quinta-feira, 27 de março de 2008

Desabafo e Agradecimento

Recentemente não se ouve falar em outra coisa se não a epidemia da dengue no Rio de Janeiro. Eu, como futura profissional da saúde, não pude deixar de acompanhar as notícias e tentar entender o que está acontecendo, afinal, em meus singelos conhecimentos, a dengue não passa de uma simples doença benigna, quase como um resfriado comum, porém com a variante hemorrágica.

Para quem mora em um planeta muito distante e não sabe como a dengue funciona, a tal da fisiopatologia é muito simples, o vírus é injetado na corrente sanguínea por um mosquito Aedes aegypti (assim que escreve?) infectado. A infecçao viral leva a sintomas como febre, dor no corpo, vômitos, diarréia e, nos casos de dengue hemorrágica (mais grave e menos comum), há também pequenos sangramentos evidenciados nas fezes, urina, cavidades nasal, sangramentos gengivais e etc (por isso JAMAIS use aspirina em casos de suspeita de dengue, devido a sua ação anticoagulante os sangramentos serão agravados). E aí está, simples e fácil, sem tratamento (afinal é viral) e qualquer medicação usada será apenas sintomática. Em uma semana qualquer imunocompetente já estará livre dos sintomas.

Como, então, por obséquio, tem gente morrendo por uma coisa tão, mas TÃO banal? Resposta igualmente simples, NINGUÈM morre de dengue, mas sim de desidratação devido às perdas líquidas do vômito e diarréia. Como diabos alguém morre desidratado em pleno século XXI?!?! É vergonhoso ver o presidente empurrando a responsabilidade pro governador, o governador empurrando pro prefeito e o prefeito devolvendo pro presidente, como se identificar de quem é a culpa por uma falha tão grosseira no sistema de saúde fosse resolver a questão de haverem pessas morrendo por falta de soro glicosilado na veia (sim, porque é SÓ reidratar não se morre de desidratação... e reidratação, dentre outros modos, se faz apenas com um sorinho, até mesmo no posto de saúde).

Minhas palavras não são campanha para nada, são apenas manifestação de indignação quanto ao sistema de saúde desse país medíocre no qual um dia serei obrigada a trabalhar para. Todavia, como sou gaúcha com orgulho e (ainda) não temos exemplares contaminados desse mosquitinho por aqui (e mesmo que tivéssemos, na primeira noite com temperatura abaixo de 15°C todos os exemplares partirão pra outro plano de existência), sinto-me no direito de ter pensamentos egoístas e usar o espaço do MEU blog para falar a respeito de mim.



Ontem (26/03/2008), depois de um daqueles dias de cão, quando eu, já em comunhão com meu bercinho, dormia e sonhava com os anjos (mentira, ultimamente só tenho tido pesadelos), recebi a inusitada visita de dois daqueles poucos e bons que tanta falta fazem aqui pertinho de mim. Semi pelada, com a cara amassada e o raciocínio (mais) lento, percebi que desenrolava-se diante de mim um daqueles momentos que jamais devem ser esquecidos. Tudo bem que levei uma mijada do meu conservador padrasto no dia seguinte, mas isso não diminuiu a emoção que senti ao perceber que, apesar do mau momento emocional que vivo, ainda posso dizer que tenho pessoas que se preocupam comigo... e como isso me fez bem.

Peço desculpa a todos aqueles que posso vir a ter faltado, preciso apenas um pouco de compreensão. Como estudante e amante das artes psiquiátricas, sinto muito temor ao analisar as coisas que sinto e penso, porém sei que é um mau momento emocional passageiro que, espero em breve, ter resolvido e conseguido pôr todas as coisas nos seus devidos lugares, pessoas, pensamentos e sentimentos. No mais, só o que posso fazer é agradecer imensamente pelo amor, carinho, compreensão, preocupação e, principalmente, amizade incondicional.

Amo muito a vocês, meus poucos e bons.

2 comentários:

  1. Tu sabe que a dengue soh dexa todo mundo dengoso... O pessoal morre pq tah dengoso, nao que mais sabe de trabalha...

    :)

    Teh mais

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  2. É por causa desses poucos e bons que a gente continua em frente...

    To indo bem amiguinha. A vida é um ciclo e problemas "mentais" e "emocionais" fazem parte.

    Te amo.

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