Chega a ser engraçado como as companhias com quem fazemos determinada coisa é que fazem com que essa coisa seja agradável ou insuportável. Por exemplo, uma ida ao cinema pode ser incrivelmente enfadonha quando acompanhados da sogra, enquanto um plantão em hospital psiquiátrico pode vir a ser agradável e até divertido quando somos acompanhados de outros profissionais considerados socialmente agradáveis. Via de regra, infelizmente, as companhias de trabalho são tanto quanto ou mais enfadonhas que o próprio trabalho em si.
Pensando mais ou menos por esse ângulo que tomei a decisão de abandonar meu estágio de plantonista no Hospital Psiquiátrico da minha cidade. A verdade é que somando-se foram vários os motivos, a começar por meu mau estado psicológico atual, minha aumentada necessidade de sono, descanso e tempo para mim, o muito de 'borrocracia' e pouco de psiquiatria que se tem a disponibilidade de aprender e, obviamente, as companhias grossas, estúpidas, sem paciência e nada inspiradoras com quem somos obrigados a coexistir e principalmente a recorrer em casos de dúvidas (que naturalmente no começo são muitas e inevitavelmente idiotas).
Caso seja a mim permitido uma auto-avaliação psicológica, fica muito evidente quais são os reais motivos que levaram-me a tal decisão, principalmente. Claro que o trabalho não é tão enfadonho assim, e quanto às pessoas, algo totalmente superável mediante aquele relativo bom humor que eu costumava levar a vida em meus socialmente populares tempos de Cefet, trocando por miúdos, pessoas chatas existem em qualquer lugar, e o fato de elas me afetarem do modo como afetam só prova que eu tenho permitido que isso aconteça. E essa permissão, ainda que inconsciente, só traz mal a mim mesma, sem que meu instinto autoprotetor, no entando, consiga mostrar-me como reverter, ou pelo menos contornar, essa situação.
Quem conseguir analisar a situação com atenção perceberá, sem muitas dificuldades, que a grande maioria das coisas não passa de algum tipo de projeção ou cobertura. Este blog é cobertura para minha falta de com quem desabafar (velha história do diário, falta de amigos e mãe ausente), querer sair do estágio é a representação prática da minha falta de empolgação para com as coisas e desejo de largar largar tudo e fugir pra longe. Quanto a meu recente ódio e excesso de precauções para com novas pessoas em minha vida, ainda não tenho uma teoria completamente formada a esse respeito, só sei que ter endurecido dessa forma tornou-me uma pessoa com menos chances de ser feliz, não deixando de ser um modo de continuar sendo atingida (mediante mim mesma) por aquelas pessoas que um dia tanto magoaram-me. E o pior nem é sentir todas essas coisas ruins com delírios de desvalia, mas sim não apenas sentir, mas ter a convicção de que a solução, se é que existe, encontra-se longe, escondida além da inxistente luz do fim do túnel.
E essa postagem, a qual começou com uma explainação para mim mesma a respeito dos meus ilusórios motivos para levar a faculdade do jeito fácil e aparentemente na vagabundagem, tornou-se mais um dos meus infindáveis e deprimentes momentos de auto-análise. Conhecer a mim mesma dói, e tem doído cada vez mais, talvez tanto quanto as próprias dores de angústia que sinto. Angustiante mesmo é perceber quantos problemas arrecadei ao longo da minha vida e quantos deles, unica e exclusivamente meus, são aparentemente sem solução. Essa é a tal sensação de impotência. Só não é pior que o sentimento de culpa, o qual coexiste com uma enorme e intrincada rede de conexões. Entretanto a tal da culpa é assunto para quem sabe algum outro post.
As auto-análises são indispensáveis e muito necessárias. Poucos são os que tem a capacidade de olhar para si mesmo e perceber o que é preciso melhorar ou ainda piorar, quem sabe...
ResponderExcluirAbandonar seu estágio não precisa ser necessariamente a representação de uma faculdade mais tranquila, mas sim a demonstração de que algo precisa ser mudado. Talvez não em ti, mas nas coisas como são. Fazer isso pode ser uma coisa boa no final.
Nem sempre toda a perseverança e desespero são positivas. Às vezes a gente precisa deixar algumas coisas de lado, ficarmos mais tranquilas.
Eu percebi que não posso abraçar o mundo, e que preciso de tempo para mim. Não é justo que meus colegas passem o final de semana na praia enquanto eu me rasgo estudando.
Jamais deixaremos de lutar. Mas também precisamos entender que desistir pode não ser tão errado.
Te adoro.
Bom... em primeiro lugar, olá... sou a Tina, amiga da Ingrid. Vendo o blog dela, encontrei o teu e cá estou. =)
ResponderExcluirEu discordo da Ingrid em duas colocações que ela deixou no 1º comentário: 'Não é justo que meus colegas passem o final de semana na praia enquanto eu me rasgo estudando'; 'Mas também precisamos entender qye desistir pode não ser tão errado'. Tu deve estar pensando: ok... uma louca que eu não conheço me aparece comentando no meu blog, faz alusão às colocações da Ingrid e? O que é isso? hehe Eu explico.
Enquanto os dias passam, arrastando-se pelo decorrer do ano, a gente faz escolhas: a gente sempre faz escolhas. Por que não é justo passar o final de semana na praia enquanto outros estudam? Os que foram à praia, bem como os que ficaram estudando, escolheram. Justiça não se aplica aí, e sim as escolhas e o valor que damos a elas.
Desistir por desistir - por ser ruim demais continuar, por doer pensar e lutar, por medo do que vem depois -é sempre errado. É uma fuga desesperada de uma realidade que vai nos acompanhar a vida toda, sempre.
Tu não desistiu do estágio. Tu escolheu sair de lá. Se tua felicidade não está nele, fez muito bem em sair. E não se culpe! Tu tens 21 anos... 21. És uma menina ainda, e tens o tempo todo do mundo para errar, aprender, acertar, escolher.
Sempre que algo está errado, é porque alguma de nossas premissas está errada.
Avalie as tuas premissas, encontre o que te faz mal... e sane tuas dúvidas =)
Eu tenho certeza de que conseguirás.
Um beijo,
Tina.
HAhahahahaha, que engracado. A amiga da Ingrid veio aki para questionar as colocacoes Ingridianas... Bem... Nao tenho nenhum tipo de colocacao em relacao a todas as coisas q tu escreveu...
ResponderExcluirComo tu dizes, auto-conhecer-se doi. Querendo ou nao eh um processo solitario. Pra que fazermos, ja q nos leva a tristeza? Talvez seja algo instintivo, parte da natureza humana de descobrir e da curiosidade inata do ser. MAS traz tristeza e abre portas q talvez nunca devessem ser abertas.
Eu vejo desse jeito. Existe um depois, assim como existiu um antes. Se há um principio necessariamente havera um fim. Como eu acredito na eternidade do ser, logicamente acredito que ele nao teve comeco. Tenha paciencia... Algumas coisas se explicarao com a eternidade, e outras soh sao explicadas pela eternidade...
Amo-te e te quero bem.
Não... não vim aqui para questionar a Ingrid... vim apenas fazer um comentário no blog da amigona da minha amiga Ingrid. =)
ResponderExcluirE se a Indy gosta dela, eu gosto também sem conhecer porque a Indy é do balacobaco!
hehehe
Mas enfim... Moisés... já ouvi falar muito do senhor também... portanto comporte-se! hehehehe
Mas enfim... 2...
A vida traz problemas e nossas mentes as soluções. Viver é aprender e apreender... e isso não é simples. Mas se fosse, que graça teria?
Um beijo para ti, amiga da Indy!
Um beijo pra ti também, Moisés pilheiro! hehehehe
E o beijo da Indy - morram de inveja... - eu dou pessoalmente porque ela é minha amiguinha e colega! lero lero... hehehe
ler todo o blog, muito bom
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