sexta-feira, 27 de agosto de 2010

Existência Ordinária

Não entendo o que leva alguém a dizer, talvez verdadeiramente acreditar, que vive de extremos, que não gosta do morno. Oito ou 80, já diria o clichê. Não consigo captar a essência de alguém que vive à beira do que quer que seja. Alguém que prefere a quase queda da curva de Gauss. Não empatizo com quem prefere estar mais de 2,5 desvio padrão para lá.

Qual o problema com o meio termo? Com o equilibrio, de fato? A temperatura que ao paladar apetece, nem tão quente a ponto de queimat, nem tão fria que venha a anestesiar. A fortuna apenas suficiente, nem tão pequena que não possa satisfazer ao consumismo, nem tão grande a ponto de cegar e comandar. O peso eutrófico, nem obeso, nem desnutrido. Altura mediana, nem anão, nem gigante. Apenas dentro do normal, nem muito pra lá nem muito pra cá.

Talvez o problema seja comigo, afinal. Eu, aberta e orgulhosamente, gosto do meio termo, do morno. As vezes até do meio do caminho. Gosto da tranquilidade de ser ser ordinária. Sublimo a oportunidade de ser comum. Não vivo intensamente cada minuto, mas trabalho muito em alguns para que, naqueles destinados a serem intensos, eu tenha saúde, disposição, companhia e, obviamente, dinheiro para torná-los o que são destinados a ser. Não sei estar no limite. Não aprendi a conviver com extremos.

Na minha vida desconfortam-me coisas arrebatadoras. Ventanias, temporais, insolações e nevascas. Amizades e amores. Perto de mim eu quero dias de sol pacialmente nublados. Quero a leve brisa do outono, ou o discreto vento da primavera. Quero amigos comuns, com seus defeitos e qualidades sem juras eternas de dedicação. Quero meu leite morno. Quero uma rotina ordinária. Quero amores tranquilos.

Quero amores com tranquilidade de amores, sem avassaladoras paixões. Não preciso que as borboletas saltem no estôago a cada encontro. Quero viver a serenidade de estar lado a lado em silêncio. Quero completar-me na conversa, seja ela na cama ou fora dela. Preciso que o pé quente e nu em contato com o meu, vestido e gélido, seja o nosso elo enquanto cada um tem à frente seus afazeres individuais. Não quero estar unida apenas pelo genital, mas também pelo olho.

Não sei ser intensa. Não nasci pro tudo ou nada. Fui criada no mais ou menos. E se fosse um número, provavelmente estaria pela volta do 40. Quero pra mim a calmaria do lago. A brisa primaveril. A rotina ortodoxa. A segurança do amor sereno. A tranquilidade de uma existência ordinária.

Um comentário:

  1. Pooh eu sou asim também, odeio extremos e instabilidade. So totalmente pró-rotina pois gosto de estar sempre preparado pro que vai acontecer, sem surpresas.

    Bjããão Cristine
    xD

    ResponderExcluir

Fala que eu te escuto.