Se tem uma coisa que eu aprendi a duras penas nessa vida, é que sinceridade não é uma qualidade. Sequer estou referindo-me àquela sinceridade cruel, grosseira, humilhante. Quando falo em sinceridade quero dizer apenas o mais literal sentido da palavra, falar a verdade, não mentir. Pelo menos não tão desnecessariamente.
Claro que eu não acho que sair por aí chamando as gordas de gorda é uma coisa coisa boa. Isso é falta de noção, de educação. Porém toda pessoa que tem bafo merece ter um amigo de verdade para avisar. Com sinceridade e sem ressentimentos. Eu gostaria.
Mas não é isso o que se vê. As pessoas não estão interessadas em opiniões sinceras, estão à procura de elogios que afaguem a autoestima. Quando ouvem a verdade ignoram e as vezes até se ofendem. E quando isso acontece retrucam, espetam, devolvem as palavras independente da intenção proferida. Talvez seja, em parte, daí o porquê dizem que de boas intenções o inferno está cheio.
Assim sendo, cansei de dizer que o óculos novo é pior que o antigo, ou insistir para o fulaninho estudar e tentar ser alguém na vida. Guardo minhas opiniões pra mim. Todos os vestidos novos são lindos, todas as pessoas emagreceram, todas as comidas estão maravilhosas. O mundo é bonito e perfeito.
No fundo eu gostaria que me avisassem se eu saísse de casa com pasta de dente no rosto, ou com a camisa do avesso. Todavia esse é mais uma daquelas coisas que vou ter que acostumar a fazer sozinha e por mim mesma. Guardar meus pensamentos só pra mim enquanto confiro uma vez mais se está tudo dentro dos conformes antes de sair de casa.
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