no final vocês casaram e tiveram lindos filhos com a cara do pai, ou se ele nunca deu sinal de vida e tu acabou por desencanar após breve surto depois de encontrá-lo aos beijos com outra em alguma festa, o importante é reconhecer e assumir uma postura condizente com o que se sente, o que TU sentes, jamais com o que irão pensar de ti.

A paixão é linda, disso todo mundo sabe. O que parece que pouca gente vê é que a falta de paixão também é maravilhosa, desde que a gente se permita aproveitar o que cada situação tem de bom. A gente tem que parar de se prender a convenções sociais, sejam elas quais forem. Se eu estou um pouco acima do peso? Grande coisa, até barriguinha saliente tem seu charme. Tenho o cabelo crespo? Tenho mesmo, não faço chapinha e assumo meus cachos com o volume que eles tiverem, minha cara não combina com cabelo liso mesmo. Sou branquela? Sol causa câncer de pele, não recomendo. E, finalmente, peguei e não me apeguei? Pois é, o cara não soube me fazer cair de quatro (no bom sentido, é claro - ou não - ). Fiquei apaixonadérrima por alguém que não me da a mínima bola? Paciência, meu coração é trouxa, mesmo, daqui a pouco as endorfinas serão metabolizadas e ficar olhando o telefone deixa de ser interessante. É maravilhosa a sensação de liberdade ao me livrar do manual de "como me portar hoje em dia". Sério. Excetuando-se o fato de que agora eu sou obrigada a sair da minha casinha e ir votar toda bendita eleição, benditas sejam aquelas que queimaram sutiãs.

5 comentários:

  1. Se eu não te conheço, e não te prometi nada, tu não podes me cobrar algo. Simples.

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  2. fica a dúvida...
    o que é cair de quatro no mal sentido? uahauha
    A-do-ro!

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  3. Nem todos os manuais são ruins.
    Mas o pior deles é o que a gente mesma se impõe.

    Bjos, saudades imensas.

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  4. Olá Cris, posso perguntar? a sensação de liberdade vem mesmo do esvaziar-se ou do encher-se das regras?

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  5. Bem, vc sabe que a verdadeira liberdade nao existe (pelo menos foi isso que tu disseste em resposta ao meu blog sobre liberdade de expressao).

    Enquanto isso vc pode aproveitar a viagem e usar o sentimento de culpa para te ajudar a ter uma vida "boa".

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