Dizem que não se deve amar com o que se trabalha, mas sim trabalhar com o que se ama. Eu discordo dessa afirmação, pelo menos em parte. Nesses tempos inglórios em que encontrar alguém que trabalha por prazer é cada vez mais raro, bem aventurados são aqueles vêem seu trabalho como mais um momento de lazer do seu dia.
Profissionalmente eu não deveria ter do que reclamar. Formada, trabalhando em um emprego de carga horária semelhante ao resto da população de classe média ativa e com uma remuneração deveras interessante. Todavia esse trabalho me dá o prazer dos meus dias de folga? Eu passo o final de semana ansiosa pela iminente chegada da segunda-feira e o retorno das minhas tão almejadas atividades laborais? Não. Nem por um instante.
Mas e aí, como pode alguém ser feliz assim, sem amar para o que deixa o leito todos os dias? Francamente, hipocrisia achar que alguém nasceu querendo, como sonho de toda uma vida, ser lixeiro quando crescer. Não que lixeiros não possam ser felizes, ou seja uma atividade menos honrada, longe disso, porém certamente não é o emprego o maior mantenedor da felicidade da vida dessas pessoas. E assim como lixeiro existe uma enorme gama de empregos que, para a sociedade são indispensáveis, porém o empregado certamente sonha, ou já sonhou, em atingir um futuro melhor.
Eu também sonho em ter um futuro melhor. Onde eu não deteste a maior parte dos momentos do meu dia produtivo, e onde os frutos do meu trabalho sejam volumosos o suficiente para prover o lazer necessário para descansar dos pesares do trabalho. Porque, afinal, um trabalho bom precisa preencher essas duas características apenas, e NADA mais: ser tolerável, no sentido de não ser odiável para que não pese muito no dia a dia; e ter um salário satisfatório. Aquelas coisas que realmente gostamos e temos prazer em fazer, serão muito melhor aproveitadas em momentos de lazer, financiados por um trabalho não tão prazeroso.
No fim das contas, trabalho é sempre trabalho e é, na maioria das vezes, um grande erro querer misturá-lo com prazer. Já dizia o grande sábio: “nenhum trabalho é ruim, ruim mesmo é ter que trabalhar”.
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