terça-feira, 27 de julho de 2010

Dessas facilidades e dificuldades

Mimimi de mulherzinha é um troço que não tem fim, até porque eu, na condição de mulher, tenho o mais absoluto direito de reclamar daquilo que eu bem entender por tanto tempo e tantas vezes quanto eu quiser. Ser mulher tem dessas facilidades.

Pensando retrospectivamente, desde pequena minha mãe costumava falar do meu mau humor, sempre enfatizando, como só uma mãe pode fazer, que ela só conseguia aturar minhas explosões de raiva com o mundo porque é mãe. Ser mãe tem dessas dificuldades.

Eu, sinceramente, acho que ela não fazia mais que a obrigação assumida quando decidiu permitir que eu viesse ao mundo. Digo isso porque parte do meu mau humor certamente deriva da porcaria do meu intestino que, vez ou outra, teima em me sabotar e fazer uma grevezinha, dessas só pra me deixar esperta e querendo comer mamão. Isso só acontece porque ela insistiu para que eu controlasse meus esfíncteres antes de ter capacidade neurológica pra isso (sou atrasadinha, fazer o que?), tornando-me hoje uma pessoa que funciona à base de prender as coisas dentro de si. Colocar a culpa na mãe é o que há de moderno. Ser filha tem dessas facilidades.

Assim sendo, tenho dificuldade pra fazer cocô, não gosto de fazer xixi, nunca vão me ver colocando o dedo na goela pra vomitar depois daquela extravagância alimentar, a cada vômito da bebedeira é uma lágrima de desgosto pensando que nunca mais farei isso e extrair uma confissão sincera, verdadeira e direta dos meus sentimentos é quase um nascimento, com trabalho de parto e tudo. Ser Cristine tem dessas dificuldades.

Então fico muito grata de ter a liberdade de reclamar do que eu bem entender, incansavelmente, até porque tem coisas de que eu NUNCA vou cansar de reclamar, e ser mulher é uma delas. E, se parar pra analisar a fundo, bem no fundinho, eu nem sou uma criatura tão reclamona e mau humorada assim, o mundo é que simplesmente parece que não vai com a minha cara e cisma em tornar a minha existência o mais infernal possível. Colocar a culpa no mundo não é uma coisa tão moderna assim. Ser humana tem dessas facilidades.

Mas né, apesar de eu não acreditar que alguém que me faça sangrar todo mês goste de mim, eu posso me considerar uma pessoa feliz e realizada, só acho que felicidade não precisa ser esfregada na cara dos outros nem exposta na vitrine. Dá, perfeitamente, para ser discreta e gritada silenciosamente entre quatro paredes. Reclamo pra liberar dramaticamente as minhas escórias, afinal o drama faz parte da minha vida e sem ele eu não seria eu, feliz e reclamona do jeito que sou. Ser histriônica dessas dificuldades.

Um comentário:

  1. cara, tirando a parte fisiológica, qualquer um q me conheça acreditaria q eu escrevi o texto! Ainda bm q não sou louca (?) e tm gente pensando igual por aí.E tão igual! Longa vida aos dramáticos e reclamões, nunca serei uma boba alegre, hehehe.

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